“Belo Desastre” parte de uma situação bem conhecida do romance universitário, mas tenta dar a ela um ritmo mais direto e contemporâneo. Abby Abernathy (Virginia Gardner) chega à faculdade decidida a deixar para trás um passado problemático e seguir uma vida discreta, focada nos estudos e na amizade com America (Libe Barer). O plano, porém, dura pouco. Logo nos primeiros dias, ela cruza o caminho de Travis “Mad Dog” Maddox (Dylan Sprouse), um estudante popular, lutador de MMA e dono de uma fama que Abby faz questão de evitar.
Travis é exatamente o tipo de pessoa que Abby prometeu não deixar se aproximar. Ele vive cercado de atenção, cultiva a imagem de bad boy e parece confortável em transformar tudo em jogo. A resistência dela, em vez de afastá-lo, desperta ainda mais interesse. Quando surge uma aposta entre os dois, a relação deixa de ser apenas um flerte tenso e passa a envolver decisões práticas, convivência forçada e limites constantemente testados. Abby aceita o desafio acreditando que mantém o controle, mas logo percebe que o acordo cobra um preço emocional mais alto do que parecia.
O filme se sustenta nessa dinâmica de choque entre personalidades. Virginia Gardner constrói uma Abby que tenta parecer firme, mas deixa transparecer insegurança e medo de repetir erros antigos. Dylan Sprouse, por sua vez, usa bem o carisma para tornar Travis menos caricato do que o estereótipo sugere, ainda que o roteiro não fuja completamente dos clichês do “garoto problema”. A química entre os dois funciona, principalmente nos diálogos mais leves, quando o embate vira provocação e humor.
A comédia surge justamente desses atritos do dia a dia: a dificuldade de dividir espaço, as regras improvisadas da aposta, os comentários atravessados e as situações desconfortáveis no campus. Nada disso reinventa o gênero, mas ajuda a dar ritmo e tornar a experiência mais fluida. O drama entra quando o passado de Abby começa a pesar nas escolhas do presente, criando tensão sem transformar a história em algo excessivamente sombrio.
Dirigido por Roger Kumble, “Belo Desastre” não esconde suas intenções. É um romance jovem, direto, feito para quem gosta de histórias sobre recomeços, apostas emocionais e relações que nascem do conflito. Funciona melhor quando aceita essa simplicidade e aposta no carisma do elenco, sem tentar parecer mais profundo do que realmente é.
O filme entrega exatamente o que promete: um envolvimento turbulento, cheio de idas e vindas, com personagens que erram, insistem e pagam pelas próprias escolhas. Não é uma surpresa, mas também não tenta ser. E, dentro desse limite, encontra seu público ao transformar impulsividade e atração em motor de uma história leve, acessível e fácil de acompanhar.
★★★★★★★★★★




