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Drama criminal de Luca Guadagnino com Julia Roberts, no Prime Video, vai te fazer engolir as próprias certezas Divulgação / Amazon MGM Studios

Drama criminal de Luca Guadagnino com Julia Roberts, no Prime Video, vai te fazer engolir as próprias certezas

“Depois da Caçada” acompanha Alma Olsson (Julia Roberts), professora respeitada e figura central em seu departamento, quando uma acusação feita por Maggie Price (Ayo Edebiri), aluna carismática e muito visível no campus, muda o clima da universidade. O alvo direto é Henrik Gibson (Andrew Garfield), colega de Alma e presença influente no mesmo ambiente acadêmico. O conflito se instala de forma imediata: Alma precisa decidir como agir dentro de uma instituição que prefere cautela, enquanto observa sua posição começar a oscilar.

A universidade passa a funcionar como um espaço de negociação constante. Alma tenta preservar acesso aos canais internos e manter algum controle sobre o processo informal que se forma ao redor da acusação. O problema é que os protocolos não oferecem respostas rápidas, e o silêncio institucional vira obstáculo. Cada reunião, cada conversa interrompida, altera o equilíbrio de forças. O efeito é concreto: prazos implícitos surgem, e a margem de erro diminui visivelmente.

Maggie, interpretada por Ayo Edebiri, ocupa uma posição estratégica desde o início. Sua popularidade dá peso às palavras e acelera reações. Isso força Alma a recuar em declarações públicas e a medir cada gesto. A autoridade da professora, antes estável, passa a depender de como ela administra riscos e exposições. O resultado prático é a perda de autonomia: decisões agora são observadas, comentadas e reinterpretadas.

Relações sob pressão

Henrik, vivido por Andrew Garfield, entra como elemento de tensão contínua. Sua relação profissional com Alma coloca a protagonista em uma encruzilhada clara, onde qualquer movimento pode ser lido como alinhamento ou traição. O filme evita confrontos diretos e prefere mostrar o desgaste progressivo. Conversas privadas ganham peso político, e alianças se tornam frágeis. A consequência é a redistribuição silenciosa de autoridade dentro do campus.

Enquanto tenta lidar com o presente, Alma percebe que aspectos de seu próprio passado podem interferir na forma como é vista e ouvida. Isso não surge como revelação explícita, mas como risco latente, algo que limita escolhas e amplia o custo de errar. Guadagnino alonga esses momentos de espera, fazendo com que a tensão venha menos do que é dito e mais do que é evitado. O efeito é um estado constante de vigilância.

Humor seco e humanidade

Mesmo sob pressão, o filme encontra espaço para um humor discreto, quase constrangido, que nasce de formalidades excessivas e tentativas frustradas de normalidade. São momentos breves, mas eficazes, que humanizam os personagens sem aliviar o peso da situação. Cada tentativa de leveza cobra seu preço logo depois, reforçando a sensação de instabilidade.

Sem recorrer a grandes discursos, “Depois da Caçada” constrói seu suspense a partir de decisões práticas e consequências claras. Alma precisa agir dentro de limites estreitos, consciente do que pode perder a cada passo. O filme avança mostrando como reputações são negociadas em silêncio e como o poder, ali, se manifesta mais pelo controle do tempo do que pela força explícita. O que fica é a impressão de um conflito ainda em curso, onde nada é simples e tudo tem custo.

Filme: Depois da Caçada
Diretor: Luca Guadagnino
Ano: 2025
Gênero: Crime/Drama/Suspense
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★