Quando somos obrigados a decidir sobre assuntos para muito além de nossas vidas, conflitos se alastram como fungos no pão. Mistérios que se impõem na hora de fazer escolhas importantes e o péssimo costume do homem de julgar-se o centro do universo são o fundamento de “Replicator”, trama em que Mark Andrew Hamer junta ficção científica a um terror com ritmo todo próprio. Filmes que, de uma forma ou de outra, tratam do homem, sua interação com o ambiente e as consequências mais deletérias do fenômeno já se tornaram o clichê por excelência do cinema, mas quando alguém atreve-se a sugerir um novo ponto de vista para velhas abordagens, sente-se abrir o portal para a quarta dimensão — mesmo que de lá saiam criaturas que nos querem engolir.
Ficção científica e a moral
Hamer e o corroteirista Russ Lindway recriam o mote apocalíptico, apostando em efeitos especiais que mitigam diálogos toscos. Estranhamento é uma ideia cara aos dois, e o público o reconhece. Essa simplicidade faz com que a história não resvale no tédio nunca, em que pese os atores só saírem de cena sob determinada condição, brincadeira macabra cuja força semântica funde morte e diversão. Contudo, nem sempre tudo é tão escrachado e Hamer faz questão de esclarecer que tem estilo, aquela maneira realmente única de se expressar. Isso resta inegável quando está nas mãos de uma anti-heroína de reputação duvidosa, repreendida até pelo pai bêbado e degenerado, livrar a Terra de uma legião de monstros que se reproduzem enchendo o papo de carne humana.

