No começo da noite, Camila fecha a porta cedo e deixa papéis em cima da mesa, porque a decisão de formar família já exige ordem dentro de casa. “Tese Sobre uma Domesticação” parte do momento em que ela, atriz trans argentina de grande sucesso, assume o plano com o noivo e passa a organizar a rotina por tarefa, papel e horário. Camila Sosa Villada fica no centro dessa escolha e precisa encaixar compromisso e casa no mesmo dia, com o relógio apertando quando a conversa atravessa o horário de dormir e empurra o descanso para depois.
Na manhã seguinte, o noivo entra com uma pasta, abre e espalha documentos na bancada, puxando o plano do casal para o lado do formulário e do prazo. Alfonso Herrera interpreta o advogado recém-formado e conduz o caminho com gesto de conferir requisito, pedir assinatura e apontar o que falta, com o relógio marcando o próximo horário de saída. A adoção não avança por promessa, avança por papel correto, e o casal paga com espera e deslocamento quando precisa voltar ao mesmo lugar em outro dia, levando a pasta de volta para a mesa ao retornar.
Balcão, fila e cadeira
À tarde, a busca pelos requisitos passa por balcão, cadeira e fila, com a porta de acesso controlando quem entra e quem fica do lado de fora. O conservadorismo citado na história vira obstáculo prático, com o casal entregando o que pedem, ouvindo recusa e tentando outra vez. A cada retorno, o custo entra em tempo e energia, porque a agenda de casa perde horas no caminho e na espera, e a adoção fica presa na repetição do procedimento.
De noite, Camila põe conta em cima da mesa, abre a carteira e ajusta horário no papel, porque a vida em casa não cabe no que sobra do dia. Ambição e desejo, citados como parte do percurso dela, entram como decisão prática de continuar depois de mais uma ida e volta, sem parar o processo no meio. Segurança e liberdade deixam de ser conversa solta quando o casal precisa combinar presença e regra dentro de casa, e isso cobra coordenação com o noivo, porque cada etapa exige que os dois estejam disponíveis no mesmo relógio, sem margem para perder prazo.
No dia seguinte de manhã, a visita à casa natal exige carro, estrada e mala, e o casal separa horas para sair e horas para voltar, com gasolina e tempo indo embora no trajeto. O deslocamento interrompe a rotina do processo de adoção e empurra compromisso para outro dia, porque a viagem toma espaço no calendário. Camila segue no carro com a mala e o relógio do dia, e o noivo dirige e mantém o caminho, sabendo que o retorno vai cobrar o mesmo tanto de horas de estrada.
Carro, estrada e mala
À noite, já na casa natal, o encontro ocupa corredor, sofá e mesa, e o casal precisa sustentar presença num espaço apertado, com pouco lugar para recuar. Camila segura a palavra antes de sentar e o noivo acompanha de perto, porque a conversa pode virar cobrança dentro do mesmo cômodo. María Luz Tremsal surge ligada a esse núcleo e a visita cobra energia de convivência, com o tempo correndo e a conversa tomando horas que empurram o descanso para mais tarde, sem aliviar o peso do encontro.
De madrugada, depois do deslocamento e da visita, a vida volta com cama, papel e relógio, e o casal retoma o que tinha colocado em pausa. Camila volta ao processo de adoção com o noivo porque o plano não espera o corpo recuperar energia, e a segurança que eles procuram depende de manter agenda e documento em dia. “Tese Sobre uma Domesticação” fecha esse recorte num gesto seco: ela recolhe os papéis, guarda na pasta, apaga a luz e fecha a porta, já com a saída cedo marcada no relógio do dia seguinte.
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