Quando duas gerações disputam o mesmo espaço dentro de casa, a convivência deixa de ser rotina e vira um pequeno campo de batalha doméstico. Em “Em Guerra com o Vovô”, com Robert De Niro, Oakes Fegley, Uma Thurman e direção de Tim Hill, uma mudança aparentemente simples dentro da casa da família acaba desencadeando uma disputa tão absurda quanto divertida entre avô e neto. Peter (Oakes Fegley) é um garoto comum que leva uma vida tranquila até o dia em que o avô Ed (Robert De Niro) passa a morar com eles. O problema surge quando os pais, Sally (Uma Thurman) e Arthur (Rob Riggle), decidem que o quarto mais confortável da casa deve ficar com o idoso. O escolhido para ceder o espaço é Peter, que acaba empurrado para dormir no sótão.
Para um adulto, a mudança pode parecer apenas um ajuste doméstico. Para Peter, é praticamente uma injustiça histórica. O quarto não é apenas um lugar para dormir, mas o território onde ele construiu sua rotina, guardou suas coisas e se sente no controle da própria vida. Ser transferido para o sótão, um espaço improvisado cheio de caixas e pouca comodidade, transforma o incômodo em indignação. O garoto tenta resolver a situação conversando com os pais, mas percebe rapidamente que a decisão já está tomada. Sem negociação possível, ele escolhe um caminho muito mais radical.
Peter declara guerra ao próprio avô.
A ideia pode parecer exagerada, mas é exatamente esse exagero que move a comédia. O garoto estabelece regras para a disputa e deixa claro que só existe uma maneira de resolver o problema: alguém vai desistir. Quem ceder primeiro perde o quarto. Ed, interpretado por Robert De Niro com aquele ar de veterano que já viu de tudo na vida, aceita o desafio com uma calma quase provocadora. O que Peter talvez não tenha considerado é que enfrentar um avô teimoso pode ser mais complicado do que parece.
A partir daí, a casa inteira vira cenário para pequenas sabotagens, sustos e armadilhas improvisadas. Peter tenta usar criatividade e energia para expulsar o avô do quarto, apostando em truques que fariam qualquer criança rir. Só que Ed responde à altura. Ele não reage com irritação ou bronca. Pelo contrário. Observa, entende o jogo e começa a retaliar com a mesma dose de malícia, mostrando que experiência também conta muito numa guerra.
O que torna o filme interessante não é apenas a sequência de pegadinhas, mas o modo como o confronto revela a dinâmica entre os personagens. Peter age como qualquer criança que sente que perdeu algo importante. Ed, por sua vez, reage como um adulto que não está disposto a ser tratado como alguém frágil. No meio dessa disputa, Sally (Uma Thurman) tenta manter a paz dentro da casa, enquanto Arthur (Rob Riggle) prefere evitar o conflito direto, o que obviamente não ajuda muito a controlar a situação.
Tim Hill conduz essa história com ritmo leve e espírito de comédia familiar clássica. As situações vão escalando aos poucos, sempre partindo de pequenas provocações que crescem até virar confusão. Em vez de apostar em grandes reviravoltas, o filme se apoia na rivalidade entre os dois personagens centrais, explorando o contraste entre a energia impulsiva do neto e a astúcia tranquila do avô.
Robert De Niro, conhecido por papéis intensos no cinema, parece se divertir assumindo aqui um lado mais irreverente. Seu Ed não é exatamente o tipo de avô que fica quieto em uma cadeira contando histórias. Ele entra na disputa com entusiasmo quase juvenil, o que torna o confronto com Peter ainda mais imprevisível. Oakes Fegley, por sua vez, sustenta bem o papel do garoto obstinado, equilibrando frustração, humor e aquele tipo de teimosia que só crianças conseguem defender com tanta convicção.
“Em Guerra com o Vovô” funciona justamente porque entende o tamanho real da história que quer contar. Não é uma grande saga familiar nem pretende transformar o conflito em algo profundo demais. O filme sabe que está lidando com uma situação cotidiana exagerada até o limite da comédia. A disputa pelo quarto vira um pretexto para observar como orgulho, teimosia e afeto podem coexistir dentro da mesma casa.
O que mantém o espectador interessado não é descobrir quem vai ganhar a guerra, mas acompanhar como essa rivalidade vai se desenrolando entre provocações, contra-ataques e momentos inesperadamente divertidos. Entre um plano e outro para recuperar o quarto, Peter e Ed seguem medindo forças, cada um convencido de que está prestes a vencer a batalha doméstica mais absurda da história daquela família.
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