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A despedida de Catherine O’Hara dos cinemas: sequência do maior clássico de Tim Burton na Netflix Divulgação / Warner Bros.

A despedida de Catherine O’Hara dos cinemas: sequência do maior clássico de Tim Burton na Netflix

Algumas casas guardam lembranças; outras parecem guardar portas que ninguém deveria abrir de novo. É exatamente esse desconforto familiar que reaparece em “Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice”, continuação do clássico de Tim Burton que aposta menos em nostalgia pura e mais na ideia de que certos problemas sobrenaturais simplesmente não desaparecem com o tempo.

Na história, Lydia Deetz (Winona Ryder) retorna à famosa casa de Winter River depois de uma tragédia que reúne novamente a família. Só que agora ela não é mais a adolescente excêntrica do passado. Lydia virou mãe e tenta manter algum controle sobre a vida da filha, Astrid (Jenna Ortega), uma jovem introspectiva que observa aquele lugar estranho com curiosidade imediata. A casa continua a mesma: silenciosa, cheia de cantos estranhos e, claro, com o velho sótão onde ainda está guardada a famosa maquete da cidade. Astrid acaba explorando esse espaço e, sem entender exatamente o que está mexendo, ativa algo que Lydia conhece bem demais. Aquele objeto não é apenas um detalhe decorativo; ele funciona como ligação direta com o mundo dos mortos.

Esse pequeno gesto abre caminho para o retorno de alguém que nunca foi exatamente fácil de ignorar: Beetlejuice, novamente interpretado por Michael Keaton. O fantasma reaparece com o mesmo espírito caótico que marcou o filme original, agindo como uma força impossível de controlar dentro da casa. Beetlejuice não chega discretamente nem tenta parecer razoável. Ele surge como quem percebe uma oportunidade perfeita para voltar ao jogo e provocar confusão na vida dos vivos. E a família Deetz sabe que, quando ele aparece, o problema raramente termina de forma simples.

Winona Ryder conduz boa parte do filme justamente nesse ponto de tensão. Lydia entende o perigo de lidar com Beetlejuice, mas também percebe que impedir completamente a curiosidade da filha talvez seja impossível. Astrid, por outro lado, encara tudo com aquela mistura de fascínio e incredulidade típica da adolescência. Para ela, o sobrenatural não é uma lembrança traumática da juventude da mãe, mas um mistério que merece ser investigado. Esse choque de perspectivas cria boa parte do movimento da história, porque Lydia tenta controlar uma situação que já saiu do controle antes mesmo de começar.

Catherine O’Hara retorna como Delia Deetz e funciona como uma espécie de tempero cômico permanente. Delia continua exagerada, dramática e obcecada com estética, como se reorganizar a decoração da casa pudesse também reorganizar o caos sobrenatural que insiste em aparecer. A personagem parece tratar a presença de Beetlejuice quase como mais um inconveniente doméstico, o que cria momentos de humor que lembram bastante o espírito do filme original.

Tim Burton dirige tudo com o estilo visual que tornou seu cinema reconhecível desde os anos 80. A casa de Winter River volta a parecer um lugar meio deslocado da realidade, como se existisse numa fronteira estranha entre cotidiano e fantasia macabra. Burton gosta de brincar com essa sensação: o ambiente parece normal por alguns segundos e logo depois algo absurdo invade a cena. Esse ritmo irregular ajuda a manter o tom da história entre comédia e terror leve, sem transformar a trama em algo realmente assustador.

A presença de Beetlejuice continua sendo o principal motor da confusão. Michael Keaton retorna ao papel com a mesma energia imprevisível que fez o personagem virar um ícone pop. Ele aparece, provoca, desaparece e volta novamente quando menos se espera. O fantasma funciona quase como um agente de caos que se alimenta das brechas emocionais da família Deetz. Sempre que Lydia tenta impor algum limite, Beetlejuice encontra um jeito de contornar a situação e transformar a conversa em mais uma sequência de absurdos.

O filme também explora bastante na relação entre Lydia e Astrid. Existe uma diferença clara entre as duas gerações: Lydia carrega experiência e cautela; Astrid traz curiosidade e vontade de descobrir o que realmente existe por trás das histórias da mãe. Essa dinâmica faz com que o conflito da história não seja apenas sobrenatural, mas também familiar. Lydia precisa proteger a filha enquanto tenta lidar com um fantasma que ela mesma ajudou a tornar famoso décadas atrás.

“Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice” é um reencontro curioso com um universo que marcou a cultura pop. Tim Burton não tenta esconder o peso do clássico original, mas também não transforma o novo filme em simples repetição. O que ele faz é revisitar aquele mundo estranho com personagens mais velhos, novas tensões familiares e a mesma certeza que os fãs já conhecem: quando Beetlejuice encontra uma brecha para voltar, a tranquilidade da casa de Winter River desaparece rapidamente.

Filme: Os Fantasmas Ainda Se Divertem
Diretor: Tim Burton
Ano: 2024
Gênero: Comédia/Fantasia/Terror
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.