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Poucas semanas depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, doze soldados das Forças Especiais norte-americanas são enviados ao norte do Afeganistão para apoiar combatentes locais contra o Talibã. Liderado pelo capitão Mitch Nelson, interpretado por Chris Hemsworth, o grupo atravessa montanhas, depende de cavalos e precisa conquistar a confiança de um general afegão para cumprir uma missão cercada por dúvidas, pouco tempo e enorme risco.

Dirigido por Nicolai Fuglsig, “12 Heróis” parte de uma história real para acompanhar uma das primeiras equipes militares dos Estados Unidos enviadas ao Afeganistão após o atentado. O longa combina ação, drama de guerra e suspense, mas sua parte mais interessante surge antes dos grandes combates. Nelson precisa convencer os superiores de que pode liderar novamente a equipe, mesmo depois de ter aceitado uma função burocrática para permanecer mais perto da família.

O capitão assiste pela televisão aos ataques contra Nova York e Washington e decide voltar ao serviço de campo. Sua escolha preocupa Jean Nelson, vivida por Elsa Pataky, que recebe a notícia enquanto ainda tenta compreender o tamanho da tragédia. O roteiro não transforma a esposa em mero apoio emocional. Ela sabe que o marido pode partir e talvez não volte, embora ninguém consiga explicar com precisão o que o aguarda do outro lado do mundo.

Do escritório para a guerra

Nelson procura o coronel Mulholland, interpretado por William Fichtner, e pede o comando de sua antiga unidade. O oficial hesita porque o capitão passou algum tempo afastado das missões e nunca participou de uma guerra. Hal Spencer, vivido por Michael Shannon, defende o companheiro e afirma que os homens confiam nele. A equipe permanece reunida, mas a autorização traz uma responsabilidade maior do que qualquer discurso patriótico consegue disfarçar.

Entre os soldados está Sam Diller, personagem de Michael Peña, responsável por parte do levantamento de informações no terreno. Diller recebe menos desenvolvimento do que deveria, assim como vários integrantes do grupo, mas Peña aproveita pequenas conversas para dar personalidade ao militar. Algumas reações aos cavalos e às condições precárias quebram a rigidez da missão sem transformar o campo de batalha em palco para piadas fora de lugar.

Os doze embarcam com mapas, armas, rádios e apoio aéreo. Ainda assim, quase tudo depende de pessoas que eles nunca viram. Depois de um voo perigoso pelas montanhas, a equipe chega ao norte do Afeganistão e conhece o general Abdul Rashid Dostum, interpretado por Navid Negahban. Comandante da Aliança do Norte, Dostum possui homens, cavalos e conhecimento do território. Nelson possui aviões e poder de fogo. Um precisa do outro, embora nenhum esteja disposto a entregar confiança tão cedo.

Uma aliança cercada por desconfiança

A relação entre Nelson e Dostum sustenta boa parte da história. O capitão norte-americano pretende atacar posições do Talibã antes que o inverno dificulte a operação. O general afegão conhece os caminhos, os costumes e os perigos de cada região. Dostum também carrega perdas pessoais e não aceita receber ordens de alguém que acabou de desembarcar no país.

Navid Negahban interpreta o general com firmeza, sem transformá-lo num ajudante obediente dos protagonistas. Dostum questiona Nelson, interrompe avanços e lembra que aquela guerra existia muito antes da chegada dos Estados Unidos. Chris Hemsworth oferece ao capitão uma combinação eficiente de segurança e inexperiência. Ele fala com autoridade diante dos soldados, mas precisa aprender a ouvir quem conhece o terreno melhor do que ele.

A missão exige que parte da equipe avance a cavalo pelas montanhas. Para soldados treinados com equipamentos modernos, a solução parece saída de outra época. Muitos mal sabem montar e precisam permanecer sobre os animais enquanto carregam armas, rádios e coletes pesados. A situação rende instantes leves, sobretudo quando homens preparados para enfrentar o Talibã descobrem que controlar um cavalo pode ser um desafio bem menos elegante do que os treinamentos militares sugeriam.

