Numa noite quente, a abertura tem balcão, copo suando e uma mesa com contas espalhadas, e Cuda já está em serviço antes de qualquer explicação. “O Assassino Perfeito” o coloca como cobrador da máfia, entrando e saindo de portas para recolher dinheiro e entregar recado, com o corpo sempre apontado para a rua. Antonio Banderas faz esse homem andar como quem carrega chumbo nos ombros, e a madrugada encurta o tempo de cama porque uma cobrança puxa outra, sem intervalo.
Na manhã seguinte, Cuda cruza uma jovem em fuga e decide abrir uma porta que não estava no caminho dele, aceitando virar caça dentro do próprio círculo. O trajeto vira corrida de carro por ruas apertadas, com o painel marcando a pressa e o celular chamando por novos endereços, e ele precisa escolher rápido a quem ouvir e em qual esquina virar. O custo entra em minutos e deslocamento, porque cada parada alonga o caminho e aumenta a chance de alguém reconhecer o carro, como se a chave nunca pudesse ficar dois segundos na mão sem um vulto aparecer no retrovisor.
Mesa grande na boate
À tarde, a chefia aparece com salto alto batendo no piso e uma mesa grande ocupada como posto de comando no fundo da boate. Kate Bosworth entra como Estelle, dona do lugar e chefe da organização, e resolve a sala com gesto curto, aponta a porta, corta conversa e manda executar. Quem está ao redor paga com espera em pé e com a obrigação de sair do prédio já com uma tarefa na cabeça, porque o tempo ali corre em envelope, anotação em papel e ida apressada até a calçada.
De madrugada, a rua volta a engolir Cuda em escada rangendo, corredor estreito e pistola na mão, com passos que denunciam posição antes de qualquer palavra. As entradas acontecem depressa, a porta abre com violência, e a cena segue com corpo correndo e virando esquina, sem espaço para negociação. O custo aparece no concreto, pancada que corta fôlego, segundos perdidos procurando saída, e um erro de direção que deixa alguém preso do lado errado do corredor, com a parede perto demais e a arma alta demais.
Cama desfeita e telefone
Cedo, o lado de casa entra por uma fresta com cama desfeita, telefone na mão e uma tentativa de contato que termina sem resposta. A filha adolescente está longe dele, e Cuda tenta se aproximar mesmo chegando tarde, com roupa amassada e a cabeça ainda na rua, como quem traz para dentro de casa a conta do trabalho noturno. Ele liga, espera, desliga e sai de novo, com a luz do quarto ficando acesa por pouco tempo antes do dia avançar.
À noite, o jovem que circula ao redor de Cuda aparece com ringue improvisado, luvas gastas e uma corda no chão marcando limite, ligado a lutas clandestinas e a pequenos serviços. A parceria entre os dois nasce em tarefa curta, treino, recado no ouvido e cobrança dentro do carro, e qualquer desencontro vira atraso no ponto combinado, com minutos queimados olhando a rua e conferindo o telefone. Quando precisam agir em dupla, um erro de timing faz o outro rodar mais quarteirões, gastar mais gasolina e voltar a bater em mais portas.
No dia seguinte, a cidade vira mapa de trabalho com letreiro de boate, estrada molhada e celular vibrando no bolso chamando para mais uma saída, e o assunto do tráfico de mulheres entra como urgência que empurra decisão no ato. Cuda escolhe continuar indo contra a própria organização e paga com mais deslocamento, mais portas forçadas e mais corredores em que precisa entrar primeiro, com o corpo exposto. Perto da meia-noite, quem assistiu encosta o controle na mesa, bebe água, deixa o copo na pia e apaga a luz olhando o relógio passar da hora.
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