Na manhã em que Pappi é apresentado no ofício, em “O Padeiro”, a bancada e o forno já ficam no centro, porque a rotina de trabalho convive com o segredo de um passado perigoso e com a informação de que ele atua como assassino do governo. O roteiro não estica justificativa, e isso faz o espectador carregar o dado e seguir a cena seguinte sem pausa. A história começa com tarefas simples em volta da bancada e logo troca repetição por uma agenda que toma energia e encurta o tempo de descanso.
Na tarde da visita, uma porta que abre e fecha e uma cadeira ocupada por quem chega mudam o dia, porque Peter aparece e ainda traz uma neta que Pappi desconhecia. Ron Perlman segura o personagem com fala curta e decisões secas, com pouco espaço para conversa que alivie a situação. A presença da criança aumenta a lista de tarefas, com cuidado e vigilância, e esse trabalho ocupa horas sem promessa de alívio. Em vez de um encontro tranquilo, Pappi precisa reorganizar a casa e perder tempo com a nova rotina.
Carro em ida e volta
À noite, quando Peter desaparece depois de se envolver em negócios escusos, Pappi toma a decisão que empurra a trama e entra no mundo do crime para buscar o paradeiro do filho e proteger a neta. Um carro vira ferramenta e risco, porque deslocamento passa a ser obrigação e não escolha. A história avança por idas e voltas que gastam horas e exigem coordenação, e o personagem carrega a criança enquanto tenta continuar. Cada movimento encurta a margem e aumenta o preço em cansaço.
No dia seguinte, a presença dos matadores enviados pela máfia reduz a margem para hesitar, e a trama insiste no trabalho de manter a neta fora do alcance deles enquanto Pappi procura Peter. Uma pasta e papéis entram como sinais de negócio e de dívida, e ajudam a sustentar por que o sumiço do rapaz não é um desaparecimento neutro. Elias Koteas entra no elenco com dureza no corpo e pouco excesso na fala, e os encontros ficam curtos, como se cada contato custasse tempo que não volta. Para acompanhar, o espectador precisa seguir o vai e vem sem descanso longo, preso ao que Pappi consegue fazer antes de perder mais horas.
De madrugada, o dado de que Pappi trabalha como assassino do governo deixa de ficar só no histórico e passa a pesar nas escolhas, porque ele não tem como procurar e proteger sem aceitar risco. Um relógio aparece como lembrete do gasto de tempo, já que buscar o filho e cuidar da neta não cabem em um turno comum e roubam sono. Jonathan Sobol mantém o enredo no caminho do ir atrás e voltar, com pouca explicação e muita tarefa acumulada. Quando a violência entra, ela não vira pausa, ela vira mais uma conta de tempo e energia para o personagem pagar.
Mesa, porta e relógio
Na tarde seguinte, a relação entre Pappi e a neta entra nas decisões, e uma mesa vira ponto de apoio para escolher rápido, sem discurso. A criança não recebe nome, e essa falta evita desvio e mantém a responsabilidade no básico, porque cuidado vira tarefa contínua, não frase. Pappi precisa agir sem expor a menina ao mundo do crime que ele atravessa, e isso exige vigiar, sair e voltar, sempre perdendo tempo. A rotina forçada aparece como soma de tarefas repetidas e poucos minutos livres.
Na manhã que encaminha a reta final, uma estrada puxa o retorno aos deslocamentos, com a busca por Peter e a proteção da neta ainda na frente e com a máfia na conta. “O Padeiro” segue por decisões que gastam tempo, energia e acesso a qualquer lugar seguro, sem depender de explicação longa para manter o movimento. Quando o roteiro encurta caminho com fala demais, ele cobra minutos que fariam falta na estrada; quando volta ao básico, ele recoloca Pappi no carro e faz o relógio pesar de novo. Pappi ainda precisa rodar de carro pela estrada, contando horas no relógio para manter a neta fora do alcance.
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