O passado é uma fonte em que cada qual bebe conforme a sede

Nos dias de hoje, quando se fala em inovação a gente logo se lembra de alguma geringonça eletrônica, de alguma ferramenta esperta assentada nos conceitos de informática, comunicação e computação eletrônica. O mundo virtual já se tornou tão presente na vida contemporânea que muitas vezes temos dificuldades em entender se alguma coisa é de existência de fato ou meramente virtual. O credito de seu cartão, por exemplo, é de natureza real ou virtual?

Saudade até do que era pra ser e não foi

Minha geração tem um cacoete: quem não morreu ficou velho. Mas não pense que minha geração é dessas que passam pela vida impunemente. Não. Minha geração é bicho feral. Minha geração disse a que veio. Não apenas disse, mas fez o que prometeu fazer: mudar o mundo. Olhe que não é uma tarefinha à-toa do tipo construir uma Transamazônica ou uma Ferrovia Note-Sul, que são obras de vulto, mas têm, até certo ponto, apenas impacto local. A nossa geração é maior: veio para mudar o mundo. E aprontou.

21 propostas para o Conselho que autorizou a compra da Refinaria de Pasadena

Em 2006, O Conselho de Administração da Petrobras, presidida pela então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, autorizou a empresa a comprar uma refinaria sucateada em Pasadena, na Califórnia (USA), por um valor astronômico, que no final chegou a mais de 1,3 bilhão de dólares. Sendo que a tal refinaria havia sido trocada de mãos um ano antes por meros 42 milhões de dólares.

Deus não nos salvará; mas morrerá conosco

Segundo a hipótese mais aceita nos meios científicos, a vida teria surgido há cerca de 3,5 bilhões de anos, possivelmente em algum lugar da Terra. Ou mesmo em algum planeta de um sistema próximo (em termos cosmológicos) e pode ter vindo parar aqui na garupa de estilhaços retirados de algum corpo celeste por cataclismos de dimensões interestelares. Deduz-se que a vida começou em um ambiente singular, cujas características o Homo sapiens ainda não logrou reconstituir e entabular uns serezinhos animados para concorrer aos já existentes.

100 coisas triviais para fazer em 2014

2014 tem tudo para ser melhor do que o ano de 2013. Principalmente se olharmos para o ano novo com o espírito de Natal. Pelo que nos dizem os comerciais, as homilias, os votos dos amigos, as mensagens dos políticos. Pelo sentimento de harmonia que nos toma nesta época, pelas baterias existenciais recarregadas que sentimos, 2014 realmente tem tudo para ser um ano eu vai ficar na história. Claro que grau de satisfação com o ano que vem vai depender muito de nossas atitudes. Por isso a Revista Bula lista coisas triviais, nada extraordinárias, que podem ajudar você a se sentir mais realizado em 2014.

Os números governam o mundo

O mês de agosto do ano que vem terá características prodigiosas: dele constarão cinco sextas-feiras, cinco sábados e cinco domingos. Segundo os versados em calendários, essa conjunção de fatores ocorre somente a cada 823 anos. Portanto, nós que estamos passando pela aventura de viver nos tempos de hoje, jamais teremos a oportunidade de presenciar esse fenômeno outra vez.

Toda autoridade pública deveria ter amante

Amante é mais do que qualquer procuradoria ou controladoria; é uma espécie de achadoria combinada com delatoria. Sem contar que o camarada quando tem amante fica mais cauteloso. Evita praticar certos golpes contra a administração pública porque sabe que a amante está de olho full time. Mas se o tal agente mete a mão no erário assim mesmo, a amante logo vai reivindicar o quinhão de que ela se acha no direito. E vai reivindicar numa proporção maior do que o agente acha razoável.

Merquior tinha razão: Caetano é mesmo um pseudo-intelectual do miolo mole

O chato mesmo de ficar velho é ver os nossos ídolos virarem massa de pastel. Sim. Meus ídolos, os ídolos da minha geração viraram massa de pastel. E é de pastelão de rodoviária, daqueles embrejados de gordura. Pensando bem, os ídolos deveriam morrer jovens. Todos morrendo jovens, assim como Castro Alves, Rimbaud, James Dean e Garcia Lorca. Para não dar tempo de desfazer o que fez. Para não virar massa de pastel diante de seus admiradores.

Eike Batista: o orgasmo de torrar 34 bilhões de dólares

Foi um fenômeno transcendental. Sobretudo para quem não é muito ligado nas fofocas do mundo corporativo, para quem não é assinante Você S/A (espécie de “Contigo” para executivos), ver surgir de uma hora pra outra uma fortuna tão prodigiosa, como a de Eike Batista. Principalmente num país como o nosso em que os ricos de nosso ciclo de relacionamento normalmente quebram quando batem o carro (se não têm seguro).

Motivos banais para ser feliz

O senso comum, os livros de auto-ajuda, a maioria das ciências sociais, como a política e a psicologia, e até mesmo as religiões sustentam que o bicho humano tem vocação para ser feliz. Talvez seja essa uma das superstições mais bem disseminadas e sem contestação nos dias de hoje. Na verdade é muito cômodo, simpático e agradável concordar e agir como se todos nós fôssemos dotados do temperamento de ser feliz. Além de que a crença de que podemos alcançar um estado de felicidade na vida nos impulsiona a todos e sustenta a grande indústria do mundo, nos seus aspectos mais vorazes de produção e consumo.

