Dakota Johnson vem merecendo o epíteto de “a mocinha mais cativante de Hollywood”. Fugindo dos estereótipos, Johnson tem brindado o público com personagens avessos a idealizações, controversos, atormentados por dúvidas, num ritmo promissor que anima os fãs do bom cinema. Seu desempenho em “Amores Materialistas” (2025), o filme pipoca-cabeça dirigido por Celine Song, ou “Papai” (2023), drama experimental (e surpreendente) levado à tela por Christy Hall, ratificam a proposição, e “Amores à Parte” também certifica essa temporada de sucessos plurais, escolhidos a dedo, mas que deixam a reconfortante sensação de um acaso despretensioso. Melhor ainda é verificar que tudo no longa acompanha esse padrão.
Técnica e espontaneidade
O diretor Michael Angelo Covino e o corroteirista Kyle Marvin conduzem a audiência por uma longa viagem até chegarem aonde desejam. Na abertura, trafegam por uma rodovia um homem realizado e sua esposa, comentando a respeito de seu enlace de catorze meses e fazendo planos para um futuro próximo. Carey e Ashley estão em sintonia tão afinada que uma conversa leva a um joguinho sexual enquanto ele dirige, e a brincadeira termina no momento em que o motorista do outro veículo e sua esposa sofrem um acidente. Como se não bastasse, Ashley resolve desabafar e diz que, embora ame o marido, não suporta mais estar casada, e isso desencadeia um surto em Carey. Os dois estavam indo à casa de Julie e Paul, e chegam, Ashley de carro e Carey a pé, após longa jornada. Mas terá sua recompensa.
Ação entre amigos
Julie e Paul são um casal feliz, não por viverem como os outros pensam que vivem, mas por terem firmado o compromisso de jamais perder a oportunidade de ter uma novos parceiros ou mesmo namorados quando quiserem. Carey aparece na hora certa, e depois de uma sequência em que os três conversam no banheiro enquanto Carey toma uma ducha, Julie dá a entender que ele teria chance. “Amores à Parte” envereda para uma crônica sobre as relações do nosso tempo, sempre muito equilibrados, baseados na liberdade que escraviza. O próprio Covino interpreta Paul guiando o personagem para uma insatisfação tácita com a poligamia, mas tendo de lidar com a atração de Julie por Carey. Johnson refina o turbilhão de ideias que o enredo insufla, ajudada por Kyle Marvin que, por sua vez, levanta a bola para Adria Arjona. Aqui, a amizade ganha do amor.
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