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A música atual como impacto negativo na formação de crianças e jovens

A música atual como impacto negativo na formação de crianças e jovens

A mediocridade da música contemporânea não é um fenômeno casual, mas o resultado de uma convergência deliberada entre tecnologia, psicologia comportamental e interesses econômicos que moldaram o que ouvimos hoje. Nas últimas três décadas, testemunhamos um declínio acentuado na complexidade melódica e lírica, em que a simplificação da música popular soterrou a inovação em favor de melodias previsíveis e sequências de acordes repetitivos, desenhadas especificamente para criar um vício auditivo imediato: o chamado efeito chiclete. Esse empobrecimento se estende às letras, hoje povoadas por vocabulário monossilábico, onomatopeias e refrãos exaustivos, que dispensam qualquer esforço de interpretação ou profundidade intelectual. Toda essa decadência artística favoreceu o surgimento dos sistemas de streaming, cuja lógica algorítmica exige que a atenção do espectador seja fisgada nos primeiros trinta segundos, fazendo desaparecer as introduções elaboradas e as ricas composições instrumentais que marcaram épocas passadas. É fundamental compreender que a música não é apenas entretenimento, mas um poderoso instrumento de socialização e educação; quando ela se torna um produto de massa sem compromisso com a qualidade, passa a focar exclusivamente em conteúdos superficiais que promovem riscos graves à formação de crianças e jovens.

Educadores sérios apontam para o fenômeno da hipersexualização precoce, em que letras vulgares expõem crianças a conceitos adultos sexualizados de forma direta, ignorando as etapas fundamentais do desenvolvimento infantil e ensinando que o ter é superior ao ser. Essa glamourização do materialismo, da violência e de comportamentos de risco molda negativamente o caráter e os valores morais de uma geração em fase de formação. O consumo dessa música descartável desabilita o ouvido e a mente, impedindo a apreciação de obras complexas, como a música clássica, o jazz ou o rock progressivo, e limitando drasticamente o repertório cultural do indivíduo. Fica claro que essa queda de qualidade é uma estratégia mercadológica, pois tais composições são infinitamente mais fáceis de produzir em massa e de consumir passivamente, consolidando a deseducação como um modelo de negócio lucrativo.

O que chega ao topo das paradas hoje raramente reflete o ápice da capacidade criativa humana, focando em frequências graves que geram respostas físicas imediatas, em substituição ao intelecto, enquanto corretores de voz removem a humanidade do canto, criando uma sonoridade robótica que desaprende a distinguir timbres naturais. Com músicas cada vez mais curtas para gerar mais lucros por reprodução, criamos uma geração que sente tédio diante de qualquer estímulo que exija atenção e concentração. A pobreza cultural de gêneros como o sertanejo universitário, o reggaeton e o drill se apoia nos pilares do consumo e do ego, substituindo o romantismo pela transação e as metáforas ricas por gírias ilógicas, que limitam a expressão dos sentimentos. Enquanto a música estruturada treina o cérebro para a paciência e a recompensa tardia, a música atual entrega gratificação instantânea, resultando em dificuldades reais de aprendizado e esforço mental. Portanto, a exposição contínua a essa previsibilidade torna o cérebro preguiçoso e leva-o a aceitar o medíocre como excelência.

Aos pais e aos jovens, fica o alerta: a música dos algoritmos não expande mentes; ela coloniza o tempo. Em um mundo em que tudo é descartável, ter profundidade é a maior das revoluções; não aceite o fast-food sonoro nem a lobotomia musical, que reduz seres humanos a objetos. O seu ouvido é um território sagrado, e a diferença entre uma mente brilhante e uma mente comum reside, invariavelmente, na qualidade da trilha sonora que ela escolhe para crescer e entender o mundo.