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Baseado em livro de Frank Herbert com mais de 20 milhões de cópias vendidas, ficção científica de Denis Villeneuve está na Netflix Divulgação / Warner Bros.

Baseado em livro de Frank Herbert com mais de 20 milhões de cópias vendidas, ficção científica de Denis Villeneuve está na Netflix

Em “Duna: Parte 2”, dirigido por Denis Villeneuve, Timothée Chalamet assume de vez o peso de Paul Atreides, ao lado de Zendaya e Rebecca Ferguson, numa história em que liderança, fé e poder deixam de ser promessa e viram responsabilidade concreta.

Paul (Timothée Chalamet) começa a história integrado aos Fremen no deserto de Arrakis. Ele não quer apenas sobreviver após a destruição de sua família, quer recuperar o que foi tomado e atingir a Casa Harkonnen. Para isso, precisa provar que é mais do que um forasteiro protegido. Ele treina, participa de ataques e aprende a lógica dura do deserto. Cada ação bem-sucedida fortalece sua posição entre os Fremen e amplia sua influência nas decisões do grupo.

Chani (Zendaya) está ao lado dele, mas não como seguidora cega. Ela acredita na luta concreta contra os opressores, não necessariamente nas profecias que começam a cercar o nome de Paul. Enquanto ele aceita rituais e títulos que o aproximam da figura messiânica anunciada entre os Fremen, ela observa o efeito disso nas pessoas ao redor. A relação dos dois cresce, mas também ganha tensão, porque fé e estratégia nem sempre caminham juntas.

Jessica (Rebecca Ferguson) atua de forma mais calculada. Ela entende o peso político da crença e ajuda a consolidar a imagem de Paul como alguém destinado a liderar. Ao fazer isso, amplia a base de apoio do filho, mas também contribui para algo maior do que uma simples rebelião local. A fé organiza, mobiliza e acelera decisões. E quanto maior a mobilização, menor a margem para voltar atrás.

Paul passa a usar suas visões do futuro como ferramenta. Ele vê caminhos possíveis, percebe riscos e tenta escolher a rota que cause menos destruição. O problema é que cada escolha parece aproximar o cenário que ele mais teme. Ao aceitar o nome de Muad’Dib, ele fortalece sua liderança, une tribos e amplia sua autoridade. Ao mesmo tempo, dá combustível a uma causa que pode sair do controle.

A guerra contra a Casa Harkonnen deixa de ser apenas vingança pessoal e vira ofensiva estratégica. Paul participa da organização de ataques, enfraquece o domínio inimigo e altera o equilíbrio de forças em Arrakis. Cada vitória traz prestígio, mas também provoca respostas mais violentas. O conflito cresce em escala e intensidade. O deserto deixa de ser esconderijo e se transforma em campo aberto de disputa.

Villeneuve mantém a narrativa focada nas decisões de Paul. A ação é grandiosa, mas sempre ligada a escolhas concretas. Quando Paul avança, ele ganha território e seguidores. Quando hesita, coloca em risco a confiança conquistada. O filme equilibra batalhas e momentos de silêncio, mostrando que o peso maior não está apenas na guerra física, mas na responsabilidade de conduzir milhares de pessoas.

Chalamet entrega um Paul mais seguro e mais duro. Ele não é mais o jovem que reage aos acontecimentos. Agora ele decide. Zendaya amplia a presença de Chani, tornando-a voz ativa dentro da história. E Rebecca Ferguson sustenta a tensão silenciosa de Jessica, que entende exatamente o tamanho do jogo em que está envolvida.

“Duna: Parte 2” cresce em escala sem perder o foco humano. A jornada espiritual, política e militar de Paul ganha densidade porque está sempre ligada a uma pergunta simples: até onde alguém pode ir para evitar um futuro terrível sem se tornar o próprio catalisador dele? Ao assumir a liderança diante dos Fremen e enfrentar o império que domina Arrakis, Paul consolida poder e abre portas que talvez não consiga fechar.

Filme: Duna Parte 2
Diretor: Denis Villeneuve
Ano: 2024
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Épico/Ficção Científica
Avaliação: 10/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.