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Em “A Vida é Agora”, Vivien (Bella Thorne) é uma jovem disciplinada, inteligente e acostumada a tratar o futuro quase como uma prova de física. Ela vive entre estudos, metas acadêmicas e a expectativa de entrar em uma universidade importante, enquanto tenta manter sob controle uma vida que, no começo, parece bem organizada. Ao seu lado está Steve (Sebastiano Pigazzi), namorado e nadador competitivo, parte de um ambiente em que desempenho, rotina e aprovação social têm peso real.

O filme, lançado em 2021 e dirigido por Elisa Amoruso, se passa nesse momento delicado em que a juventude começa a cobrar escolhas mais adultas, mesmo quando ninguém está totalmente preparado para elas. Vivien quer garantir um lugar promissor para si. A família espera resultados. A escola exige dedicação. O namoro já ocupa uma posição conhecida. Tudo parece organizado demais para dar errado, o que, em cinema romântico, costuma ser o primeiro sinal de problema chegando de sapato limpo.

A vida de Vivien muda quando Roy (Benjamin Mascolo) entra em cena. Ele também é nadador, mas traz uma energia diferente daquela que cerca Steve. Roy aparece menos preso à ideia de perfeição e mais ligado ao desejo de viver o presente. Essa diferença mexe com Vivien porque ameaça aquilo que ela vinha construindo com tanto esforço. Não é apenas uma atração adolescente. É uma interferência concreta na forma como ela usa o tempo, escolhe prioridades e responde às pressões ao redor.

Roy e a bagunça do desejo

A aproximação entre Vivien e Roy não surge como uma grande ruptura declarada. Ela cresce em pequenos gestos, conversas e deslocamentos de atenção. Vivien começa a olhar para fora do próprio roteiro e percebe que talvez tenha confundido segurança com felicidade. Roy, por sua vez, não aparece como salvador encantado, desses que chegam prontos para resolver a vida de alguém com sorriso bonito e frases de efeito. Ele também carrega dúvidas, limitações e uma relação própria com expectativas.

A graça do filme está nesse atrito entre dois modos de existir. Vivien funciona melhor quando sabe qual será o próximo passo. Roy parece mais confortável quando o passo seguinte ainda não está desenhado. Entre os dois, Steve fica no lugar ingrato de quem representa a vida que já estava montada. Ele não precisa ser transformado em vilão para que o conflito exista. Sua presença basta para lembrar que escolhas afetivas raramente machucam apenas quem as toma.

Elisa Amoruso trabalha esse triângulo com interesse maior pelo comportamento do que pelo escândalo. A diretora observa Vivien diante de uma conta difícil. Se ela segue o plano, conserva a imagem de jovem brilhante e responsável. Se se aproxima de Roy, precisa admitir que sua vida talvez tenha sido planejada com pouca margem para desejo. A decisão não vem sem custo, porque cada gesto abre uma fresta e fecha outra porta.

O acidente muda o relógio

O acidente citado pela premissa dá ao filme sua mudança mais forte. A partir dele, Vivien e Roy deixam de tratar o tempo como algo garantido. A rotina de provas, treinos, cobranças e promessas passa a dividir espaço com uma pergunta mais incômoda. O que ainda faz sentido quando o corpo lembra, sem delicadeza, que o futuro pode não obedecer ao calendário de ninguém?

A história ganha densidade porque o acontecimento não serve apenas para comover. Ele empurra os personagens para decisões mais urgentes. Vivien precisa encarar a diferença entre conquistar uma vaga e viver uma vida que caiba dentro dela. Roy precisa sair da posição de encanto espontâneo e lidar com responsabilidades menos bonitas. O romance, então, deixa de ser apenas descoberta e passa a exigir presença, paciência e alguma maturidade.

Há uma escolha interessante no modo como “A Vida é Agora” lida com o sofrimento. O filme não precisa transformar cada cena em uma queda livre emocional. Ele prefere acompanhar o desconforto de quem descobre que amar alguém também significa permanecer quando a fantasia perde o brilho. Isso torna a relação entre Vivien e Roy menos perfeita e, por isso mesmo, mais próxima. Afinal, ninguém merece romance que parece folder de intercâmbio com filtro ensolarado o tempo inteiro.

Entre a ambição e o medo

Bella Thorne interpreta Vivien com uma mistura de rigidez e vulnerabilidade. A personagem sabe estudar, sabe responder, sabe se preparar. O que ela não sabe tão bem é lidar com o que escapa da planilha. Essa é a parte mais humana de sua composição. Vivien não é fria. Ela apenas aprendeu a confiar mais no desempenho do que na dúvida, e isso cobra um preço quando o amor passa a pedir uma coragem que não entra em currículo.

Benjamin Mascolo dá a Roy um charme tranquilo, mas também deixa ver certa imaturidade por baixo da leveza. Ele se aproxima de Vivien com naturalidade, porém o filme sugere que gostar de alguém não basta quando a vida pede atitude. Roy precisa provar que sua presença não é só uma pausa agradável no caminho dela. Quando o risco aumenta, sua função na história deixa de ser apenas mexer com o coração de Vivien e passa a envolver escolhas concretas.

Sebastiano Pigazzi, como Steve, tem menos espaço, mas cumpre uma função importante. Ele representa o mundo que Vivien conhece, com regras, treinos e expectativas mais previsíveis. Sua presença ajuda a deixar o dilema da protagonista mais nítido. Ao se afastar do lugar seguro, Vivien não troca apenas um namorado por outro. Ela perde uma forma de aprovação e precisa sustentar essa perda diante de si mesma.

Um romance de juventude ferida

“A Vida é Agora” tem momentos em que se aproxima do romance juvenil mais polido, com imagens bonitas, afetos intensos e uma certa vontade de tocar o coração do público sem pedir licença. Ainda assim, a produção se fortalece quando deixa os personagens respirarem fora da moldura romântica. Vivien, Roy e Steve são jovens o suficiente para errar com convicção e adultos o bastante para lidar com parte das consequências.

O filme também acerta ao fazer do presente uma questão prática, não apenas uma frase bonita para legenda. Para Vivien, viver o agora significa abrir mão de parte do controle. Para Roy, significa assumir que liberdade sem compromisso pode virar fuga. Para Steve, significa ocupar um lugar que já não oferece a mesma segurança. Cada um perde alguma coisa quando a história avança, e essa perda dá peso ao drama.

A direção de Elisa Amoruso prefere uma abordagem sensível e acessível. O ritmo alterna momentos de encanto romântico com pausas mais dolorosas, nas quais os personagens precisam olhar para o que fizeram. Quando a câmera permanece perto de Vivien, o filme ganha força ao registrar o desconforto de uma jovem que sempre soube mirar longe, mas passa a ter medo de não estar vivendo nada pelo caminho.

“A Vida é Agora” pode não fugir de todas as marcas conhecidas do drama romântico sobre juventude, acidente e recomeço. Mesmo assim, encontra verdade quando troca grandes declarações por decisões pequenas e difíceis. Vivien tenta recuperar o próprio presente, Roy precisa mostrar se consegue ficar, e Steve permanece como lembrança de um plano que já não responde por todos. O filme termina deixando a sensação de que, depois de certas perdas, até o próximo minuto passa a exigir coragem.


Filme: A Vida é Agora
Diretor: Elisa Amoruso
Ano: 2021
Gênero: Drama/Romance
Avaliação: 2.5/5 1 1
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