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Em 2025, a jovem americana Anna De La Vega (Sofia Carson) deixa Nova York para estudar literatura na Universidade de Oxford, na Inglaterra, antes de assumir um emprego no mercado financeiro. A mudança realiza um sonho antigo, mas também possui prazo para terminar. Anna pretende passar apenas um ano no país, concluir o curso e voltar aos Estados Unidos. Seus planos começam a perder firmeza quando ela conhece Jamie Davenport (Corey Mylchreest), um britânico sedutor que leciona em Oxford e esconde uma parte delicada de sua vida.

Dirigido por Iain Morris, “Meu Ano em Oxford” adapta o romance de Julia Whelan e segue uma fórmula conhecida dos romances contemporâneos. Uma mulher organizada viaja para outro país, conhece um homem espirituoso e descobre que sentimentos costumam ignorar agendas. A produção aposta no charme das ruas antigas, nos prédios históricos e na química de seus protagonistas, mas também procura dar algum peso às escolhas feitas por Anna durante aquele período.

Um sonho com data marcada

Anna não chega a Oxford perdida ou fugindo de uma crise. Ela sabe onde deseja estar e por quanto tempo ficará. Depois de adiar uma vaga profissional em Nova York, a jovem reserva doze meses para estudar poesia vitoriana, caminhar pelos corredores da universidade e viver uma experiência que imaginava desde criança.

A primeira surpresa surge antes mesmo de ela se adaptar à cidade. Jamie passa com o carro por uma poça e molha Anna, criando uma apresentação pouco elegante. O encontro poderia acabar ali, mas os dois voltam a se cruzar numa lanchonete. Pouco depois, ela descobre que o desconhecido inconveniente também é um dos responsáveis por suas aulas.

A situação oferece ao filme uma sequência leve de provocações. Anna se recusa a aceitar a arrogância de Jamie, enquanto ele parece se divertir com a irritação dela. Sofia Carson sustenta bem essa firmeza. Sua personagem não abandona a inteligência para permitir que o romance aconteça, algo que preserva parte de sua personalidade mesmo quando o roteiro escolhe caminhos previsíveis.

Corey Mylchreest interpreta Jamie com o tipo de carisma exigido pelo papel. Ele é culto, irônico e sabe usar a poesia tanto para ensinar quanto para seduzir. Essa combinação pode soar calculada demais, mas o ator mantém uma espontaneidade agradável. Quando Anna e Jamie começam a passar mais tempo juntos, a aproximação nasce principalmente das conversas e da curiosidade que um desperta no outro.

Amigos quebram a solenidade

A experiência de Anna em Oxford também passa pelos colegas Charlie Butler (Harry Trevaldwyn) e Maggie Timbs (Esmé Kingdom). Os dois ajudam a americana a conhecer uma Inglaterra menos cerimoniosa do que aquela vendida pelos cartões-postais. Há pubs, encontros desajeitados, refeições de madrugada e costumes que deixam Anna sem saber se deve participar ou apenas observar.

Charlie recebe algumas das falas mais divertidas e funciona como companhia para os períodos em que a protagonista está distante de Jamie. Maggie também ajuda a inserir Anna na rotina estudantil. O roteiro poderia oferecer maior profundidade aos dois, que muitas vezes permanecem ao redor do casal principal, mas a presença deles impede que Oxford pareça habitada apenas pelos enamorados.

A direção usa essas relações para deixar a história mais leve, especialmente durante a primeira metade. As situações constrangedoras e as diferenças culturais criam graça sem transformar Anna numa caricatura de americana deslumbrada. Ela erra, se irrita e responde. Essa postura torna a personagem mais interessante do que a simples jovem estrangeira que chega à Europa para descobrir a vida.

O romance ocupa o calendário

Anna e Jamie decidem viver a relação sem promessas extensas. Ela possui uma data para voltar aos Estados Unidos, enquanto ele demonstra pouca disposição para falar sobre o futuro. O acordo parece conveniente aos dois. Anna preserva a vaga em Nova York, Jamie mantém sua independência e nenhum deles precisa explicar o que acontecerá quando o curso terminar.

A proposta, evidentemente, começa a ficar frágil quando a convivência cresce. O que deveria ser passageiro passa a ocupar mais horas, mais pensamentos e mais espaço nas decisões da protagonista. Anna ainda deseja concluir o curso e retomar sua carreira, mas Oxford deixa de ser apenas uma etapa acadêmica. A cidade passa a estar ligada a Jamie, aos amigos e a uma versão dela própria que não existia antes da viagem.

