Discover

Em 2009, a herpetóloga Amanda Hayes (Crystal Allen) retorna às montanhas da Romênia para destruir uma pesquisa genética financiada pelo empresário Murdoch (John Rhys-Davies). O experimento utiliza orquídeas sanguíneas na produção de um soro regenerativo, desejado pelo milionário para tratar sua doença terminal. O problema ganha dentes quando uma anaconda submetida à fórmula escapa do laboratório e passa a caçar cientistas, viajantes e mercenários. Dirigido por Don E. FauntLeRoy, “Anaconda 4: Rastro de Sangue” retoma os acontecimentos do terceiro longa e transforma a busca pela cura em uma corrida bastante sangrenta.

Peter Reysner (Zoltan Butuc) foi contratado por Murdoch para desenvolver um medicamento capaz de regenerar células. A matéria-prima vem das raras orquídeas sanguíneas, plantas associadas ao crescimento e à longevidade das serpentes apresentadas nos capítulos anteriores. Para verificar os efeitos do composto, o cientista usa uma anaconda mantida em cativeiro. A experiência oferece sinais promissores, mas também fortalece o animal e lhe dá uma extraordinária capacidade de recuperação.

A descoberta interessa especialmente a Murdoch, que sofre de câncer e procura uma cura antes que o dinheiro deixe de ter utilidade. John Rhys-Davies interpreta o empresário com uma arrogância cansada, própria de quem passou a vida comprando soluções e não aceita receber um diagnóstico sem saída. Ele financia a pesquisa, cobra resultados e envia homens armados para recuperar o soro. Pouco importa quantas pessoas sejam colocadas em perigo, desde que os frascos cheguem às suas mãos.

Amanda conhece os riscos porque sobreviveu aos acontecimentos anteriores e sabe o que a combinação entre genética, cobiça e serpentes gigantes costuma produzir. Crystal Allen assume o centro da história com firmeza e transforma a pesquisadora em uma mulher decidida a corrigir sua participação naquele projeto. Seu objetivo é localizar o laboratório, destruir as flores e impedir a fabricação de novas doses. A missão parece razoável até a floresta ficar cheia de mercenários e receber uma anaconda que trata seres humanos como itens de um bufê.

Mercenários seguem o dinheiro

Murdoch entrega a busca a Eugene (Emil Hostina), líder de um grupo fortemente armado. Ele deve localizar Reysner, recolher o medicamento e eliminar qualquer pessoa que tente impedir o serviço. Os homens entram na região com armas, veículos e confiança suficiente para enfrentar uma pequena guerra. A segurança diminui quando eles descobrem que tiros comuns têm pouca utilidade contra uma criatura capaz de se recuperar dos ferimentos.

Amanda segue para as montanhas acompanhada por policiais e cruza o caminho de Alex (Calin Stanciu Jr.), pesquisador que trabalhava na região. Alex não possui relação com os experimentos, mas acaba envolvido quando permanecer sozinho passa a ser mais perigoso do que acompanhar a herpetóloga. O personagem ocupa o lugar do visitante que precisa conhecer os fatos enquanto tenta continuar vivo. Sua presença também permite que Amanda revele partes do projeto sem transformar cada conversa em palestra científica.

Don E. FauntLeRoy distribui essas informações durante o avanço pela mata, alternando a procura pelo laboratório, os movimentos dos mercenários e os ataques da cobra. A estrutura mantém várias ameaças em circulação. Amanda precisa alcançar as orquídeas antes de Eugene. Eugene precisa entregar o soro antes que Murdoch morra. Os viajantes espalhados pela floresta, por sua vez, desejam apenas descobrir por que aquele passeio ganhou armas automáticas, cadáveres e um réptil de dimensões pouco educadas.

Viajantes entram na caçada

Outra parte da história acompanha Jackson (Linden Ashby), Heather (Ana Ularu), Wendy (Anca-Ioana Androne), Patrick (Alexandru Potocean) e Scott (Danny Midwinter). Eles chegam à região sem conhecer a pesquisa e acabam presos entre a serpente e os homens de Eugene. A inclusão do grupo aumenta o número de possíveis vítimas, embora nem todos recebam personalidade suficiente para despertar grande interesse.

Jackson é quem ganha maior espaço. Linden Ashby oferece ao personagem uma postura protetora, sobretudo quando seus companheiros passam a depender dele para sair da mata. Heather enfrenta uma dificuldade física que torna a fuga ainda mais complicada, enquanto Patrick e Scott tentam preservar o grupo diante dos ataques. Wendy também fica exposta quando as rotas disponíveis começam a desaparecer. Essas pequenas divisões ajudam a história a criar perigo sem depender somente das investidas da anaconda.

