Autor: Fer Kalaoun

Para quem ama arquitetura e filosofia, o delicado filme de Kogonada na Mubi transforma silêncio em emoção Divulgação / Superlative Films

Para quem ama arquitetura e filosofia, o delicado filme de Kogonada na Mubi transforma silêncio em emoção

Tolkien tem uma frase conhecida que diz que “nem todos os que vagueiam estão perdidos”. Ela parece se encaixar bem com o espírito de “Columbus”, longa de estreia de Kogonada, lançado em 2017, realizado com um orçamento modesto de cerca de 700 mil dólares, algo praticamente impensável dentro da lógica industrial de Hollywood. Ainda assim, ou talvez justamente por isso, Kogonada constrói um drama de extrema sofisticação, sustentado por um roteiro de vocação contemplativa e por uma fotografia que dialoga de maneira orgânica com a arquitetura da cidade de Columbus, elemento intrinsecamente ligado tanto à narrativa quanto ao estado emocional dos personagens.

Disponível na Mubi, o filme que lançou Winona Ryder e Christian Slater e inspirou “Meninas Malvadas” Divulgação / Paramount Pictures

Disponível na Mubi, o filme que lançou Winona Ryder e Christian Slater e inspirou “Meninas Malvadas”

Nos anos 1980, as comédias adolescentes de John Hughes dominaram o cinema, expondo a dinâmica dos colégios a partir de grupos hierárquicos bem definidos: havia mocinhos, vilões, garotas fúteis, nerds deslocados. Já nos anos 1990 e 2000, filmes como “Patricinhas de Beverly Hills” e “Meninas Malvadas”, entre outros, passaram a dissecar com mais precisão a anatomia do poder adolescente, construindo tramas elaboradas sobre influência, status e controle social dentro do ambiente escolar.

Caso Epstein, cão Orelha e influencers de Porsche: o que tudo isso tem a ver com o terror satírico genialmente estrelado por Adèle Exarchopoulos, na Mubi? Divulgação / Arte France Cinéma

Caso Epstein, cão Orelha e influencers de Porsche: o que tudo isso tem a ver com o terror satírico genialmente estrelado por Adèle Exarchopoulos, na Mubi?

Ser rico e famoso, para pessoas esvaziadas de moralidade, significa o apagamento das linhas que delimitam a barbárie. Muitas celebridades, influenciadores e donos de grandes fortunas passam a agir como se estivessem acima do bem e do mal. O caso Epstein é emblemático: um emaranhado de crimes hediondos e monstruosos praticados por políticos, ricos e famosos, sustentado por redes de proteção, silêncios convenientes e cumplicidade institucional.

Considerada por críticos como a maior obra-prima de David Cronenberg, suspense com Viggo Mortensen e Ed Harris está na HBO Max Divulgação / New Line Cinema

Considerada por críticos como a maior obra-prima de David Cronenberg, suspense com Viggo Mortensen e Ed Harris está na HBO Max

Um estudo de personagem, “Marcas da Violência”, de David Cronenberg, é um thriller curto e sólido, inicialmente baseado na premissa da HQ da Vertigo, escrita por Vince Locke e John Wagner, mas com seu cerne narrativo completamente reconstruído em parceria com o roteirista Josh Olson. Lançado em 2005, o longa traz Viggo Mortensen no papel de Tom Stall, dono de uma lanchonete em uma pequena cidade fictícia chamada Millbrook, no interior de Indiana. As filmagens, no entanto, foram realizadas em Ontário, no Canadá.

O filme de Bernardo Bertolucci que envelheceu tão bem quanto vinho, na Mubi Divulgação / Península Films

O filme de Bernardo Bertolucci que envelheceu tão bem quanto vinho, na Mubi

Quando foi lançado, “Os Sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, foi recebido com aclamação quase imediata. Críticos respeitados, como Roger Ebert, exaltaram a beleza poética do filme, ainda que ele já carregasse um potencial controverso. Vinte e três anos depois, após sucessivas revisitações, o olhar crítico mudou, e mudou de forma significativa. Até mesmo pelas polêmicas em que o diretor se envolveu. Isabelle, a jovem interpretada pela talentosíssima e deslumbrante Eva Green, passou a ser lida como símbolo de mulheres silenciadas, objetificadas e erotizadas.