Autor: Eberth Vêncio

Eu gosto de ler Paulo Coelho, de tomar injeção e de comer jiló

Eu gosto de ler Paulo Coelho, de tomar injeção e de comer jiló

Eu gosto também de me resfriar com as chuvas de verão. Gosto da coriza, dos 40 graus de febre, de curtir ressaca brava e de preparar fumegantes chás de boldo. De amarga, já basta a vida? Ao contrário das seriemas e do resto da humanidade, eu gosto das cobras (porque, como eu, elas engolem sapos). Eu gosto de votar em políticos que adesivam o meu carro com fotos, números e slogans, que encham semanalmente o tanque de gasolina, e que coloquem créditos no meu aparelho celular. Eu gosto de acordar bem cedo no domingo e votar no primeiro candidato cretino que me venha à mente. Bom mesmo é vender o voto.

E se Deus for a mulher?

E se Deus for a mulher?

A multidão dolente desceu a duna pelo caminho mais fácil. Ele não. Ele tomou um tranco por trás desferido pela própria companheira — um golpe seco e preciso, mais conhecido como “alavanca dos cretinos” — fazendo com que rolasse feito um rocambole pelo íngreme paredão de areia, até se estatelar na praia, de barriga pra cima, braços e pernas abertos, largado. Enfim, o sujeito parecia uma estrela-do-mar morta de sede. A maré subia. O conceito com a esposa decrescia mais rápido que o cagar da gaivota no barquinho a deslizar no macio azul do mar.

Quanto mais envelheço, mais sinto fome de mim

Quanto mais envelheço, mais sinto fome de mim

Eu precisava evitar a lactose, o glúten, a gordura trans, e os transgênicos. É o que recomendam as bulas, o Doutor Dráuzio Varela, e as vizinhas. Prefiro mais engolir sapos do que seres humanos intragáveis. A transformação interior, uma vez iniciada, é um fenômeno quase sempre irreparável, algo que independe de dieta ou gula.

Chora, baby! Você está sendo filmado!

Chora, baby! Você está sendo filmado!

Os espetáculos de vexame animam o circo das mídias sociais. E há de um tudo nessa seara insana. Uma gata que não tem nada a dizer pagando sexo oral pro namorado — hoje, seu ex-namorado. Um padre flagrado com dízimo na batina. Um lunático dando um tiro no céu da boca. Um aleijado pulando a cerca com sua cadeira de rodas. Crianças em idade escolar fazendo sexo com marmanjos escolados em pedofilia. O Papa xingando puta-que-o-pariu numa tensa homilia reservada aos bispos do planeta.

As 10 melhores ‘pegadas’ do cinema em todos os tempos

As 10 melhores ‘pegadas’ do cinema em todos os tempos

Bandalheiras à parte, o departamento de zoofilia do Ministério da Saúde me enviou aquela piada da formiguinha e do elefante, juntamente com uma mensagem dentro de uma garrafa de tubaína — a coisa veio flutuando num lamaçal de denúncias federais — requisitando uma lista contagiosa com as 10 melhores “pegadas” do cinema em todos os tempos. Por motivos religiosos, econômicos e sanitários — nunca antes na história desse país se viu tanto ateísmo, empréstimos consignados e sífilis — deveriam ser evitadas as cenas de bola-gato e de sexo com animais políticos.

Não sou essa Coca-Cola toda que vocês estão pensando

Não sou essa Coca-Cola toda que vocês estão pensando

Eu pareço um bom moço. O meu português não é ruim. Essa vocação antiga para ser o ombro amigo de alguém ainda vai me quebrar o pescoço. Nunca tive um centímetro da pele tatuado num cais de porto. Portanto, sou uma criatura mais sem graça que o por do sol visto atrás das grades. São coisas que não somam. Quando escrevo, eu me esparramo aos cacos. Eu não sou tão bom assim quanto vocês imaginam, nem mesmo quando estou dormindo em pé nos cascos.