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Em 1982, o ex-diplomata Mason Skiles (Jon Hamm) retorna a uma Beirute devastada pela guerra para tentar libertar um agente da CIA sequestrado. Dez anos antes, ele havia deixado a cidade após uma tragédia familiar envolvendo Karim, um adolescente palestino acolhido por ele e pela esposa. Agora, cercado por autoridades que escondem informações, milícias armadas e antigos ressentimentos, Mason precisa usar sua experiência como mediador para descobrir quem mantém o refém e qual preço poderá trazê-lo de volta.

Dirigido por Brad Anderson e escrito por Tony Gilroy, “Beirute” começa em 1972, quando Mason Skiles ainda desfruta de prestígio no serviço diplomático dos Estados Unidos. Ele vive na capital libanesa com a esposa, Nadia (Leïla Bekhti), numa casa frequentada por autoridades, representantes políticos e funcionários do governo norte-americano.

Mason e Nadia também cuidam de Karim (Yoav Sadian Rosenberg), um garoto palestino de treze anos que perdeu a família. O casal pretende oferecer ao adolescente uma vida segura, embora sua situação jurídica permaneça indefinida. Durante uma recepção organizada na residência, Karim ajuda a servir os convidados e circula entre pessoas que discutem política com taças nas mãos.

A festa muda quando Cal Riley (Mark Pellegrino), agente da CIA e amigo de Mason, aparece interessado em interrogar Karim. A agência descobriu que o irmão mais velho do garoto possui ligação com atividades terroristas. Mason desconhecia essa parte da história e tenta impedir que o menino seja tratado como criminoso pelos atos de um parente.

Antes que a conversa avance, homens armados invadem a casa. Karim é levado e Nadia morre durante o ataque. Em poucos minutos, Mason perde a esposa, o adolescente que pretendia proteger e a vida confortável construída em Beirute. A experiência encerra sua carreira diplomática e deixa uma ferida que continuará aberta por uma década.

Dez anos longe de Beirute

Em 1982, Mason vive nos Estados Unidos e trabalha na mediação de conflitos trabalhistas. O antigo diplomata agora tenta acalmar discussões entre empresários e funcionários, enquanto enfrenta dificuldades financeiras e uma relação preocupante com o álcool. Sua inteligência permanece ativa, mas o homem elegante das recepções virou alguém cansado, irônico e pouco interessado em compromissos duradouros.

Jon Hamm oferece ao personagem uma mistura convincente de desgaste e esperteza. Mason pode estar com a roupa amarrotada e a vida em desordem, porém ainda sabe ouvir uma ameaça, identificar uma mentira e escolher palavras capazes de manter uma conversa aberta. Em seu caso, falar não é sinal de delicadeza. É uma ferramenta de sobrevivência.

Um representante do governo aparece com dinheiro, passaporte e passagem para o Líbano. A justificativa oficial envolve uma palestra acadêmica, mas Mason percebe que ninguém pagaria tanto para ouvi-lo falar diante de estudantes. Mesmo desconfiado, aceita a proposta. Ele precisa do dinheiro e talvez reconheça naquela viagem uma oportunidade de enfrentar o passado que deixou para trás.

A Beirute encontrada por Mason tem pouco da cidade onde viveu com Nadia. A Guerra Civil Libanesa dividiu bairros, espalhou postos de controle pelas ruas e colocou diferentes grupos armados em disputa. O cenário também reúne agentes estrangeiros, representantes diplomáticos e autoridades preocupadas em proteger interesses que raramente aparecem por inteiro numa conversa.

Um refém e muitas versões

Ao chegar, Mason descobre o verdadeiro motivo da convocação. Cal Riley foi sequestrado, e os captores pediram especificamente sua presença. O antigo amigo agora depende da habilidade de Mason para sair vivo do cativeiro. O problema é que os integrantes do governo entregam informações incompletas e parecem mais preocupados em controlar a operação do que em revelar o que sabem.

Sandy Crowder (Rosamund Pike), agente da CIA lotada na embaixada, recebe a missão de acompanhar Mason e mantê-lo vivo. Ela trabalha ao lado de Donald Gaines (Dean Norris), chefe da estação local, e de Gary Ruzak (Shea Whigham), representante ligado à segurança nacional. Também está presente o embaixador Frank Whalen (Larry Pine), integrante de uma estrutura oficial cheia de salas fechadas, ordens vagas e silêncios pouco tranquilizadores.

