“Intenções Cruéis” acompanha Olivia (Madelaine Petsch), uma jovem extremamente focada em entrar na faculdade dos sonhos e que vê seus planos desmoronarem quando o tão esperado aceite não vem. A frustração, somada a crises de ansiedade e ataques de pânico, empurra Olivia para um caminho perigoso: a tentativa desesperada de retomar o controle da própria narrativa usando as redes sociais como arma.
Petsch sustenta bem essa espiral emocional, construindo uma personagem que não é fácil de gostar, mas que é compreensível. Olivia erra, exagera e cruza limites, mas o filme faz questão de mostrar que suas ações nascem de pressão constante, comparação e medo de fracassar. Ao seu redor, a presença firme de Melissa Leo, como a diretora Rhodes, funciona como contraponto adulto e institucional, alguém que observa, impõe regras e tenta conter o estrago antes que ele se torne irreversível.
A dinâmica entre Olivia e seus colegas, especialmente Izzy, vivida por Chloe Bailey, expõe como decisões impulsivas no ambiente digital contaminam relações reais. Confiança se quebra rápido, alianças se desfazem e a sensação de isolamento cresce, criando um clima de tensão constante que sustenta o suspense sem precisar recorrer a exageros.
Dirigido por Sabrina Jaglom, o filme acerta ao tratar a ansiedade e a obsessão por desempenho de forma direta, sem glamourizar o colapso emocional. “Intenções Cruéis” funciona menos como um thriller tradicional e mais como um retrato desconfortável de uma geração treinada para performar sucesso o tempo todo. É um filme incômodo, às vezes duro, mas eficaz ao mostrar que cada ação online tem peso, custo e consequências muito concretas fora da tela.
★★★★★★★★★★


