Autor: Natália Walendolf

Mate a saudade de Paul Walker com thriller de ação que vai hipnotizar seus olhos, na Netflix Suzanne Tenner / Screen Gems

Mate a saudade de Paul Walker com thriller de ação que vai hipnotizar seus olhos, na Netflix

Há filmes que não buscam ser lembrados, mas apenas vistos. “Ladrões”, lançado em 2010 sob direção incerta de John Luessenhop, não aspira ao panteão dos inesquecíveis. Ainda assim, sobrevive na memória de parte do público por um motivo simples: não impõe exigência alguma além de estar ali. Ele se ancora nessa permissividade, nesse pacto silencioso entre espectador e tela que diz — sem prometer nada — que às vezes basta a ilusão de um golpe em andamento, tiros coreografados e rostos familiares para justificar uma hora e meia de desligamento.

Obrigatório para apaixonados por livros: mistério com Ian McKellen na Netflix Divulgação / Miramax

Obrigatório para apaixonados por livros: mistério com Ian McKellen na Netflix

Poucos personagens resistem ao tempo com tanta obstinação quanto Sherlock Holmes. Contudo, em “Sr. Sherlock Holmes”, o que sobrevive já não é o mito, mas a erosão dele. Bill Condon, em um gesto que ignora os vícios da repetição, propõe um Holmes despido da lenda, desidratado da glória, vivendo seus últimos dias num campo inglês onde o silêncio é menos paz do que um eco moribundo de quem um dia foi sinônimo de certeza.

Bradley Cooper, Rachel McAdams, John Krasinski e Emma Stone: elenco de peso em comédia romântica de Cameron Crowe, na Netflix Divulgação / Columbia Pictures

Bradley Cooper, Rachel McAdams, John Krasinski e Emma Stone: elenco de peso em comédia romântica de Cameron Crowe, na Netflix

“Sob o Mesmo Céu” escolhe o caminho da hesitação. Cameron Crowe, mais uma vez fiel à sua vocação para as nuances, constrói um relato onde o desconforto e a estranheza não são falhas de percurso, mas sinais de autenticidade. Nesse universo havaiano menos turístico que existencial, a narrativa se move como um vento imprevisível: ora cálido e contemplativo, ora carregado de tensão emocional, mas sempre disposto a desorganizar certezas.

Rachel McAdams, Kathy Bates e Benny Safdie em crônica adorável sobre amadurecimento e amor próprio, no Prime Video Divulgação / Lionsgate

Rachel McAdams, Kathy Bates e Benny Safdie em crônica adorável sobre amadurecimento e amor próprio, no Prime Video

Com sensibilidade e objetividade narrativa, “Você Está Aí, Deus? Sou Eu, Margaret” — ou “Crescendo Juntas” — é como um delicado mosaico de inquietações juvenis, conflitos familiares e dilemas espirituais, mas nunca desvia o foco da narrativa: sua presença serve como contraponto afetivo e ideológico às inquietações da neta, simbolizando a memória e o pertencimento que se entrelaçam com a liberdade de escolha.

História com Tom Hanks na Netflix é tão linda, certeira e inspiradora que até parece conselho de vó Divulgação / Sony Pictures

História com Tom Hanks na Netflix é tão linda, certeira e inspiradora que até parece conselho de vó

Há figuras públicas cuja influência atravessa décadas não pela grandiosidade de gestos, mas pela delicadeza persistente de suas ações. Fred Rogers pertence a essa categoria rara: um homem que jamais precisou elevar a voz para tocar os corações, cujos ensinamentos não foram transmitidos por discursos grandiosos, mas por silêncios acolhedores, perguntas gentis e uma escuta que parecia infinita. “Um Lindo Dia na Vizinhança” não tenta recontar sua trajetória — seria uma redução —, mas propõe algo mais ousado: recriar a experiência transformadora que era estar na presença desse homem.