Sandy observa Mason com cautela, mas percebe que ele possui algo raro naquele ambiente. Conhece a cidade, domina a linguagem diplomática e sabe prolongar conversas quando todas as partes gostariam de sacar uma arma. Rosamund Pike interpreta a agente com firmeza e discrição. Sua personagem não permanece atrás do protagonista apenas distribuindo documentos. Ela investiga informações, administra recursos e decide até onde pode confiar nos próprios superiores.

O encontro com os sequestradores traz uma revelação decisiva. Karim (Idir Chender), agora adulto, ocupa uma posição de comando no grupo que mantém Cal preso. Ele exige a libertação do irmão mais velho em troca do agente norte-americano. Mason reencontra, portanto, o garoto que tentou proteger e precisa lidar com o homem moldado pelos acontecimentos daquela noite.

A exigência cria um impasse. As autoridades norte-americanas afirmam que não possuem o prisioneiro solicitado por Karim. Sem saber quem fala a verdade, Mason passa a buscar informações entre representantes do governo, agentes secretos e forças estrangeiras presentes no Líbano. Cada conversa abre uma possibilidade e fecha outra, enquanto o tempo de Cal diminui.

Palavras cercadas por armas

Embora seja classificado como ação e suspense, “Beirute” encontra sua maior força nas conversas. Mason não avança por ser mais forte ou melhor armado. Ele progride porque percebe hesitações, faz perguntas incômodas e oferece alternativas quando os demais enxergam apenas ordens e ameaças.

Isso não significa ausência de violência. Atentados, perseguições, tiroteios e barreiras militares mantêm a cidade sob pressão. Brad Anderson, porém, usa essas situações para limitar o tempo e os caminhos disponíveis ao protagonista. Uma rua bloqueada pode impedir um encontro. Uma informação escondida pode custar a vida do refém. Um superior interessado em proteger a própria carreira pode ser tão perigoso quanto um homem armado.

Jon Hamm sustenta bem essa mistura de suspense político e drama pessoal. Seu Mason não volta ao Líbano transformado em herói de ação. Continua sendo um homem abalado, dependente do álcool e carregado por uma culpa que prefere esconder sob comentários secos. Sua inteligência reaparece quando precisa defender Cal, mas cada passo também o aproxima das lembranças de Nadia e Karim.

O roteiro acerta ao colocar Mason e Sandy numa parceria baseada em necessidade e desconfiança. Eles não possuem tempo para construir uma amizade tranquila. Precisam descobrir quais dados foram omitidos, quem controla o homem procurado pelos sequestradores e quais recursos ainda podem ser usados. A tensão cresce porque nenhum dos dois dispõe de autoridade suficiente para agir livremente.

Um suspense político eficiente

“Beirute” oferece um suspense adulto, interessado nos bastidores da diplomacia e nos custos das interferências estrangeiras. A trama exige atenção aos nomes, às funções e às informações escondidas, mas permanece acessível porque o objetivo central nunca desaparece. Mason precisa encontrar uma maneira de libertar Cal antes que o prazo imposto pelos sequestradores termine.

Há uma limitação importante na escolha do ponto de vista. O Líbano surge principalmente pelos olhos de funcionários norte-americanos, enquanto vários personagens locais recebem pouco espaço. A Guerra Civil Libanesa foi marcada por divisões religiosas, políticas e territoriais muito mais complexas do que o roteiro consegue apresentar. A cidade corre o risco de virar apenas um cenário perigoso para a crise de um estrangeiro.

Ainda assim, Brad Anderson preserva a humanidade do drama ao ligar o resgate à relação interrompida entre Mason e Karim. O reencontro dos dois carrega afeto antigo, culpa, perda e posições agora incompatíveis. Nenhum deles atravessou aqueles dez anos sem marcas, e Cal virou a peça que obriga ambos a voltarem à mesma conversa.

Mason retorna à cidade pensando que cumprirá uma missão curta, mas encontra uma disputa cercada por segredos, lealdades frágeis e autoridades preocupadas em salvar a própria pele. Para retirar Cal do cativeiro, ele terá de recuperar a habilidade que a tragédia quase lhe tomou e agir antes que a última possibilidade de acordo desapareça.


Filme: Beirute
Diretor: Brad Anderson
Ano: 2018
Gênero: Ação/Aventura/Crime/Drama/Mistério/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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