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Lançado em 2008 e dirigido por Timur Bekmambetov, “O Procurado” chegou aos cinemas em um momento em que os filmes de super-heróis dominavam a cultura popular. Em vez de apostar em personagens de quadrinhos tradicionais, a produção estrelada por James McAvoy, Angelina Jolie e Morgan Freeman escolheu outro caminho. A história acompanha um homem comum que passa os dias preso a um emprego sem perspectivas até descobrir que seu pai fazia parte de uma sociedade secreta de assassinos. A partir dessa revelação, sua vida muda completamente e ele se vê no centro de uma guerra que desconhecia.

Quando o público conhece Wesley Gibson (James McAvoy), ele é praticamente o retrato da infelicidade. Trabalha em um escritório onde é constantemente humilhado pela chefe Janice (Lorna Scott), sofre crises de ansiedade frequentes e vive com Cathy (Kristen Hager), uma namorada que o trai sem sequer se preocupar em esconder isso. O detalhe mais cruel é que o amante dela é Barry (Chris Pratt), melhor amigo e colega de trabalho de Wesley.

Bekmambetov apresenta esse universo de maneira quase satírica. Tudo ao redor de Wesley parece reforçar sua condição de sujeito derrotado. As reuniões são absurdas, o ambiente corporativo é sufocante e ninguém parece respeitá-lo. É justamente desse ponto de partida que o filme constrói sua principal força. Antes de existir qualquer perseguição ou tiroteio, existe um personagem tentando sobreviver ao cotidiano.

Quando Wesley conhece Fox (Angelina Jolie) em uma farmácia seu mundo vira de cabeça para baixo. A desconhecida afirma que seu pai foi assassinado recentemente e que o responsável, um homem chamado Cross, agora está atrás dele. Poucos segundos depois, tiros começam a cruzar o local. Wesley foge desesperado, sem saber em quem acreditar.

A Fraternidade dos assassinos

Após escapar da perseguição, Wesley acorda em uma antiga fábrica têxtil transformada em quartel-general da Fraternidade, uma organização secreta liderada por Sloan (Morgan Freeman). Ali ele recebe uma explicação surpreendente. As crises de ansiedade que o acompanharam durante toda a vida seriam, na verdade, manifestações de uma condição rara que lhe permite produzir níveis extraordinários de adrenalina.

Sloan afirma que Wesley herdou essa característica do pai. Segundo ele, Cross matou o próprio companheiro de organização e agora precisa ser eliminado antes que provoque ainda mais mortes.

O treinamento imposto ao novato está longe de ser gentil. Fox e os demais integrantes da Fraternidade submetem Wesley a sessões brutais de combate, resistência física e controle emocional. Ele apanha, falha diversas vezes e questiona constantemente sua permanência no grupo.

Ao mesmo tempo, a organização lhe oferece algo que nunca teve. Dinheiro, propósito e uma identidade nova. Uma das cenas mais divertidas do filme surge justamente quando Wesley retorna ao escritório e decide descontar anos de frustração acumulada. O momento funciona porque nasce de algo reconhecível para qualquer pessoa que já teve vontade de abandonar um emprego insuportável.

Segredos escondidos entre as missões

Conforme o treinamento avança, Wesley começa a participar de missões reais. Aos poucos ele aprende técnicas improváveis, incluindo a famosa habilidade de curvar a trajetória das balas. É um dos elementos mais extravagantes do roteiro, mas Bekmambetov nunca tenta convencer o espectador de que aquilo é plausível. A proposta sempre foi operar no terreno do exagero estilizado.

Durante essas operações, Sloan apresenta outro elemento fundamental da história. Trata-se do Tear do Destino, uma gigantesca máquina de tecelagem que supostamente produz mensagens codificadas indicando pessoas destinadas a provocar caos e destruição no futuro. Cabe à Fraternidade interpretar esses códigos e executar os alvos.

Wesley aceita essa explicação porque acredita estar servindo a uma causa maior. O problema surge quando algumas peças deixam de se encaixar. Certas atitudes de Cross parecem incompatíveis com a imagem monstruosa construída por Sloan. Pequenos detalhes despertam dúvidas e levam Wesley a investigar informações que lhe foram escondidas.

“O Procurado” deixa de ser apenas ação e incorpora elementos de suspense. O protagonista passa a desconfiar das pessoas que o cercam e percebe que existe muito mais em jogo do que uma simples caçada.

Quando a verdade muda tudo

O roteiro reorganiza a percepção do espectador sem abandonar a lógica estabelecida anteriormente. Informações reveladas ao longo da segunda metade da trama obrigam Wesley a reavaliar praticamente tudo que ouviu desde sua chegada à Fraternidade.

James McAvoy acompanha essa transformação com competência. O ator convence tanto como funcionário inseguro quanto como assassino treinado. A mudança acontece gradualmente e preserva aspectos importantes da personalidade do personagem.

Angelina Jolie utiliza seu carisma para transformar Fox em uma figura difícil de decifrar. Em vários momentos ela parece agir como mentora. Em outros, transmite a sensação de estar cumprindo ordens que talvez não concorde integralmente. Morgan Freeman, por sua vez, explora sua presença autoritária para construir um líder cuja credibilidade raramente é questionada pelos subordinados.

Ação, exagero e entretenimento

“O Procurado” pertence a uma categoria de filmes que abraça o absurdo sem pedir desculpas por isso. Carros atravessam cenários impossíveis, trens aparecem em sequências gigantescas e as leis da física são frequentemente tratadas como sugestões educadas.

Ainda assim, existe algo que impede a produção de se transformar apenas em uma coleção de cenas espetaculares. O filme permanece ancorado na jornada pessoal de Wesley. O público acompanha alguém que passa anos acreditando ser fraco, incompetente e insignificante antes de descobrir que sua vida inteira foi construída sobre informações incompletas.

Timur Bekmambetov compreende que a ação funciona melhor quando existe um personagem interessante no centro dela. Por isso, mesmo entre perseguições, assassinatos e acrobacias improváveis, o que mantém a atenção do espectador é a tentativa de Wesley de descobrir quem realmente era seu pai, quem está mentindo e qual papel deseja ocupar naquela história.

Essa combinação de adrenalina, humor ácido e mistério transformou “O Procurado” em um dos filmes de ação mais lembrados de sua década. Mais do que as balas que fazem curvas ou as cenas espetaculares, permanece a imagem de um homem comum que finalmente decide assumir o controle da própria vida.


Filme: O Procurado
Diretor: Timur Bekmambetov
Ano: 2008
Gênero: Ação/Crime/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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