“A Bruxa de Blair” acompanha Heather (Heather Donahue), Mike (Michael C. Williams) e Josh (Joshua Leonard), três estudantes de cinema que entram numa floresta de Maryland para filmar um documentário sobre uma lenda local. O plano é simples, quase ingênuo: entrevistar moradores, registrar o ambiente e voltar para casa com um trabalho acadêmico sólido. O problema é que, assim que deixam a cidade para trás, tudo o que parecia organizado começa a desandar de forma silenciosa e progressiva.
Heather assume naturalmente a liderança, segura a câmera como quem tenta manter algum controle e insiste em seguir o projeto até o fim. Mike, mais pragmático, passa a se preocupar com rotas, tempo e sobrevivência básica. Josh fica no meio do fogo cruzado, tentando aliviar o clima e manter o grupo unido. O filme cresce justamente nesse atrito cotidiano: decisões pequenas, discussões banais e escolhas que, somadas, tornam o caminho cada vez mais pesado.
O terror não vem de sustos óbvios nem de explicações fáceis. Ele surge do desgaste, da repetição, da sensação de estar sempre andando e nunca chegando. A floresta vira um espaço opressor porque não oferece respostas, e os personagens começam a desconfiar não só do ambiente, mas uns dos outros. A câmera, que deveria ser uma aliada, passa a expor fragilidades e erros, criando uma intimidade desconfortável com quem assiste.
A revolução do filme está em transformar algo simples em uma experiência sufocante. A atuação dos três é crua, muitas vezes desconfortável, mas justamente por isso convincente. Não há heróis nem grandes discursos, apenas pessoas comuns lidando mal com uma situação que saiu do controle. “A Bruxa de Blair” funciona porque parece real demais, próxima demais, e porque entende que o medo mais duradouro não é o que salta na tela, mas o que se arrasta, dia após dia, sem dar alívio.
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