Discover
Filme de ação para pessoas inteligentes acaba de chegar na Netflix Divulgação / Columbia Pictures

Filme de ação para pessoas inteligentes acaba de chegar na Netflix

Em “007 Contra o Spectre” (2015), Sam Mendes coloca James Bond novamente em movimento a partir de algo íntimo: uma mensagem do passado que ninguém mais parece levar a sério. É Daniel Craig quem assume esse impulso inicial, dando ao agente um ar menos protocolar e mais desconfiado, quase como alguém que já viu demais para aceitar ordens sem fazer perguntas. A partir daí, Bond decide agir por conta própria, mesmo sabendo que isso pode custar sua posição.

A investigação começa de forma direta. Bond segue pistas soltas, contatos antigos e rastros que apontam para a possível existência da SPECTRE, uma organização que opera nas sombras e parece atravessar diferentes instâncias de poder. O problema é que, enquanto ele avança, a estrutura oficial começa a fechar portas. M (Ralph Fiennes) tenta manter controle sobre a agência em meio a mudanças internas, e isso transforma Bond em um agente cada vez mais isolado. Ele continua porque acredita que parar agora significaria perder algo maior do que um cargo.

Nesse cenário entra Madeleine Swann (Léa Seydoux), que não surge como mera companhia, mas como alguém que oferece acesso emocional e informações que não passam por arquivos ou sistemas oficiais. A relação entre ela e Bond cresce com cautela. Ele aposta nessa aproximação porque ela encurta caminhos, mas isso também amplia riscos. Cada passo juntos cobra um preço prático, seja em exposição, seja em perda de margem de manobra.

Do outro lado está Franz Oberhauser (Christoph Waltz), apresentado como uma presença que organiza o caos sem precisar se explicar demais. O personagem funciona menos pelo que diz e mais pelo que provoca: bloqueios, recuos e ameaças constantes à investigação. Bond tenta diminuir essa distância avançando, mas sempre encontra algum tipo de interdição. “007 Contra o Spectre” deixa claro que não se trata apenas de força física, mas de controle de informação e acesso.

Sam Mendes conduz tudo com um ritmo calculado. Algumas informações são seguradas, outras aparecem no momento exato para pressionar decisões. Isso mantém o suspense ativo sem transformar a história em um quebra-cabeça confuso. Há também pequenos momentos de humor seco, quase burocrático, que aliviam a tensão por instantes antes de o risco voltar a crescer.

“007 Contra o Spectre” trata a ação como consequência de escolhas. Bond não reage por reflexo; ele decide, insiste e paga por isso. Daniel Craig sustenta bem esse agente mais cansado, mas ainda obstinado, alguém que segue em frente mesmo quando tudo ao redor sinaliza recuo. Sem reinventar a franquia, o filme tenta amarrar pontas, dar peso ao passado e reposicionar seu protagonista para o que vem depois, mantendo a história sempre em movimento e evitando explicações fáceis.

Filme: 007 Contra o Spectre
Diretor: Sam Mendes
Ano: 2015
Gênero: Ação/Aventura/Suspense
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.