Os 10 maiores cantores da música popular brasileira em todos os tempos

Provocamos os nossos leitores a palpitarem quais seriam os 10 maiores cantores de música popular brasileira em todos os tempos. Para garantir a prolixidade da enquete, os critérios, além de confusos, foram inúmeros. Afinal, nossos leitores são espertos, diferenciados, ávidos como o cão, fissurados em polêmica. Para início de conversa, a pesquisa valia apenas para os cantores populares, de qualquer período da história, ambos os sexos, vivos ou mortos. O critério mais relevante dizia respeito à qualidade vocal em si: timbre, potência e técnica.

As promessas que eu faria pra ganhar seu coração

Prometo que as ruas serão, de novo, o playground da molecada. E digo mais: no que tange aos logradouros públicos, de maneira geral, prometo que todos os moradores de rua terão uma casa pra morar. Se isso não for possível, nós é que nos mudaremos para as ruas, a fim de finalmente sermos todos iguais perante a lei e a lira. Prometo que os beijos técnicos serão substituídos pelos beijos de língua, doa em quem doer.

Levanta, me serve um café, que o mundo acabou

Não importa o tamanho do regaço, eu vou é torcer pelo meteoro. Há milênios, os micróbios e as tempestades tentam (sem êxito) dar cabo da humanidade. Solidário aos malemolentes esforços da lama, eu aposto no cometa, na inexpugnável e desgovernada pedra fumegante que vai partir o planeta em pedacinhos, resolvendo de uma vez para sempre todos os dilemas do homem, como a fome de amor na África e a epidemia de banha nos Estados Unidos. Unidos venceremos? Às favas! Segue abaixo o melhor dos manuais para se destruir um mundo pior.

Chega de tanto mi-mi-mi. O amor perdeu, parceiro

Não me venham com essa história de “só o amor constrói”. Ontem mesmo, a balconista da vídeo-locadora em que sou cliente ajoelhou-se no asfalto escaldante — com aqueles joelhinhos bem torneados que até o papa aprovaria — e rezou com fervor ao seu algoz que só o amor construía, e blá-blá-blá, e ti-ti-ti, e assim mesmo levou um tiro na fuça que partiu o seu aparelho ortodôntico de linguinhas cor-de-rosa bem ao meio. Desde então, não consigo mais me imaginar locando os meus tradicionais três filmes tristes da semana sem pagar doze moedas praquela jovem criatura que ria à beça de qualquer coisa que eu falasse, até de política ou de uma sequela sifilítica.

De tão besta, esta crônica vai ficar sem título

O frisson que aquela mulher provocou nos homens durante a festa de aniversário do Toninho até hoje reverbera no sono e na sina de um quarteto de marmanjos claudicantes à beira da andropausa. Pensem numa mulher tão bonita de fazer gaguejar, de fazer perder a fala, de fazer inflar o falo, de fazer latir um fila, cuja nuca com tez de pêssego levava tatuada a seguinte recomendação em letras cursivas, garrafais: “Sonhe”.

As 10 mais importantes canções de rock da história da música

É óbvio que o rock não errou. No máximo, confundiu, provocou, tirou sarro, consumiu noites de sono de papais e mamães, interrompeu a inércia de políticos e burocratas de um status quo viciado em castração mental. Convencido de que Deus e o amor até que ajudam, mas, quem salva pra valer é a música (nesse caso, eu reverencio toda a boa música feita no mundo, inclusive, a brasileira), compilei as dez mais importantes, significativas, emblemáticas e transformadoras canções de rock dos últimos 60 anos.

Os 10 mais tristes filmes da história do cinema (um guia básico para homens que precisam aprender a chorar)

Frente ao frisson criado por causa do desmedido chororô da equipe canarinho dentro das quatro linhas, e às centenas de pareceres informais de psicólogos por todo o território nacional, eu achei conveniente compilar e indicar, não somente aos atletas durões desta e de outras Copas que ainda virão, mas aos homens de coração duro, uma lista com os 10 Mais Tristes Filmes da História do Cinema. Companheiros, tranquem a porta da sala, assistam aos filmes, saquem os seus lenços de seda, mas chorem com moderação.

Aperte o “C” para subir ao céu

A família é um mal necessário (esta frase não é minha, mesmo assim achei divertida, embora eu tenha crescido num núcleo familiar confortável e sem turbulências relevantes). Tanto assim que as crianças e adolescentes criados dentro de lares caóticos, onde o autoritarismo e a truculência grassam soltos, prefeririam, quem sabe, não dar qualquer tipo de presente. Aliás, eles certamente se sentiriam presenteados caso o Domingo dos Pais caísse direto numa segunda-feira, para que fossem levados logo cedo às escolas e tivessem um mínimo de paz e sossego.

Chico Buarque 70 anos: a entrevista que faltava

Chico estava muito bem humorado, afinal de contas, era um churrasco em comemoração aos seus 70 anos, e havia um sem número de amigos esparramados por todos os lados, exceto eu, um enxerido enviado especial da Revista Bula. Notei que ali no banco de reservas, enquanto Chico tratava o estiramento muscular, seria o momento ideal para iniciarmos a entrevista. O ídolo concordou. Brindamos com canecos de chope — aliás, um dos melhores anti-inflamatórios que se tem notícia no Rio de Janeiro, além da própria paisagem — e começamos o bate-papo. Vocês vão notar que a poesia não diz tudo, mas explica muita coisa.

