Ambientado entre Londres, Madri, Cannes e a Turquia, “Esquema de Risco: Operação Fortune” acompanha Orson Fortune (Jason Statham), agente convocado pelo operador britânico Nathan Jasmine (Cary Elwes) para recuperar uma tecnologia roubada antes que o bilionário Greg Simmonds (Hugh Grant) consiga vendê-la a compradores capazes de ameaçar a segurança mundial.
A missão começa quando uma carga valiosa desaparece de uma instalação protegida. O objeto, conhecido apenas pelo codinome Handle, possui enorme valor comercial, embora seus verdadeiros recursos ainda sejam desconhecidos. O governo britânico acredita que Greg Simmonds esteja responsável por intermediar a venda e encarrega Nathan Jasmine de formar uma equipe capaz de recuperar a mercadoria.
Nathan procura Orson Fortune, um espião competente, caro e pouco disposto a obedecer sem reclamar. Ele possui hábitos luxuosos, exige liberdade para trabalhar e prefere resolver certos problemas com os próprios punhos. Jason Statham interpreta o personagem com a expressão serena de quem poderia atravessar uma festa elegante ou derrubar três seguranças sem alterar muito o humor.
Orson recebe o apoio de Sarah Fidel (Aubrey Plaza), especialista em tecnologia e comunicação, e de JJ Davies (Bugzy Malone), atirador responsável pela proteção do grupo. As funções são bem definidas. Sarah invade aparelhos e acompanha os alvos pelas telas, JJ vigia os arredores e Orson entra nos lugares onde ninguém deseja vê-lo. A cooperação sofre ruídos porque Fortune está habituado a mandar, enquanto Sarah não demonstra paciência para suas exigências.
A primeira pista leva os agentes a Madri, onde um portador transporta informações ligadas ao Handle. A tentativa de interceptação sofre a interferência de Mike (Peter Ferdinando), chefe de outro grupo contratado para procurar a mesma carga. A presença de dois times agindo com ordens parecidas transforma a missão numa disputa confusa, marcada por perseguições, vigilância e interesses pouco transparentes. O início reúne muitos nomes e instruções, exigindo atenção maior do que essa aventura leve parecia pedir.
Hollywood entra na operação
A missão muda de tom quando os agentes descobrem a admiração de Greg Simmonds por Danny Francesco (Josh Hartnett), uma estrela de Hollywood conhecida por seus papéis de ação. O bilionário coleciona lembranças relacionadas ao ator e deseja conhecê-lo. Nathan decide aproveitar essa devoção para aproximar Fortune do suspeito, mesmo que Danny não tenha qualquer experiência fora de um estúdio protegido.
O astro aceita participar após ser pressionado pela equipe. Danny está acostumado a interpretar homens corajosos, mas demonstra bem menos segurança quando percebe que os criminosos ao redor carregam armas verdadeiras. Josh Hartnett trata o personagem com uma mistura agradável de vaidade, nervosismo e boa vontade. O ator fictício sabe representar confiança diante das câmeras, porém precisa aprender a manter o papel quando não existe equipe técnica pronta para interromper a cena.
Sarah assume a identidade de Michaela, namorada de Danny, enquanto Orson se apresenta como empresário do astro. Os dois precisam sustentar personagens discretos para que Simmonds permaneça interessado. Danny, por sua vez, recebe a tarefa mais ingrata. Ele deve conquistar a confiança do admirador sem revelar que todas as conversas estão sendo usadas para localizar a carga.
Essa passagem oferece a parte mais divertida da história. Sarah controla a situação com ironia, Fortune mantém a postura de homem que considera qualquer recepção social uma perda de tempo e Danny tenta aparentar tranquilidade. A comédia nasce do medo bastante razoável do ator. Ele descobre que encenar uma perseguição para o cinema é bem diferente de frequentar uma festa cercada por traficantes de armas.
Cannes abre a porta da Turquia
O encontro com Simmonds ocorre durante uma gala beneficente em Cannes. Danny oferece fama e conversa, Sarah observa os aparelhos dos convidados e Orson circula perto dos homens responsáveis pela segurança. O plano depende da vaidade do bilionário, que recebe o astro com entusiasmo e deseja prolongar a visita.
Hugh Grant interpreta Greg Simmonds com uma simpatia calculada. O personagem fala com delicadeza, exibe riqueza e trata pessoas perigosas com a cordialidade de um anfitrião oferecendo sobremesa. Grant transforma o vilão na figura mais curiosa do longa. Simmonds parece encantado com Danny, mas continua sendo um comerciante capaz de colocar uma arma devastadora nas mãos de quem pagar mais.
A aproximação rende um convite para a propriedade de Simmonds em Antalya, na Turquia. O grupo passa a dispor de uma entrada que nenhum distintivo conseguiria garantir. Danny precisa manter o fascínio do anfitrião, enquanto Sarah procura informações nos sistemas da casa e Fortune circula por áreas restritas. Cada funcionário, câmera ou pergunta inesperada pode revelar a identidade dos visitantes.
Guy Ritchie alterna as conversas entre Danny e Simmonds com o trabalho de Sarah e as incursões de Fortune. Os cortes mostram parte das informações e preservam outras, mantendo o público próximo dos agentes. Alguns diálogos ainda carregam nomes demais, sobretudo quando novos compradores e intermediários entram na história. Mesmo assim, a trama ganha ritmo quando abandona as instruções de escritório e coloca os personagens dentro da propriedade.
O elenco sustenta a missão
Statham permanece no território que domina. Orson é econômico nas palavras, seguro durante as lutas e discretamente irritado sempre que alguém questiona seus gastos. O personagem não oferece grande novidade ao repertório do ator, mas combina com a proposta descontraída de “Esquema de Risco: Operação Fortune”. Sua seriedade deixa espaço para que os demais assumam a parte cômica.
Aubrey Plaza leva sarcasmo a Sarah Fidel, embora a personagem receba poucas informações pessoais. Bugzy Malone cumpre com eficiência a função de parceiro confiável. Cary Elwes incorpora a elegância impaciente de Nathan Jasmine, preso entre as cobranças do governo e os hábitos caros de Fortune. Josh Hartnett se diverte com a fragilidade de Danny, enquanto Hugh Grant domina as cenas nas quais Simmonds mistura admiração, dinheiro e ameaça.
A aventura não possui a criatividade dos melhores trabalhos de Guy Ritchie e apresenta adversários pouco desenvolvidos. As cenas de ação são organizadas, mas a força do longa está nas identidades falsas, nas provocações entre os agentes e no desconforto de Danny diante de criminosos que conhecia apenas pelos roteiros.
“Esquema de Risco: Operação Fortune” entrega uma espionagem leve, movimentada e consciente do absurdo de sua própria missão. O roteiro poderia oferecer mais substância a Sarah e JJ, além de tornar a ameaça mais assustadora. Ainda assim, o elenco mantém o interesse enquanto Danny distrai Simmonds e Fortune procura alcançar o Handle antes que a venda seja concluída.