Não há um lar tão pobre que não tenha televisão; já o livro…

A televisão foi disseminada a tal ponto que não há uma casa neste país que seja tão pobre que não tenha uma televisão. Já o livro é um objeto extremamente escasso. Até em casa de classe média os livros que existem são desviados para peças de decoração. Pode haver livro, mas não há efetivamente leitura. E, quando se lê, é autoajuda ou manual de instalação. Quando muito. O hábito da leitura lamentavelmente ainda não conseguiu inserir-se no cardápio dos valores da nação brasileira.

A teoria de Darwin aplicada às popozudas

O capitalismo turbinado vigente, em que as pessoas são cegamente submetidas às leis do mercado, é uma espécie de sociedade darwinista. Ou seja, vigora a lei do mais apto. O filósofo Herbert Spencer, não sei se por ignorância ou por pura má-fé, adaptou o princípio da “lei do mais apto” para a “lei do mais forte” e ajudou a dar sustentação ideológica ao Nazismo de Hitler, com sua superstição de raça superior ariana.

Estão lixando a nossa alma enquanto a gente se diverte

A tentação do consumo, esse desejo que nos faz consumir não para viver, mas viver para consumir; a razão que nos leva a comprar uma roupa não para nos agasalhar, mas para humilhar o próximo que não pode ter uma roupa de grife, nos corrói as fibras do coração e boa parte de nossa alegria de viver sem malícia. Não somos nós que escolhemos as marcas; mas as marcas que nos escolhem. E ainda achamos bonito que isso seja chamado de “liberdade de escolha”.

Deu febre? Quebre o termômetro!

A todo instante os veículos de comunicação de massa despejam cachoeiras de notícias em nossos lares sobre os desastres do clima ao redor do mundo. São nevascas glaciais, chuvas despejadas provocando enchentes diluvianas, montanhas que surfam ladeira abaixo arrastando tudo o que há pela frente, regiões assoladas pela seca, incêndios descontrolados, ventanias descomunais, derretimento das calotas polares, morte coletiva de corais, proliferação de algas venenosas, desertificações de áreas agricultáveis, desaparecimentos de elos da cadeia ecológica.

100 desculpas ou mentiras triviais

Não há na rotina das pessoas algo mais presente e verdadeiro do que as pequenas mentiras em forma de desculpas. Ou as grandes desculpas em forma de pequenas mentiras.  Se alguém se metesse a dizer a verdade, nada mais que a verdade, em todas as circunstâncias da vida, é 100% certo de que não teria a menor chance de sobrevida. A mentira é o azeite que faz a engrenagem social deslizar com o menor atrito possível. E para você sobreviver bem, aí vão 100 sugestões de mentiras e desculpas.

O Brasil é de cima a baixo um enorme canteiro de gambiarras, guaribas e puxadinhos

É comum em nosso País construir-se uma casa sem planta, sem projeto, sem alvará, sem o recolhimento dos encargos sociais e, por fim, sem as devidas averbações cartorárias. Quando vai vendê-la, principalmente se há financiamento habitacional na transação, é quando o proprietário “descobre” que, para realizar a venda será preciso providenciar uma série de documentos. Aí começa um procedimento tortuoso e intempestivo, pois se tratam de documentos que, em tese, deveriam preceder o início da obra.

A inteligência engraxa as botas da estupidez

Quem trabalha como assessor de um executivo, de uma autoridade, seja pública, seja privada, em algum momento, cedo ou tarde, terá a sensação de ser mais inteligente do que o chefe. Não raro este sentimento é sufocado pela ideia um tanto lógica de que se o assessor fosse de fato mais inteligente, por certo o assessor seria chefe, e o chefe seria o assessor. E estamos falados. 

Tudo que é sólido desmancha no ar?

Todo mundo sabe que esse alvoroço da população que avassala as autoridades começou em protesto a um acréscimo de 20 centavos no preço dos passes do transporte urbano. Todo mundo sabe, mas ninguém acredita. Ninguém dá conta de entender como uma merreca de 20 centavos possa causar tamanha revolta e euforia numa população que sempre foi tratada como frouxa e sem noção. Pode ser que continue a ser tratada como sem noção, mas como frouxa, nunca mais.

Levante contra as mazelas de um país vagabundo

Esta crônica é uma tentativa, com o risco dos enganos de praxe, de listar algumas razões pelas quais estourou esse movimento ruidoso, supostamente contra o reajuste das passagens de ônibus urbanos. Não houve identificação pela imprensa, nem pelos órgãos de inteligência do governo de que uma revolta latente estava prestes as explodir. Se alguém identificou, não foi divulgado, nem foram tomadas as providências necessárias para minimizar os danos materiais causados pelo movimento.

Nem com Tiro aprendemos a lição

Três mil anos depois e o Brasil não aprendeu a lição. Há várias passagens do Velho Testamento que dão conta de um rei longevo chamado Hiram, que governou Tiro, na antiga Fenícia (hoje no Líbano) por 34 anos. Seu governo (969-935 a.c) coincidiu parte com Davi e parte com Salomão, reis de Israel, o grande Império da época.

No início do reinado, o rei Hiram, juntamente com seus técnicos, fez um estudo minucioso das potencialidades do pequeno reino.