O roteiro aproxima os grupos pouco a pouco. Amanda possui informações sobre o soro, Eugene controla as armas e Jackson tenta proteger os amigos. Nenhum deles consegue avançar sem perder alguma vantagem. Quando os caminhos se cruzam, os frascos tornam-se moeda de sobrevivência. Quem sabe onde eles estão pode exigir passagem, mas também vira alvo dos mercenários e da criatura.

Uma anaconda difícil de matar

O grande diferencial da serpente está na regeneração provocada pelo experimento. Ferir o animal deixa de representar uma solução confiável, pois o composto permite que seu corpo se recomponha. Essa habilidade sustenta boa parte do terror e explica por que personagens armados continuam vulneráveis. Cada tentativa frustrada de eliminar a anaconda devolve a ameaça à mata e diminui o tempo disponível para destruir as orquídeas.

A ideia é divertida dentro da falta de modéstia da franquia. “Anaconda 4: Rastro de Sangue” nunca pretende oferecer uma aula respeitável de biologia. Seu interesse está em colocar pessoas desesperadas diante de uma cobra enorme, resistente e bastante empenhada no serviço. A história aceita esse absurdo com tamanha seriedade que chega a ganhar certa graça involuntária. Os mercenários descarregam armas contra o animal e parecem pessoalmente ofendidos quando ele insiste em continuar vivo.

Os efeitos digitais, porém, envelheceram bastante. A criatura perde parte de sua força quando aparece por inteiro, principalmente nos ataques mais movimentados. O perigo funciona melhor quando permanece entre árvores, túneis e construções abandonadas. Nessas passagens, o diretor esconde a localização da cobra e prolonga a espera. Quando a imagem entrega demais, o medo cede lugar ao aspecto artificial do réptil.

Isso não impede o longa de manter um ritmo movimentado. Há perseguições, emboscadas, invasões e disputas pelo medicamento. O roteiro raramente deixa os personagens descansarem, embora repita algumas situações e trate parte do elenco como simples alimento para a serpente. A brutalidade aparece de maneira franca, coerente com uma produção feita para quem procura terror de criatura sem grandes delicadezas.

Amanda assume a missão

Crystal Allen oferece o desempenho mais consistente. Amanda carrega conhecimento científico, culpa e experiência suficiente para ocupar a liderança sem precisar provar sua competência a cada cena. Ela não quer usar o soro nem vendê-lo. Sua prioridade é eliminar a pesquisa antes que Murdoch transforme a descoberta em negócio ou provoque o surgimento de outros animais alterados.

John Rhys-Davies torna Murdoch mais interessante do que o roteiro inicialmente sugere. O empresário age por egoísmo, mas sua doença fornece um motivo compreensível para o desespero. Ele está disposto a sacrificar desconhecidos porque acredita que a própria sobrevivência vale o custo. Essa humanidade desagradável impede que o personagem seja apenas um milionário malvado cercado por capangas.

Linden Ashby também oferece presença a Jackson, ainda que sua participação demore a se unir ao núcleo principal. Quando isso acontece, o filme melhora porque Amanda deixa de enfrentar sozinha os interesses de Murdoch. Jackson traz força física e preocupação com os amigos, enquanto ela possui as informações necessárias para interromper a experiência. A parceria cresce sob pressão, sem transformar a aventura em romance improvisado.

“Anaconda 4: Rastro de Sangue” está longe de ser um grande terror, mas sabe qual público deseja alcançar. A produção reúne uma floresta isolada, um laboratório clandestino, flores valiosas, mercenários gananciosos e uma cobra geneticamente modificada. FauntLeRoy mantém a história compreensível mesmo quando distribui muitos personagens pela mata, e Crystal Allen oferece unidade à correria.

O filme é uma continuação simples, exagerada e razoavelmente divertida para admiradores de filmes com animais assassinos. Os efeitos especiais comprometem várias aparições da anaconda, enquanto o roteiro repete perigos e oferece pouco espaço a parte do elenco. Ainda assim, a disputa pelo soro mantém o enredo em movimento, e Amanda possui um objetivo concreto do começo ao encerramento. Ela precisa alcançar as orquídeas antes de Murdoch, enquanto a serpente transforma cada novo caminho em uma ameaça.


Filme: Anaconda 4
Diretor: Don E. FauntLeRoy
Ano: 2009
Gênero: Ação/Aventura/Ficção Científica/Suspense/Terror
Avaliação: 3/5 1 1
Leia Também