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O filme com Mark Ruffalo e Reese Witherspoon na Netflix que tem tudo para virar sua escolha perfeita de fim de semana Divulgação / Dreamworks Pictures

O filme com Mark Ruffalo e Reese Witherspoon na Netflix que tem tudo para virar sua escolha perfeita de fim de semana

Dirigido por Mark Waters, com Reese Witherspoon, Mark Ruffalo e Donal Logue, “E Se Fosse Verdade” parte de uma premissa que mistura comédia romântica, fantasma e luto. David Abbott, arquiteto viúvo, aluga um apartamento em San Francisco para reorganizar a vida, mas encontra ali Elizabeth Masterson, médica que surge dizendo ser a verdadeira dona do imóvel. A situação é absurda. Ela desaparece e reaparece atravessando portas, paredes e móveis, enquanto ele tenta decidir se está diante de um espírito, de um delírio ou de algo que ainda não sabe nomear.

A força inicial do filme está nessa disputa pelo espaço. David troca a fechadura, tenta expulsá-la e observa sala, quarto e cozinha como quem perdeu o controle do próprio endereço, mas Elizabeth continua entrando e saindo dali como se nada tivesse mudado. Nada fica estável. Waters concentra o interesse nessas cenas porque entende que o apartamento é mais do que cenário: é o ponto em que comédia, solidão e estranhamento passam a dividir a mesma rotina.

Quando David conclui que talvez esteja convivendo com um fantasma, a história abre um novo eixo sem abandonar o luto que pesa sobre ele. Ele tenta exorcizar Elizabeth, procura Darryl numa livraria esotérica e ouve que a moça talvez não esteja morta. Isso complica tudo. Darryl também identifica em David um homem ainda paralisado por perdas passadas, e o sobrenatural passa a ter menos a ver com efeito e mais com suspensão afetiva. O caso deixa então de ser apenas o de uma mulher que aparece e desaparece e passa a envolver memória, identidade e tempo interrompido.

Hospital, busca e risco

Elizabeth resiste à explicação pronta que David tenta impor. Ela insiste que está viva, embora não consiga dizer como chegou àquela condição, e pede ajuda para descobrir o que lhe aconteceu. O tom muda. A busca leva os dois por San Francisco, por pistas ligadas à vida profissional dela e, sobretudo, por um hospital que devolve à história um peso mais concreto. A partir daí, o romance deixa de flutuar apenas no terreno da fantasia e ganha um contorno mais sério, ligado à possibilidade de retirada do suporte de vida.

Waters nem sempre concilia esses materiais com a mesma firmeza. De um lado, há o casal em formação, com os modos controladores de Elizabeth e a melancolia desajeitada de David; de outro, há coma, hospital, fim de vida e um homem tentando retomar a rotina depois da viuvez. Eles seguram o filme. Reese Witherspoon dá agilidade à personagem, e Mark Ruffalo compõe bem esse sujeito de passos lentos, roupas frouxas e ar permanentemente deslocado. O romance se sustenta menos por frases de efeito do que pelo contraste entre a energia dela e a fadiga dele.

Entre leveza e sombra

Nem tudo se encaixa. O uso cômico do ocultismo, do exorcismo improvisado e do conselheiro de livraria às vezes aproxima “E Se Fosse Verdade” de soluções fáceis. Ainda assim, Mark Waters acerta ao tratar o sobrenatural como algo que altera o espaço, o corpo e a relação entre duas pessoas. Basta pouco. O apartamento segue como centro de gravidade da história, o hospital devolve ao romance a sombra que o acompanha o tempo todo, e San Francisco vira cidade de trânsito para personagens que ainda não encontraram onde deixar o passado. No fim, ficam uma porta entreaberta, uma parede vazia e a luz da tarde caindo na sala.

Filme: E Se Fosse Verdade
Diretor: Mark Waters
Ano: 2005
Gênero: Comédia/Drama/Fantasia/Romance
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★