Chico Buarque, 70 anos: as 10 canções fundamentais de um gênio da música

Na semana em que Chico Buarque completa 70 anos, a Revista Bula convocou os seus leitores para um atrevimento, uma diversão, uma homenagem dentre tantas que virão, a escolha de uma seleção musical para o justo tributo a uma joia da MPB: pedimos para que os nossos leitores elegessem, dentre centenas de composições estupendas, as dez melhores canções de Chico em todos os tempos, as essenciais, as mais belas, as que tocassem fundo na alma, um suposto repertório para Deus ouvir — caso Chico nele acreditasse — durante a happy-hour celestial.

Oração para o Brasil ganhar a Copa do Mundo

Rezem comigo, seis vezes consecutivas, miseráveis ufanistas, ou a taça não virá: “Pai nosso, brasileiro de Chapadão do céu, venha a nós e traga sal, picanha e pimenta-do-reino. Seja feita a vossa vontade, e não a da FIFA, assim no gramado, como nos bastidores. O gol nosso de cada jogo nos dai hoje. Perdoai as nossas gracinhas, assim como nós perdoamos as de quem nos tem desgraçado ao longo da história. E não nos deixeis cair na tentação de aceitarmos comissão. Ah, néim”.

Eu tento mas a desesperança não morre

Ninguém dá crédito a um louco, senão outro louco, o psiquiatra ou uma árvore. Se o maluco em questão for uma pessoa idosa, então, pior ainda: vai jogar palavras ao vento até que a própria brisa dele se amofine e pare de assoprar. Porque, no que tange ao solidário aparato à senectude, quanto mais atrasada uma nação, mais profunda será a amizade entre velhos, gatos e cápsulas de rivotril.

Deixaram a porta aberta e Deus fugiu da igreja

A regra é rubra; os dogmas, claros. Abre aspas: “É vedado aos crentes solteiros desta igreja, não somente se afeiçoarem aos crentes de outras agremiações religiosas que também concorrem a Pimenta-do-Reino dos Céus, assim como contrair com os mesmos chato, bubão ou matrimônio. É vedado aos casais fazerem amor sobre o harmônio antes do culto, principalmente com as luzes dos castiçais acesas. Se a música e a fantasia libertam, com certeza deve ser pecado.

Traficantes de letras usam drone para lançarem livros dentro de escola, mas alunos não entendem nada

À primeira vista, ninguém entendeu nada quando aquele pequeno veículo aéreo não tripulado desceu dos céus carregando um pacote suspeito. Quem avisou que tinha um helicopterozinho engraçado plainando sobre o pátio da escola foi o zelador que, ao contrário daquela legião de quinhentos imaturos em busca de sucesso na vida, não possuía ainda um smartphone com o qual pudesse se manter minimamente conectado ao virtual mundo moderno.

98% da população mundial acredita em Deus, mas duvida das estatísticas

98% da população mundial acredita que Deus existe. 100% de mim acredita que aquela vizinha do lado simplesmente não existe. 15% da humanidade é gay. 85% dos deputados federais homofóbicos mordem a fronha. 1,2% das crianças com menos de 3 anos acreditam na cegonha. 99,7% dos cidadãos desrespeitam a lei. 6,7% das mulheres casam-se virgens. 100% das cadelas acasalam-se virgens. 99,99% dos espermatozóides nadam, nadam, nadam, e morrem na praia.

A felicidade é uma coisa foda

Felicidade é ir ao estádio e não ser atingido na cabeça por um vaso sanitário arremessado por um fanático de merda. Felicidade é não comemorar gols de letra com uma torcida burra. Felicidade é vestir o manto sagrado do time, mesmo sendo ateu. Felicidade é sentar no chão da sala e brincar coisas de criança aos 48 anos de idade. Felicidade é dizer toda a verdade mesmo sem estar bêbado. Felicidade é mentir para o filho que a vida será para sempre boa.

Sempre que se sentir sozinho e triste, conte comigo, de segunda a sexta-feira, horário comercial, exceto feriados

Havia uma leva de desesperançados, oprimidos e curiosos no parapeito daquele viaduto sobre a Rua da Amargura, famoso na cidade inteira por servir de suporte aos poetas, bêbados, suicidas e ao público em geral que se amarrava num melodrama. Cronos, o filho de Gaia, estava ali em busca de um rosto, um conjunto novinho-em-folha composto de pele, nariz, lábios, pálpebras, sobrancelhas e expressões, que seria recortado, desinfetado e colado pelos médicos cubanos numa feiosa cratera esquelética onde antes havia uma face de mulher.

Os 10 vilões do cinema que seriam fichinhas perto dos criminosos da vida real

Enquanto aguardo a luz verde do semáforo, um motoqueiro avança com uma das pernas esticada, chuta o espelho retrovisor do meu carro, e foge. Aproveitei a pausa forçosa para listar nas costas de um bilhete de multa de trânsito o ranking dos 10 mais ardilosos vilões do cinema em todos os tempos, criaturas fictícias odiosas, assustadoras, abjetas, as quais seriam fichinhas, principiantes, amadoras, se comparadas à leva de celerados que infectam por aqui.

Eu não gosto de nada que o mundo gosta

Eu não gosto de sonhar dormindo mais do que eu sonho ao permanecer acordado. Eu não gosto do altruísmo narcisista das redes sociais. Eu não gosto de carinho quando estou nervoso. Eu não sou um cãozinho faminto que rola e late. Ainda que seja amargo como eu, eu não gosto de chocolate. Eu não gosto de esconder os ovos de Páscoa das crianças nos arbustos do jardim. Eu não gosto de brincar com os sentimentos dos outros. Eu não gosto de ficar bêbado até dizer a verdade.