Em “Sete Anos no Tibet”, dirigido por Jean-Jacques Annaud, Brad Pitt interpreta Heinrich Harrer, um alpinista austríaco célebre que viaja ao Himalaia decidido a escalar o Nanga Parbat e consolidar sua fama, mesmo deixando para trás a esposa grávida e um casamento em crise. Ao lado de Peter Aufschnaiter, vivido por David Thewlis, ele integra uma expedição que é interrompida de forma abrupta quando a Segunda Guerra começa e o território sob domínio britânico o transforma em prisioneiro de guerra.
No campo de detenção, Heinrich se recusa a aceitar a nova condição. Ele tenta fugir repetidas vezes porque entende que permanecer ali significa perder tempo, reputação e qualquer chance de retomar a própria trajetória. A vigilância é rígida e o isolamento geográfico joga contra, mas a insistência revela um traço central do personagem: ele prefere arriscar tudo a admitir fracasso. Quando finalmente consegue escapar com Peter, troca o confinamento por uma travessia perigosa pelo Himalaia.
A chegada a Lhasa marca outra virada. A cidade sagrada impõe restrições claras a estrangeiros, e Heinrich percebe que não pode agir como o conquistador confiante das montanhas. Ele precisa negociar permanência, demonstrar utilidade e aprender a respeitar regras culturais que não controla. Esse ajuste de postura abre portas inesperadas e o aproxima do jovem Dalai Lama, com quem estabelece uma relação de confiança que redefine seu papel ali.
Brad Pitt constrói Heinrich como um homem que começa dominado pelo próprio orgulho e, aos poucos, é obrigado a rever prioridades. David Thewlis, como Peter, funciona como contraponto mais pragmático, interessado em estabilidade e sobrevivência. Sem sentimentalismo excessivo e sem revelar spoilers, “Sete Anos no Tibet” acompanha a transformação de um aventureiro obcecado por glória em alguém confrontado com responsabilidade, lealdade e limites muito maiores que qualquer montanha.
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