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Em 2024, no planeta desértico Arrakis, Paul Atreides tenta sobreviver ao massacre de sua família enquanto se aproxima dos Fremen para enfrentar os Harkonnen.

“Duna: Parte Dois”, dirigido por Denis Villeneuve, retoma a história pouco depois da queda da Casa Atreides. Paul Atreides, interpretado por Timothée Chalamet, e sua mãe, Lady Jessica, vivida por Rebecca Ferguson, estão refugiados entre os Fremen, povo que conhece cada perigo do deserto. Os dois precisam conquistar a confiança do grupo enquanto o barão Vladimir Harkonnen, papel de Stellan Skarsgård, mantém o controle da produção de especiaria, substância valiosa que sustenta viagens espaciais e boa parte da economia imperial.

Paul carrega a culpa pela morte do pai, o duque Leto Atreides, e deseja punir os responsáveis pela destruição de sua casa. A vingança, porém, vem acompanhada de um problema maior. O jovem tem visões de uma guerra religiosa travada em seu nome. Quanto mais seu prestígio cresce entre os Fremen, maior fica o risco de ele ajudar a criar o futuro que deseja impedir.

Paul aprende a viver no deserto

A entrada de Paul na comunidade Fremen não acontece apenas porque ele é filho de um duque assassinado. Para ser aceito, precisa aprender a caminhar sobre a areia sem atrair vermes gigantes, economizar água e lutar ao lado de pessoas que passaram a vida enfrentando os invasores de Arrakis. Chani, interpretada por Zendaya, acompanha esse aprendizado e não demonstra paciência infinita com o recém-chegado.

A relação entre os dois cresce durante as missões contra as máquinas Harkonnen usadas na coleta de especiaria. Chani vê Paul como um possível aliado, mas desconfia das histórias religiosas que circulam entre parte dos Fremen. Ela teme que seu povo substitua a própria liberdade pela obediência a um líder estrangeiro. Paul, por sua vez, tenta provar que deseja lutar ao lado deles, embora saiba que seu sobrenome e suas habilidades lhe oferecem uma vantagem que nenhum outro refugiado teria.

Stilgar, interpretado por Javier Bardem, acredita que Paul pode ser o messias anunciado por antigas profecias. Quase tudo o que o rapaz faz ganha uma leitura sagrada aos olhos do líder Fremen. Paul atravessa o deserto e Stilgar vê um sinal. Paul vence uma prova e Stilgar praticamente espera que o céu confirme a papelada. A devoção provoca certo alívio cômico, mas também revela o perigo de uma comunidade cansada de esperar por liberdade.

Jessica ganha influência entre os Fremen

Lady Jessica também precisa assegurar seu lugar no grupo. Treinada pelas Bene Gesserit, ordem formada por mulheres com grande poder político e controle físico, ela conhece técnicas capazes de influenciar decisões e comportamentos. Sua experiência oferece proteção, mas desperta reservas entre aqueles que temem a presença de forasteiros.

Rebecca Ferguson interpreta Jessica com uma mistura de firmeza e inquietação. A personagem quer proteger Paul, porém também aceita fortalecer as crenças que podem transformá-lo em líder religioso. O gesto abre portas dentro da comunidade e oferece aliados, embora pressione o filho a seguir um caminho que ele observa com receio.

Essa diferença entre mãe e filho dá peso ao drama. Jessica vê a profecia como ferramenta de sobrevivência e poder. Paul percebe nela uma ameaça que pode escapar de seu controle. Ele deseja derrotar os Harkonnen, mas não quer provocar uma guerra espalhada por outros planetas. O problema é que sua popularidade cresce justamente quando os ataques dos Fremen começam a prejudicar os negócios do inimigo.

Os Harkonnen respondem com violência

Enquanto Paul ganha espaço no deserto, a família Harkonnen enfrenta dificuldades para manter a produção de especiaria. Glossu Rabban, vivido por Dave Bautista, recebe a tarefa de sufocar a resistência, mas sua brutalidade não resolve o problema. Ele destrói, ameaça e pune, embora continue perdendo equipamentos e soldados.

