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Filme que mistura ação e comédia é o programa perfeito para recarregar as energias nesse domingo, na Netflix Divulgação / Paramount Pictures

Filme que mistura ação e comédia é o programa perfeito para recarregar as energias nesse domingo, na Netflix

Em “Novocaine”, dirigido por Dan Berk e Robert Olsen, Jack Quaid divide a cena com Amber Midthunder e Ray Nicholson, numa trama em que Nathan Caine (Quaid) precisa reagir a um assalto no banco onde trabalha usando uma condição genética que o impede de sentir dor.

Nathan Caine (Jack Quaid) leva uma vida organizada com disciplina quase obsessiva. Ele usa alarmes, cronômetros e hábitos rígidos para compensar aquilo que o corpo não sinaliza. Não é excentricidade, é sobrevivência prática. Cada gesto existe para evitar danos silenciosos, e isso o mantém funcional no trabalho e discreto nas relações. Essa rotina oferece controle, até o momento em que o ambiente deixa de obedecer regras básicas. O efeito é imediato: segurança vira exceção.

Quando o assalto acontece, o local de trabalho perde qualquer aparência de normalidade. Nathan não reage como herói automático, mas como alguém acostumado a calcular riscos. Ele observa, mede possibilidades e tenta ganhar tempo enquanto tudo ao redor pressiona por decisões rápidas. A ausência de dor não facilita a situação; ela apenas remove um freio importante. O resultado é uma exposição direta ao perigo, sem garantias de recuo.

Outros personagens, vividos por Amber Midthunder e Ray Nicholson, entram como forças concretas dentro desse espaço fechado. Eles impõem limites claros, seja pelo controle físico do ambiente, seja pelo controle psicológico da situação. Nathan tenta contornar obstáculos imediatos sem promessas grandiosas, sabendo que cada avanço cobra algo em troca. O efeito prático é a redução constante de opções.

A comédia aparece de forma seca, quase constrangida, sempre ligada a ações específicas. Nathan solta comentários ou toma atitudes que quebram a tensão por segundos, mas logo percebe que o contexto não permite alívio prolongado. O riso surge mais do absurdo da situação do que de piadas calculadas. O ganho é breve e não altera o jogo, apenas torna a espera menos sufocante.

Esse tom ajuda a humanizar o personagem. Ele não diz, mas suas reações deixam claro que a condição que o diferencia também o coloca em desvantagem constante, ou melhor, desloca o perigo para lugares menos óbvios. O humor não suaviza o risco, apenas o torna mais visível. A consequência é a manutenção da tensão sem perder leveza.

No registro de suspense, o filme aposta em escolhas simples com efeitos grandes. Nathan precisa decidir quando avançar e quando recuar, sabendo que errar pode custar mais do que ele consegue reparar. Não sentir dor não significa não sofrer perdas. Cada decisão reduz recursos e encurta prazos. O resultado é uma escalada controlada, em que o perigo cresce junto com a responsabilidade.

A direção mantém o ritmo ajustado ao ponto de vista do protagonista. Algumas informações ficam fora de quadro, outras chegam tarde demais, sempre para reforçar a pressão do momento. Isso não chama atenção para a técnica, mas para o impacto das escolhas. O efeito é um suspense constante, sustentado por consequências claras.

“Novocaine” acompanha Nathan até o ponto em que cada passo redefine sua posição naquele espaço. O filme prefere mostrar o custo de agir a explicar por que agir importa. O que fica não é a ideia de superpoder, mas a noção de que avançar sem sentir dor não elimina o perigo, apenas torna o acerto mais raro e o erro mais caro.

Filme: Novocaine
Diretor: Jack Quaid, Amber Midthunder e Ray Nicholson
Ano: 2025
Gênero: Ação/Comédia/Crime/Suspense
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★