Autor: Revista Bula

Chamado de louco. Internado em hospícios. Morreu aos 41 anos. Sua obra ensinou o Brasil a dar nome à dor

Chamado de louco. Internado em hospícios. Morreu aos 41 anos. Sua obra ensinou o Brasil a dar nome à dor

Afonso Henriques de Lima Barreto aprendeu o Rio no trem suburbano e viveu do salário de amanuense. Negro, atravessou o pós-Abolição entre repartições do centro e ruas de Todos os Santos, fazendo da cidade matéria de vida. Sofreu internações no sistema manicomial, resistiu ao cerco de salões e morreu cedo, aos 41, em novembro de 1922. Ignorado em vida, volta como referência: sua voz periférica, direta e irônica ajuda a ler o Brasil urbano, suas exclusões.

O melhor filme da Netflix em 2025? Críticos e fãs dizem que sim Divulgação / Aluna Entertainment

O melhor filme da Netflix em 2025? Críticos e fãs dizem que sim

Há filmes que começam como pergunta e se recusam a responder. “A Noite Sempre Chega”, de Benjamin Caron, respira nesse intervalo inquieto: o da promessa social que não se cumpre e do caráter testado ao limite, sem estandartes ou catecismos. A câmera avança como quem tateia; a cidade se oferece em placas de luz e sombra, um mapa de dívidas, favores e silêncios. A protagonista, Lynette, não procura redenção; procura tempo. A moral, quando aparece, não é tese, é custo.

Há 100 anos, tentaram calar uma poeta; ela recusou o silêncio e desmascarou a hipocrisia moralista

Há 100 anos, tentaram calar uma poeta; ela recusou o silêncio e desmascarou a hipocrisia moralista

Entre vitrines novas e vigilância doméstica, Gilka Machado fez do corpo pensamento e pagou com décadas de silêncio. No Rio reformado por Pereira Passos, publicou versos que afrontaram a patrulha moral e o biografismo. Atuou no Partido Republicano Feminino desde 1910, viu o voto chegar em 1932 e manteve a escrita enquanto criava filhos, enfrentava a viuvez e organizava o legado do marido. Chamaram-na “matrona imoral”; ela respondeu com ofício. Drummond a definiu como a primeira mulher nua da poesia brasileira: nudez da língua, não da pessoa, sem pedir licença.

Pagou para publicar o único livro. Viveu na pobreza. Morreu aos 30. E virou lenda incômoda da poesia

Pagou para publicar o único livro. Viveu na pobreza. Morreu aos 30. E virou lenda incômoda da poesia

Nasceu em 1884, em Sapé, Paraíba, entre canaviais e rachaduras de engenho. Estudou Direito no Recife, deu aulas, escreveu em jornais, exerceu cargos públicos. Mudou-se em 1914 para Leopoldina, Minas Gerais, para dirigir um grupo escolar; ali a tosse virou sentença. Morreu em 12 de novembro, às quatro da manhã, com 30 anos, de pneumonia. Entre a Abolição e a República, atravessou um país que trocava velhos rituais por promessas de progresso. Sua biografia breve guarda fome de precisão, sensibilidade aguda e uma coragem incômoda de nomear o mundo inteiro.

O romance da Netflix que todos estão assistindo — e que vai destruir seu coração em mil pedaços Divulgação / Freestyle Releasing

O romance da Netflix que todos estão assistindo — e que vai destruir seu coração em mil pedaços

Há filmes que preferem o rumor das marés às certezas proclamadas. “2 Corações”, de Lance Hool, recorta desse rumor um desenho de sobrevivências e coincidências que se reconhecem sem alarde. A câmera de Vincent de Paula detém-se numa ilha luminosa a ponto de ferir a vista; no brilho, um narrador jovem anuncia uma história que começa antes dele e, portanto, fora de qualquer domínio. Não há pressa de cumprir o que se promete. O filme trabalha com a paciência dos rituais, com respirações longas e com a hesitação de quem sabe que felicidade sem fissura pertence ao laboratório das ideias. O romance veste sua fábula com tecido humano: tempo, carne e equívoco.