O barão Vladimir Harkonnen passa então a apostar em Feyd-Rautha, interpretado por Austin Butler. O personagem surge como um guerreiro cruel, disciplinado e disposto a transformar qualquer disputa em espetáculo. Sua presença cria um adversário mais perigoso para Paul, pois Feyd combina força física, ambição e apoio político.

Austin Butler abandona o charme habitual e constrói uma figura inquietante, com aparência quase inumana. Feyd não precisa de grandes discursos para assustar. Basta observar a satisfação com que encara a violência. Denis Villeneuve reserva tempo para apresentar esse novo herdeiro e mostrar por que ele representa uma alternativa ao fracasso de Rabban.

O amor esbarra na política

Chani se torna a ligação mais forte de Paul com a vida real entre os Fremen. Ela o ensina, combate ao seu lado e questiona decisões que outros aceitam com devoção. Zendaya oferece à personagem uma presença firme, sem transformá-la apenas em interesse amoroso do protagonista. Chani possui opinião própria e sabe que as promessas de libertação costumam vir acompanhadas de alguém interessado em ocupar o comando.

Paul deseja permanecer ao lado dela, mas suas visões e responsabilidades tornam esse vínculo cada vez mais difícil. Quanto mais ele avança na guerra contra os Harkonnen, mais precisa lidar com líderes religiosos, alianças familiares e exigências do império. O romance sofre porque nenhum dos dois pode separar o sentimento das decisões políticas ao redor.

Timothée Chalamet trabalha essa mudança sem abandonar a vulnerabilidade do personagem. Paul ainda parece jovem diante das forças que disputam seu futuro, embora passe a agir com maior segurança durante as batalhas. Sua transformação ocorre diante de Chani, que reconhece a coragem do companheiro, mas também percebe o homem poderoso que começa a surgir.

Villeneuve preserva a dimensão humana

“Duna: Parte Dois” possui batalhas enormes, vermes gigantes, aeronaves, exércitos e cidades erguidas sobre areia. Mesmo assim, os melhores trechos permanecem ligados às escolhas dos personagens. Denis Villeneuve usa a escala para mostrar o tamanho da disputa, mas mantém o interesse nas relações que podem mudar o destino de Arrakis.

A fotografia de Greig Fraser transforma o deserto em território belo e hostil. O planeta oferece esconderijo aos Fremen, porém cobra disciplina de todos que tentam atravessá-lo. Já o som de Hans Zimmer e da equipe responsável pela montagem sonora dá peso aos veículos, às criaturas e aos ataques, sem fazer das cenas uma sequência barulhenta sem orientação.

A duração superior a duas horas e meia exige atenção, sobretudo porque a história envolve famílias, profecias, grupos religiosos e interesses econômicos. Villeneuve organiza essas informações sem abandonar o movimento do enredo. Cada nova aliança oferece alguma vantagem, mas também cria uma dívida ou ameaça.

“Duna: Parte Dois” melhora vários elementos apresentados no primeiro longa. Paul deixa de ser apenas o herdeiro perseguido e passa a enfrentar o custo de se tornar símbolo para milhares de pessoas. Chani ganha importância política e emocional. Jessica assume uma função mais arriscada. Os Harkonnen recebem um representante capaz de disputar atenção com os protagonistas.

A ficção científica é grandiosa, mas sustentada por personagens que precisam escolher entre afeto, sobrevivência e poder. Paul entra no deserto buscando vingança e abrigo. À medida que os Fremen passam a acreditar nele, sua maior dificuldade deixa de ser conquistar um exército. O desafio passa a ser decidir o que fará quando esse exército estiver disposto a seguir cada uma de suas ordens.


Filme: Duna Parte 2
Diretor: Denis Villeneuve
Ano: 2024
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Ficção Científica
Avaliação: 4.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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