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John Wick (Keanu Reeves) atravessa Nova York sob uma recompensa de 14 milhões de dólares após violar uma regra da organização criminosa que governava sua vida. Os acontecimentos de “John Wick 3: Parabellum” começam logo após o segundo capítulo. John matou Santino D’Antonio dentro do Hotel Continental, espaço onde qualquer assassinato é proibido. Winston (Ian McShane), gerente do estabelecimento, concede ao antigo aliado uma hora de vantagem antes de declará-lo excomungado. Quando o prazo terminar, serviços médicos, transporte, armas e hospedagem serão retirados, enquanto assassinos de vários países poderão disputar a recompensa.

Dirigido por Chad Stahelski, o filme retoma a história sem oferecer descanso ao protagonista ou ao espectador. John corre pelas ruas chuvosas de Manhattan tentando resolver necessidades básicas antes que seu nome entre na lista de condenados. Ele procura medicamentos, recupera objetos guardados e tenta localizar pessoas capazes de ajudá-lo. Cada minuto perdido entrega mais espaço aos perseguidores, que começam a reconhecê-lo em estações, lojas e esquinas.

A recompensa muda o comportamento da cidade. Pessoas aparentemente comuns interrompem suas atividades quando recebem a informação sobre o contrato. Cozinheiros, motoristas e pedestres passam a observar John com interesse financeiro. A multidão deixa de representar anonimato e vira uma ameaça permanente. Até atravessar uma rua exige atenção, pois qualquer rosto pode pertencer a alguém disposto a matá-lo por dinheiro.

John procura atendimento médico antes que a expulsão seja oficializada. O médico tenta cuidar de seus ferimentos, mas abandona o procedimento quando o relógio encerra a hora concedida por Winston. Continuar significaria desafiar a Alta Cúpula, autoridade responsável por controlar aquela rede internacional. Ferido e sem assistência, John termina os próprios pontos e retorna às ruas com menos recursos e muitos adversários em seu caminho.

O passado ainda abre portas

Sem acesso à estrutura que sustentou sua carreira, John recupera um rosário e procura a Diretora (Anjelica Huston), chefe da Ruska Roma. A organização está ligada à infância e à formação do assassino, embora esses capítulos de sua vida permaneçam cercados por lacunas. Ele apresenta o objeto como prova de pertencimento e exige uma passagem segura para Casablanca.

A Diretora aceita ajudá-lo porque existe uma dívida antiga, mas deixa evidente o preço da decisão. Oferecer proteção a um excomungado significa desafiar uma autoridade que pune tanto o infrator quanto seus colaboradores. John consegue deixar os Estados Unidos, enquanto ela permanece exposta à visita dos representantes da Alta Cúpula. O favor resolve uma etapa da fuga e cria outro alvo para a organização.

A Juíza (Asia Kate Dillon) chega a Nova York para responsabilizar todos que facilitaram a sobrevivência de John. Winston recebe sete dias para abandonar a administração do Continental. O Rei dos Mendigos (Laurence Fishburne), responsável por uma rede de informações espalhada pelas ruas, também é punido por ter oferecido abrigo e transporte ao fugitivo. A cobrança revela uma instituição interessada em preservar obediência, inclusive entre seus integrantes mais poderosos.

Zero (Mark Dacascos) é convocado para executar as determinações da Juíza. Assassino experiente e dono de um restaurante japonês, ele persegue John com a disciplina de um profissional e o entusiasmo inconveniente de um admirador. Zero respeita a fama do adversário e parece satisfeito por finalmente enfrentá-lo. O detalhe acrescenta leveza à perseguição, embora a admiração jamais diminua o perigo do contrato.

Uma dívida cobrada em Casablanca

Em Casablanca, John procura Sofia (Halle Berry), antiga amiga e gerente do Continental local. Ele precisa alcançar o Ancião (Saïd Taghmaoui), única autoridade situada acima da Alta Cúpula. Sofia conhece o caminho, mas rejeita o pedido porque ajudar John ameaça o cargo conquistado e a segurança de sua família.

John apresenta um marcador de sangue que obriga Sofia a pagar uma dívida. Ela aceita acompanhá-lo, ainda que sua irritação deixe evidente a fragilidade daquela parceria. Sofia leva dois cães treinados, que participam dos combates com precisão e energia invejáveis. Os animais obedecem a comandos, protegem a dona e oferecem uma das melhores sequências de ação do longa. Também deixam uma dúvida curiosa sobre quantos figurantes aceitaram trabalhar perto daqueles dentes.

A dupla procura Berrada (Jerome Flynn), administrador de uma casa da moeda usada pelo submundo dos assassinos. John deseja descobrir onde está o Ancião, enquanto Sofia quer concluir a visita sem perder autoridade. Berrada fornece uma orientação, porém cobra um preço que ultrapassa o razoável e provoca uma reação violenta. John e Sofia precisam abrir caminho para fora do local, perdendo munição, tempo e qualquer possibilidade de sair discretamente.

A passagem por Casablanca acrescenta outra camada à organização apresentada nos filmes anteriores. Moedas, marcadores, hotéis e juramentos possuem valor porque todos aceitam as mesmas regras. Quando alguém quebra um acordo, a resposta alcança amigos, protetores e funcionários. John tenta escapar dessa estrutura, mas ainda depende dos códigos criados por ela para conseguir transporte, informação e acesso ao Ancião.

A sobrevivência exige submissão

A busca leva John ao deserto, onde ele precisa resistir até ser localizado pelos homens do Ancião. O encontro oferece uma possível saída, porém exige um compromisso doloroso. O protagonista quer permanecer vivo, e essa necessidade o obriga a aceitar condições impostas pela mesma autoridade que ordenou sua morte. Keanu Reeves sustenta esse trecho com poucas palavras e um cansaço que parece acumulado desde o primeiro filme.

Enquanto John busca recuperar algum reconhecimento, Winston decide permanecer no comando do Continental. Ele se recusa a entregar o hotel e questiona o poder da Juíza para removê-lo. Charon (Lance Reddick), fiel concierge do estabelecimento, mantém-se ao lado do gerente e prepara a defesa do prédio. A antiga zona neutra passa a ocupar o centro da disputa, colocando hóspedes e funcionários sob risco.

O roteiro reúne essas linhas quando John retorna a Nova York. Zero continua perseguindo o fugitivo, a Juíza aperta o cerco contra Winston e o Continental perde a segurança garantida por suas próprias normas. John precisa decidir em quem confiar enquanto antigas alianças se tornam frágeis. Cada ajuda possui um custo, e ninguém oferece proteção sem calcular o perigo envolvido.

Stahelski organiza as lutas em espaços que mudam as possibilidades dos personagens. Bibliotecas oferecem livros pesados, estábulos abrem rotas entre cavalos e salões espelhados escondem adversários. A câmera mantém os movimentos legíveis, permitindo acompanhar golpes, quedas e deslocamentos. A técnica preserva a informação essencial de cada embate, pois o espectador sabe quem avançou, onde surgiu a ameaça e quanto espaço restou para escapar.

“John Wick 3: Parabellum” transforma a perseguição em uma longa disputa por acesso, tempo e proteção. Halle Berry dá firmeza a Sofia, Ian McShane preserva a elegância ambígua de Winston e Mark Dacascos faz de Zero um inimigo habilidoso, vaidoso e estranhamente simpático. No centro permanece Keanu Reeves, econômico nas palavras e generoso no esforço físico. John corre, apanha e procura outra saída antes que a última porta do Continental seja fechada.


Filme: John Wick 3: Parabellum
Diretor: Chad Stahelski
Ano: 2019
Gênero: Ação/Crime/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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