“Terapia do Sexo” é uma comédia dramática que fala de desejo, vergonha e responsabilidade sem transformar nada disso em discurso pesado. Dirigido por Stuart Blumberg, o filme acompanha Adam, personagem de Mark Ruffalo, um homem inteligente, simpático e aparentemente equilibrado que inicia um relacionamento com Phoebe, vivida por Gwyneth Paltrow. O problema é que ele esconde uma parte essencial da própria vida: está em tratamento contra o vício em sexo, seguindo um programa de doze passos que exige disciplina e sinceridade absoluta.
Adam quer fazer dar certo. Ele gosta de Phoebe, gosta da leveza que surge entre os dois e aposta na possibilidade de um romance saudável. Só que, ao mesmo tempo, precisa frequentar reuniões regulares, prestar contas ao grupo e manter distância de comportamentos que já o colocaram em situações complicadas. Esse equilíbrio frágil é o coração da história. Cada escolha dele tem consequência prática: ou ele fortalece o tratamento, ou arrisca a própria estabilidade emocional.
As reuniões são lideradas por Mike, interpretado por Tim Robbins, que funciona como padrinho e voz da responsabilidade. Mike não passa a mão na cabeça de ninguém. Ele exige compromisso, cumprimento das regras e honestidade, mesmo quando a verdade é desconfortável. Ao lado de outros participantes, como Neil, vivido por Josh Gad, e Dede, interpretada por Pink, o grupo mistura confissões difíceis com comentários irônicos que aliviam o peso do tema. A comédia surge desse contraste: homens e mulheres tentando manter a dignidade enquanto expõem suas fraquezas em cadeiras dispostas em círculo.
O filme é direto ao ponto ao mostrar como o vício afeta não só impulsos, mas decisões cotidianas. Adam precisa reorganizar a agenda, evitar certas situações e, principalmente, aprender a não mentir para si mesmo. Quando Phoebe demonstra querer aprofundar a relação, ele hesita. Não porque não goste dela, mas porque revelar o tratamento pode mudar completamente a dinâmica entre os dois. Essa tensão é construída com naturalidade, sem exageros dramáticos, mas com consequências reais para o casal.
Mark Ruffalo sustenta o filme com uma atuação contida e vulnerável. Ele não transforma Adam em vítima nem em vilão. O personagem é falho, às vezes egoísta, muitas vezes confuso, mas genuinamente empenhado em melhorar. Gwyneth Paltrow traz firmeza a Phoebe, que não aceita migalhas emocionais e deixa claro que quer uma relação transparente. A química entre os dois é convincente justamente porque nasce do conflito, não da idealização.
Stuart Blumberg opta por uma abordagem simples, quase íntima. A câmera privilegia diálogos e reações, evitando melodrama. Não há glamour no vício, nem romantização das recaídas. O que vemos é um homem tentando se manter sóbrio enquanto descobre que amor exige mais do que atração: exige responsabilidade contínua.
“Terapia do Sexo” funciona porque entende que recuperação não é linha reta. O humor ajuda a tornar o tema acessível, mas o filme nunca perde de vista o peso das escolhas. Ao acompanhar Adam entre encontros românticos e reuniões de apoio, a narrativa mostra que amadurecer significa assumir o que se é, mesmo quando isso coloca tudo em risco. É um retrato honesto, às vezes desconfortável, mas humano de alguém que tenta, passo a passo, não sabotar aquilo que mais quer preservar.
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