Quem compra vinho português com alguma frequência acaba criando um pequeno mapa de confiança. Reconhece um produtor, lembra de uma garrafa que funcionou no almoço e volta à mesma prateleira. Douro e Alentejo oferecem motivos de sobra para esse hábito. O problema começa quando a familiaridade passa a decidir todas as compras.
Esta seleção propõe cinco desvios, pelo Dão, pela Bairrada, pelo Tejo, por Lisboa e pela Península de Setúbal. São três tintos e dois brancos, escolhidos para apresentar perfis diferentes dentro de uma faixa de preço próxima. As descrições se apoiam nas informações dos produtores e do importador; as harmonizações são sugestões para levar os vinhos à mesa.
Cabriz Colheita Selecionada Tinto

O Cabriz abre o percurso com um tinto que dá espaço à fruta e à maciez. Na ficha técnica de 2022, a Global Wines descreve frutas vermelhas, lembranças de geleia e um toque de especiarias, com textura sedosa. Entra na seleção como uma primeira aproximação ao Dão, especialmente para quem procura um vinho para acompanhar a refeição e prefere começar por um perfil frutado.
Produtor
Global Wines
Uvas
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro
Sugestão de harmonização
Frango assado com ervas, massa ao molho de tomate ou lombo suíno.
Marquês de Marialva Colheita Selecionada Tinto

Aqui aparece a Baga, acompanhada de Aragonez e Touriga Nacional. O corte oferece uma maneira de conhecer a uva em companhia, antes de procurar uma garrafa feita exclusivamente com ela. A Adega de Cantanhede descreve um tinto de frutas vermelhas maduras e cassis, com notas discretas de tostado e um paladar macio, mas estruturado. É a escolha da lista para colocar ao lado de um assado e deixar a conversa seguir.
Produtor
Adega de Cantanhede
Uvas
Baga, Aragonez e Touriga Nacional
Sugestão de harmonização
Carne assada, linguiça na brasa ou queijo curado.
Quinta da Alorna Branco

O Tejo entra pela taça de branco. A Quinta da Alorna reúne duas castas portuguesas, Arinto e Fernão Pires, à Sauvignon Blanc, numa combinação que o importador descreve com aromas suaves de frutas tropicais, boa acidez e sensação arredondada na boca. É essa combinação de frescor e maciez que justifica a escolha. Para experimentá-lo à mesa, vale começar por um peixe grelhado, com acompanhamentos simples.
Produtor
Quinta da Alorna
Uvas
Arinto, Fernão Pires e Sauvignon Blanc
Sugestão de harmonização
Peixe grelhado, arroz de camarão ou salada com frango.
Colossal Reserva Tinto

O Colossal ocupa o lugar de perfil mais concentrado desta seleção. A Casa Santos Lima informa um estágio de oito meses em carvalho francês e americano e descreve fruta madura, ameixa, amora e especiarias. A presença da Syrah ao lado das castas portuguesas também muda o percurso em relação aos dois primeiros tintos. Para quem gosta desse conjunto de fruta e madeira, é uma opção a considerar com pratos de sabor mais intenso.
Produtor
Casa Santos Lima
Uvas
Syrah, Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Tinta Roriz
Sugestão de harmonização
Costela assada, ragù de carne ou cogumelos preparados na manteiga.
João Pires Branco

A flor de laranjeira é a pista para reconhecer o João Pires. Elaborado com Moscatel de Setúbal, o branco da José Maria da Fonseca tem nas notas florais uma de suas marcas, segundo o produtor, que também destaca o frescor. Ao lado do Quinta da Alorna, permite comparar duas propostas de branco português. É uma escolha para quem dá importância ao aroma e gosta de perceber o vinho antes do primeiro gole.
Produtor
José Maria da Fonseca
Uvas
Moscatel de Setúbal
Sugestão de harmonização
Peixe assado, camarões salteados ou saladas com frutos do mar.