Essa parte de “Meu Ano em Oxford” é eficiente porque Sofia Carson e Corey Mylchreest possuem boa sintonia. Os dois funcionam melhor quando discutem literatura, trocam provocações ou tentam esconder o interesse mútuo. Em algumas passagens, as falas parecem polidas demais para pessoas envolvidas num relacionamento confuso. Ainda assim, os atores preservam uma ternura que sustenta as cenas mais sentimentais.

A família revela outra realidade

O romance ganha maior peso quando Anna conhece William Davenport (Dougray Scott), pai de Jamie. A entrada no universo da família apresenta diferenças que até então estavam escondidas pelo ambiente universitário. Jamie pertence a uma família britânica rica e tradicional, cercada por regras, expectativas e assuntos que raramente são ditos por inteiro.

Dougray Scott oferece contenção ao personagem. William não precisa levantar a voz para demonstrar autoridade. Seu comportamento indica que Anna entrou num espaço onde os códigos já existiam muito antes de sua chegada. Ela precisa observar, fazer perguntas e descobrir por que Jamie mantém tanta distância de determinados temas.

O roteiro menciona a origem mais simples de Anna, filha de uma mulher que continua trabalhando muitas horas nos Estados Unidos, mas poderia aproveitar melhor esse contraste. A diferença econômica entre ela e os Davenport aparece, embora quase nunca ameace de verdade a relação. A beleza das casas, dos jardins e dos prédios históricos também suaviza conflitos que mereciam certa aspereza.

Um segredo muda o peso da escolha

Jamie guarda uma informação que interfere na forma pela qual Anna enxerga o relacionamento. Quando ela percebe que desconhecia uma parte importante da vida dele, o romance deixa de depender apenas da distância entre Inglaterra e Estados Unidos. O tempo que restava em Oxford adquire outro significado, e decisões antes profissionais passam a envolver responsabilidade afetiva.

A revelação não transforma “Meu Ano em Oxford” num suspense. O interesse está na maneira pela qual Anna reage ao perceber que Jamie escolheu manter o assunto fora das conversas. Ela deseja participar das decisões que também interferem em sua vida, enquanto ele tenta conservar o controle sobre aquilo que pode ou não compartilhar.

Iain Morris mantém a história próxima do ponto de vista de Anna. O público descobre muitas informações junto com ela, o que favorece a identificação com a personagem. Ao mesmo tempo, a produção preserva um acabamento tão bonito que até os períodos dolorosos parecem cuidadosamente iluminados. Oxford permanece encantadora mesmo quando seus personagens atravessam situações que pediam alguma desordem.

Entre o amor e a vida planejada

“Meu Ano em Oxford” utiliza elementos familiares dos romances ambientados na Europa. Há uma protagonista estrangeira, um britânico charmoso, uma universidade centenária, poesia e paisagens feitas para despertar vontade de comprar uma passagem. O filme conhece esse apelo e não demonstra vergonha de usá-lo.

A produção perde força quando simplifica questões importantes, principalmente a relação acadêmica entre Anna e Jamie, as diferenças econômicas e as consequências profissionais de suas decisões. Esses assuntos são apresentados, mas raramente recebem espaço suficiente para criar maior desconforto. O roteiro prefere manter a ternura e a elegância, mesmo quando poderia provocar seus personagens com maior firmeza.

Ainda assim, Sofia Carson dá humanidade a Anna e impede que a personagem seja definida apenas pelo romance. Corey Mylchreest faz de Jamie alguém sedutor, mas também vulnerável. Dougray Scott acrescenta gravidade à história familiar, enquanto Harry Trevaldwyn e Esmé Kingdom oferecem leveza à rotina universitária.

“Meu Ano em Oxford” entrega uma história romântica sensível, agradável e assumidamente emotiva. O enredo fala sobre escolhas feitas quando amor, trabalho e tempo passam a disputar a mesma pessoa. Anna chega à Inglaterra acreditando que pode controlar cada etapa de sua vida. Ao longo daquele ano, ela descobre que alguns planos continuam existindo, embora já não tenham a mesma importância.


Filme: Meu Ano em Oxford
Diretor: Iain Morris
Ano: 2025
Gênero: Drama/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
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