Bombas guiadas entre montanhas

Os soldados identificam posições inimigas e enviam coordenadas para os aviões norte-americanos. Cada informação precisa estar correta, pois um erro pode atingir aliados ou destruir a pouca confiança construída com Dostum. O grupo também depende dos rádios, do clima e da disponibilidade das aeronaves. Os homens possuem tecnologia superior, mas continuam vulneráveis quando o sinal falha ou o apoio demora a chegar.

Nicolai Fuglsig organiza as batalhas com boa noção de espaço. O espectador consegue acompanhar onde estão os combatentes, de qual direção surgem os tiros e por que determinado avanço se torna perigoso. A câmera permanece próxima dos soldados durante os momentos mais tensos e depois revela a dimensão das montanhas. O contraste reforça o isolamento do grupo, que está longe das bases norte-americanas e possui poucas opções caso algo dê errado.

Mullah Razzan, interpretado por Numan Acar, representa a principal liderança do Talibã enfrentada pelos aliados. O personagem é apresentado com brutalidade e pouca nuance. Essa escolha facilita a divisão entre mocinhos e vilões, porém empobrece uma guerra marcada por alianças locais, rivalidades antigas e interesses difíceis de resumir. Dostum recebe mais complexidade e mostra que a presença norte-americana não apaga os conflitos já existentes naquela região.

Michael Shannon oferece a Hal Spencer uma autoridade discreta. O personagem observa Nelson, apoia suas escolhas e permanece atento ao estado da equipe. Shannon transmite cansaço, coragem e preocupação sem precisar ocupar todas as cenas. Michael Peña também torna Sam Diller mais humano ao revelar um soldado capaz de manter alguma leveza mesmo cercado por montanhas, armas e um cavalo que provavelmente não recebeu qualquer treinamento para lidar com norte-americanos nervosos.

Ação eficiente e política simplificada

“12 Heróis” acompanha o esforço concreto da equipe. Os soldados precisam atravessar vales, localizar alvos, proteger os rádios e permanecer próximos dos combatentes de Dostum. A história perde o rumo quando exagera na exaltação militar ou resume o contexto político. A guerra do Afeganistão foi longa, dolorosa e cheia de contradições, enquanto o longa prefere concentrar sua atenção na coragem dos primeiros homens enviados ao país.

Essa escolha torna a narrativa acessível, mas deixa questões importantes fora do quadro. A parceria com Dostum, por exemplo, recebe tratamento respeitoso, embora o roteiro pouco examine as disputas políticas ligadas à Aliança do Norte. O filme também menciona a urgência da missão sem aprofundar o que os Estados Unidos pretendiam fazer depois das primeiras vitórias. O foco permanece nos doze soldados e na necessidade de completar a operação.

Mesmo com essas limitações, “12 Heróis” apresenta uma história de guerra envolvente e fácil de acompanhar. As sequências de ação possuem ritmo, o elenco mantém os personagens próximos do público e a relação entre Nelson e Dostum impede que o longa seja apenas uma coleção de tiros e bombardeios. O resultado combina entretenimento e drama humano, ainda que trate uma guerra complexa com menos profundidade do que ela exige.

Ao colocar soldados modernos sobre cavalos em meio às montanhas afegãs, Fuglsig encontra a imagem mais forte de “12 Heróis”. Aqueles homens chegam com aviões, satélites e armas avançadas, mas dependem de animais, guias locais e confiança pessoal para seguir viagem. A missão avança quando Nelson deixa de agir apenas como comandante norte-americano e passa a reconhecer a autoridade de Dostum sobre aquele território.


Filme: 12 Heróis
Diretor: Nicolai Fuglsig
Ano: 2018
Gênero: Ação/Drama/Guerra/História
Avaliação: 3.5/5 1 1
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