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Drama romântico dos anos 90 com Angela Bassett e Whitney Houston, na Netflix, observa a vida adulta quando o amor deixa de ser simples Divulgação / Twentieth Century Fox

Drama romântico dos anos 90 com Angela Bassett e Whitney Houston, na Netflix, observa a vida adulta quando o amor deixa de ser simples

“Falando de Amor”, dirigido por Forest Whitaker e estrelado por Whitney Houston, Angela Bassett e Loretta Devine, fala sobre como manter uma amizade viva quando as escolhas pessoais começam a puxar cada uma para um lado diferente. Os encontros entre as quatro funcionam como pontos de checagem da vida adulta, onde decisões recentes são colocadas à mesa e imediatamente tensionadas. O problema surge quando parceiros, filhos e trabalho ocupam o espaço antes reservado ao grupo. O efeito aparece rápido: menos encontros, mais desencontros e acordos que precisam ser refeitos.

Elas tentam sustentar o vínculo com telefonemas, visitas rápidas e encontros marcados com antecedência. Cada gesto busca apoio concreto, não grandes discursos. Quando uma decide investir no casamento, outra se fecha para proteger a própria carreira. A amizade absorve o impacto, mas paga o preço em frustrações acumuladas e expectativas que deixam de ser atendidas.

Casamentos que deslocam alianças

Os relacionamentos amorosos entram como forças que reorganizam tudo ao redor. Permanecer, sair ou insistir em um casamento gera consequências imediatas sobre casa, dinheiro e autonomia. Uma aposta na reconciliação exige abrir mão de controle; outra escolha pela separação corta acessos que antes pareciam garantidos. O obstáculo não é abstrato: são contas, horários e a opinião de quem observa de perto. O resultado aparece em mudanças de endereço, novos limites e perda de influência dentro do próprio círculo.

O humor surge nessas tentativas de manter o clima leve. Comentários irônicos e risadas em encontros sociais expõem tensões que ninguém consegue esconder por muito tempo. A graça dura pouco e cobra um pedágio social: alguém se sente exposta, outra perde espaço na conversa. O efeito é imediato e altera o equilíbrio do grupo.

Trabalho como escudo e pressão

O trabalho funciona tanto como proteção quanto como fonte de desgaste. Promoções prometem segurança, mas exigem presença total; recuos preservam tempo, mas apertam o orçamento. As personagens aceitam tarefas, recusam convites e renegociam horários para manter algum controle sobre a própria vida. O obstáculo é sempre o mesmo: não dá para estar em todos os lugares. A consequência se mede em viagens feitas ou canceladas, rendas alteradas e dependências que se criam.

A narrativa às vezes segura informações, alongando a espera por respostas, ou corta conversas antes do conforto. Ele não diz, mas deixa claro que certas decisões já produziram efeito, ou melhor, que a conta chega antes mesmo de alguém admitir a escolha feita. O tempo vira pressão constante, reduzindo margens de erro.

Risos que revelam fissuras

A comédia aparece quando o grupo tenta fingir normalidade. Almoços e reuniões servem para testar acordos frágeis. Basta alguém desviar do combinado para o clima mudar. O riso some, surgem silêncios e despedidas apressadas. O custo social é visível: convites deixam de vir, mensagens ficam sem resposta e o acesso ao apoio diminui.

Reaproximações possíveis

Quando as trajetórias se afastam demais, a amizade é retomada de forma prática. O contato volta para resolver problemas específicos, não para reafirmar promessas. O impedimento é o desgaste acumulado; a confiança precisa ser reconstruída no gesto, não na fala. O efeito aparece em pequenas concessões, presença em momentos difíceis e acordos silenciosos.

Filme: Falando de Amor
Diretor: Forest Wither
Ano: 1995
Gênero: Comédia/Drama/Romance
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★