A velhice não extingue a vaidade, a maledicência ou a vontade de controlar a mesa do almoço. Apenas troca os corredores da escola por salões de bridge, apartamentos com barras de apoio e reuniões em que cada lugar tem dono, embora ninguém admita. “Queen Bees” leva essa hierarquia juvenil para Pine Grove, uma comunidade residencial de idosos onde um grupo de mulheres governa a vida social com a mesma ferocidade das adolescentes populares de uma comédia colegial. Michael Lembeck dispõe de Ellen Burstyn, James Caan, Ann-Margret, Jane Curtin, Loretta Devine e Christopher Lloyd, elenco capaz de conferir alguma vivacidade até a piadas que chegam à tela já cansadas.
Helen Wilson vive sozinha, preserva sua rotina e rejeita qualquer sugestão de que precise ser cuidada. Depois de se trancar do lado de fora enquanto um incêndio destrói parte da cozinha, ela aceita permanecer em Pine Grove até que a casa seja reformada. Ellen Burstyn apresenta a personagem como uma mulher cuja independência endureceu, misturando lucidez, mau humor e o medo muito concreto de que uma estadia temporária se transforme na abdicação definitiva de sua autonomia. Laura, a filha vivida por Elizabeth Mitchell, insiste na mudança por preocupação e conveniência, e o roteiro de Donald Martin deixa no ar a suspeita de que filhos adultos nem sempre distinguem proteção de gerenciamento.
Pine Grove recebe Helen com atividades, regras e uma camarilha comandada por Janet, a personagem de Jane Curtin. Ann-Margret e Loretta Devine completam o grupo, levando para as mesas de cartas personalidades distintas. Curtin dispara comentários ácidos com prazer quase científico; Devine suaviza a hostilidade geral; Ann-Margret conserva o magnetismo de quem conhece a ribalta e não pretende desaparecer porque o calendário avançou. Christopher Lloyd surge como Arthur, um dos poucos homens disponíveis naquele pequeno mercado afetivo, dando ao ridículo uma melancolia que o filme nem sempre percebe. São atores veteranos brincando com a própria imagem, e Lembeck tem juízo suficiente para deixá-los ocupar a cena.
James Caan muda o jogo em Pine Grove
Dan, vivido por James Caan, aproxima-se de Helen sem a ansiedade dos pretendentes de vinte anos e introduz no longa uma história de amor que depende de companhia, confiança e algum vigor ainda disponível. Caan abandona a truculência que marcou tantos de seus personagens e compõe um homem gentil, atento ao modo como Helen recua sempre que a convivência ameaça tornar-se importante. A afinidade dos dois salva o romance dos excessos açucarados do roteiro. Burstyn não transforma Helen numa senhora repentinamente dócil; Caan não faz de Dan um salvador tardio. Eles parecem duas pessoas que já enterraram parceiros, suportaram filhos e aprenderam que o encanto não dispensa cautela.
O problema está na insistência em reproduzir a comédia escolar dentro de uma residência para idosos. Há panelinhas, exclusões, armações e um baile que oferece aos personagens a oportunidade de vestir-se como se a juventude pudesse ser recuperada por algumas horas. A fórmula produz momentos divertidos, especialmente quando Curtin entra em ação, conquanto reduza questões concretas — solidão, doença, perda de autonomia e medo da morte — a obstáculos administráveis antes do desfecho romântico. O filme toca em demência, câncer e viuvez com delicadeza, logo muda de assunto para não comprometer a leveza. O roteiro recebeu indicação ao Humanitas Prize, prêmio voltado a histórias de alcance humano, reconhecimento coerente com suas boas intenções e igualmente revelador de sua mansidão.
“Queen Bees” sabe que seu patrimônio está no elenco e entrega a essas figuras o que pode. Burstyn sustenta a dignidade de Helen, Caan encontra doçura sem perder o peso da presença, e Ann-Margret, Curtin, Devine e Lloyd transformam coadjuvantes previsíveis em criaturas reconhecíveis. Lembeck filma a velhice como uma continuação algo pândega das mesmas disputas que começam no recreio. Mudam as articulações, os remédios e a hora de dormir; a vontade de sentar-se à mesa principal continua intacta.

