O amor é um desafio sem fim, sentimento que se realiza em si mesmo, que principia e se encerra em torno de seu próprio eixo para reestruturar-se pouco depois, alimentando-se de suas próprias ilusões. O homem tem que ir ao mais fundo de sua alma a fim de entender esse universo nebuloso e, assim, ter algum domínio de sua jornada, calculando os passos sem esmorecer diante das muitas frustrações. Tão inexato é o amor que substâncias diversas apossam-se de sua verdadeira constituição e transfiguram-no num outro material, bem mais dinâmico, capaz de resistir a pressões inéditas. Brincando com essas noções de amor e acaso, “Acorda, Leonard” é como um mosaico, em que cada peça, por insignificante que pareça, importa depois de tudo reunido num todo só. Kat Mills Martin junta cada um dos incontáveis elementos dessa história de modo a levar o espectador pelos meandros de uma relação que se recusa a acabar. E isso também é triste.
Inércia e estímulo
Muitas vezes, grandes problemas podem ser resolvidos com pequenos gestos, ainda que ninguém garanta que novas questões e ainda mais absorventes não venham a surgir pelo caminho. Martin e os corroteiristas Nigel DeFriez e Kira Pearson misturam a realidade com uma boa dose de onirismo para mostrar a instabilidade de Leonard, perseguido por fracassos amorosos e de outras naturezas. Não por acaso o próprio DeFriez encarna o protagonista, que antes de deixar-se balançar de novo pelo ex-namorado, ouve os conselhos de Orla, a irmã abelhuda vivida por Pearson. Eles é que mantêm a história quente e o público desperto.

