“Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” começa com uma decisão simples e arriscada: o parque foi reaberto e precisa se manter interessante. Visitantes circulam como consumidores experientes, atrações são medidas por impacto e a rotina é guiada por números. Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), responsável pela operação, administra o local com frieza corporativa, autorizando ajustes rápidos sempre que a atenção do público ameaça cair. Tudo funciona, ao menos no papel. O problema surge quando o entretenimento exige algo maior, mais agressivo e impossível de prever. A partir daí, o parque deixa de ser vitrine e passa a ser teste de resistência.
Owen Grady (Chris Pratt) entra na equação como alguém que conhece limites práticos. Ele observa comportamentos, recua quando necessário e desconfia da ideia de controle absoluto. Essa tensão entre gestão e experiência real sustenta boa parte do filme. Cada decisão administrativa tenta conter riscos sem interromper o fluxo de visitantes, e esse atraso constante cobra um preço. O roteiro é claro ao mostrar que protocolos existem para funcionar em condições ideais, não quando o imprevisto decide ditar o ritmo.
O parque, antes organizado por setores, mapas e trajetos automáticos, se transforma em um espaço instável. O que era passeio vira deslocamento tenso. Crianças circulam fora do planejamento, adultos improvisam escolhas, e a noção de segurança se dissolve rapidamente. O filme evita discursos e prefere mostrar ações: portas que fecham tarde demais, ordens que chegam incompletas, caminhos pensados para encantar que não servem para escapar. O efeito é direto e mantém a narrativa em movimento constante.
Ação acima da nostalgia
Colin Trevorrow dirige com foco no presente, não na reverência. Há ecos do filme original, mas eles não comandam a trama. O interesse está em ritmo, escala e impacto visual. A ação é organizada para ser compreensível, sem excesso de explicações, e a câmera acompanha escolhas práticas, não reflexões longas. Quando o humor aparece, surge como reação nervosa ao caos, não como piada isolada. Funciona porque alivia sem quebrar a tensão.
“Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” não tenta reinventar a franquia nem aprofundar debates científicos. Sua força está em assumir o próprio tamanho: um filme de aventura que entende o apelo do excesso e o custo dele. Ao priorizar decisões, erros e consequências imediatas, o longa se mantém ágil e consciente do que quer entregar. No fim das contas, é um entretenimento eficiente que sabe que controlar tudo é uma ilusão, especialmente quando o espetáculo nunca pode parar.
★★★★★★★★★★




