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Lançado em 2016, dirigido por Antoine Fuqua e ambientado no Velho Oeste, “Sete Homens e um Destino” acompanha a luta dos moradores de Rose Creek para recuperar a própria cidade das mãos de Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard), um industrial cruel que transforma dinheiro em ameaça e posse em violência. Sem força política, sem proteção real e com medo de perder tudo, a população busca ajuda fora da lei. É aí que entram sete homens armados, cada um com seu passado, seu preço e suas próprias feridas.

O enredo começa quando Bogue chega a Rose Creek disposto a tomar terras, controlar a mina da região e calar quem tenta resistir. A brutalidade dele atinge de forma pessoal Emma Cullen (Haley Bennett), que vê sua vida virar poeira depois que o marido é morto. Ao lado de Teddy Q (Luke Grimes), ela parte em busca de alguém capaz de enfrentar o poder armado do industrial. Sua procura chega a Sam Chisolm (Denzel Washington), um caçador de recompensas reservado, experiente e pouco afeito a discursos bonitos. Ele ouve a proposta, pesa o perigo e aceita montar um grupo para defender a cidade.

Sete homens entram na missão

Chisolm reúne um time que parece menos uma tropa organizada e mais uma coleção de problemas ambulantes, o que, convenhamos, combina bastante com o tipo de missão. Joshua Faraday (Chris Pratt) é jogador, pistoleiro e falastrão profissional, daqueles que tratam o risco com charme até perceber que a conta pode chegar com chumbo. Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke) carrega fama de grande atirador, mas também sinais de desgaste emocional. Ao lado dele está Billy Rocks (Byung-hun Lee), silencioso, ágil e preciso com lâminas.

O grupo ainda ganha Jack Horne (Vincent D’Onofrio), um rastreador forte e excêntrico, Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo), fora da lei mexicano que aceita a missão por conveniência e sobrevivência, e Red Harvest (Martin Sensmeier), guerreiro com habilidades próprias e presença discreta. Juntos, eles formam uma defesa improvisada para Rose Creek. Nenhum deles chega ali por pureza absoluta. Uns querem dinheiro, outros querem fuga, alguns carregam dívidas antigas. Ainda assim, a causa da cidade acaba pesando mais do que o pagamento combinado.

Rose Creek aprende a reagir

A parte mais interessante de “Sete Homens e um Destino” está na preparação da cidade. Chisolm e seus companheiros sabem que Bogue voltará com homens armados e vantagem numérica. Por isso, Rose Creek precisa deixar de ser apenas um lugar ameaçado e passar a agir. Moradores comuns aprendem a atirar, levantar barreiras, vigiar entradas e ocupar pontos importantes. A igreja, as ruas, os telhados e os estábulos deixam de ser cenário de medo e viram espaços de defesa.

Antoine Fuqua trabalha essa passagem com bom senso de ritmo. A ação não nasce apenas dos tiros, mas da espera, da organização e da percepção de que cada morador terá alguma responsabilidade quando o ataque chegar. Emma Cullen ganha destaque porque não fica parada depois de pedir ajuda. Ela participa, cobra, mira e assume parte do risco. Haley Bennett dá à personagem uma firmeza que impede Emma de ser apenas a viúva em busca de vingança. Sua dor move a história, mas sua coragem sustenta boa parte dela.

Bogue compra medo e silêncio

Bartholomew Bogue é um vilão de terno, ambição e sorriso frio. Peter Sarsgaard interpreta o industrial sem grandes arroubos, o que torna sua presença ainda mais desagradável. Ele fala com a segurança de quem acredita que dinheiro compra terra, fé, trabalho e até a paciência dos mortos. Sua violência não aparece apenas nas armas de seus capangas, mas na forma como ele ocupa Rose Creek, esvazia a autoridade local e trata pessoas como obstáculos de mineração.

Essa oposição dá ao filme uma força simples e eficiente. De um lado, há uma cidade pequena tentando continuar existindo. Do outro, um empresário que enxerga tudo ao redor como propriedade. O roteiro não complica demais essa disputa, e isso ajuda a manter a narrativa acessível. O espectador compreende logo o que está em jogo. Há casas, famílias, uma igreja, uma mina e um grupo de moradores que precisa decidir se abandona tudo ou arrisca a vida para ficar.

Faroeste com carisma e pólvora

O elenco segura boa parte do prazer do filme. Denzel Washington faz de Chisolm um líder econômico nos gestos, sem precisar falar demais para impor presença. Chris Pratt injeta leveza em Faraday, criando um personagem que parece brincar com a morte até notar que ela não costuma ter senso de humor. Ethan Hawke dá a Goodnight um cansaço melancólico, enquanto Byung-hun Lee transforma Billy Rocks em uma figura de poucos movimentos e muita precisão. Vincent D’Onofrio, Manuel Garcia-Rulfo e Martin Sensmeier completam o grupo com tipos marcantes, mesmo quando o roteiro não oferece a todos o mesmo espaço.

“Sete Homens e um Destino” é uma refilmagem assumidamente popular, inspirada no clássico de 1960, que por sua vez dialogava com “Os Sete Samurais”, de Akira Kurosawa. Fuqua não tenta transformar o material em peça de museu. Ele prefere uma aventura de ritmo firme, com poeira, cavalos, tiros, frases espirituosas e heróis cheios de rachaduras. Há momentos previsíveis, e alguns personagens mereciam mais tempo em cena, mas o filme compensa essas faltas com energia, elenco afiado e uma noção muito limpa de causa e consequência.

A crítica maior talvez esteja na pressa com que algumas histórias pessoais surgem e desaparecem. O passado de Chisolm tem peso, Goodnight sugere conflitos internos, Vasquez e Red Harvest carregam mundos que o roteiro visita pouco. Mesmo assim, o filme mantém Rose Creek no centro da disputa. Cada decisão tomada pelos sete existe para defender aquele lugar, não apenas para enfeitar a fama dos pistoleiros. Quando a ameaça de Bogue cresce, o que está em jogo não é somente quem atira melhor, mas quem ainda tem direito de permanecer ali.

“Sete Homens e um Destino” entrega um faroeste sólido, acessível e mais humano do que sua embalagem de ação poderia sugerir. É um filme sobre homens violentos tentando usar sua habilidade para algo menos sujo do que o costume. Também é sobre uma mulher que se recusa a aceitar a derrota como herança. Entre um tiro e outro, Rose Creek deixa de ser apenas um ponto no mapa e passa a representar o preço de uma resistência possível, ainda que paga com medo, perdas e muita poeira nos pulmões.


Filme: Sete Homens e um Destino
Diretor: Antoine Fuqua
Ano: 2016
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Faroeste
Avaliação: 4/5 1 1
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