“Querido John” acompanha John Tyree (Channing Tatum), um jovem soldado que vive entre duas lealdades difíceis de conciliar: o compromisso com o Exército e a responsabilidade constante com o pai, vivido por Richard Jenkins. Durante um período de licença, ele conhece Savannah Curtis (Amanda Seyfried), uma universitária dedicada ao voluntariado, de postura reservada e valores bem definidos. O encontro não nasce como fantasia romântica, mas como uma aposta consciente em algo que já começa com data para terminar.
John se aproxima com franqueza, oferecendo o pouco tempo que tem. Savannah aceita, mas impõe limites claros. Desde o início, a relação carrega um prazo, e o filme nunca esconde isso. O romance se constrói em dias contados, encontros planejados e promessas feitas sob a pressão do calendário militar. O obstáculo não é um vilão externo, mas a própria rotina que John não controla.
Quando a distância se impõe, cartas passam a ser o principal elo entre eles. John escreve para manter presença, Savannah responde para preservar o vínculo. A troca funciona enquanto o ritmo se mantém, mas qualquer atraso pesa. O filme é honesto ao mostrar como a espera desgasta mais do que o conflito direto. Amar, aqui, exige paciência prática, não apenas sentimento.
O pai de John ocupa um espaço central nessa equação. Interpretado com contenção e afeto por Richard Jenkins, ele exige cuidados constantes e limita a liberdade do filho. Savannah se aproxima desse cotidiano e entende, na prática, que amar John também significa aceitar essa responsabilidade. O filme ganha força nesses momentos domésticos, quando o romance precisa dividir espaço com obrigações reais.
A cada retorno de John em novas licenças, a relação tenta se reorganizar. Nada recomeça do zero. Decisões tomadas durante a ausência cobram preço nos reencontros, e o tempo nunca joga a favor. A direção de Lasse Hallström opta por não dramatizar excessivamente esses intervalos, deixando claro que o que importa são as consequências acumuladas.
Channing Tatum entrega um John contido, mais vulnerável do que heroico, enquanto Amanda Seyfried constrói uma Savannah firme, que não romantiza a espera. A química entre os dois funciona justamente porque não promete soluções fáceis. “Querido John” entende que o amor, quando atravessado por dever, distância e família, depende menos de intensidade e mais de escolhas difíceis feitas no silêncio.
O filme se sustenta por essa honestidade emocional. Não vende ilusões nem atalhos. Mostra um romance possível, mas caro, em que cada gesto tem peso e nenhuma decisão vem sem custo.
★★★★★★★★★★



