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Ryan “Fang” Flanagan (Liam Neeson), um veterano das Forças Especiais, foge da polícia pelas estradas dos Estados Unidos depois de matar, em legítima defesa, o parceiro abusivo de sua ex-mulher, Tara (Marisa Tomei). Acusado de assassinato, ele rouba um Mustang e tenta escapar com a ajuda de antigos companheiros do Exército. Essa é a premissa de “Fuga Mortal”, ação de 2026 dirigida por Mark Vanselow, que transforma a perseguição num espetáculo televisivo. Enquanto as autoridades tentam capturá-lo, o público acompanha as manobras e escolhe seu favorito.

Neeson volta a interpretar um homem de passado militar que precisa recorrer à experiência para sobreviver. A novidade está no uso dessas habilidades. Em vez de atravessar corredores distribuindo golpes, Ryan passa boa parte do tempo ao volante, procurando espaço entre viaturas e carros que seguem na direção contrária. O ator mantém a expressão cansada de quem preferia estar resolvendo qualquer outro problema. A essa altura, até o espectador mais fiel talvez compartilhe um pouco desse cansaço, mas um Mustang vermelho ainda tem seus argumentos.

Uma morte põe Ryan na estrada

O episódio que provoca a fuga envolve Todd (Brett Tucker), o novo parceiro de Tara. Violento com ela, ele enfrenta Ryan numa situação que termina em morte. O veterano sabe que terá dificuldade para explicar o ocorrido e decide partir. A escolha agrava sua situação diante da polícia, mas estabelece o movimento que sustenta o restante da história. Cada tentativa de escapar traz mais agentes para a perseguição e torna sua identificação conhecida por um número maior de pessoas.

A relação com Tara oferece uma razão afetiva para acompanhar esse homem além de sua competência para dirigir. Existe um casamento desfeito, uma intimidade que sobreviveu à separação e a possibilidade de uma reconciliação. Tomei dá presença a essa ligação, embora o roteiro nem sempre lhe ofereça material à altura. Nas conversas por telefone, o casal tenta recuperar lembranças e falar de um futuro incerto. Algumas falas, porém, parecem escritas com tanto empenho em soar espontâneas que acabam produzindo o efeito contrário.

Quando Ryan recorda uma viagem e comenta a vida sexual dos dois, a intenção de criar cumplicidade esbarra num constrangimento desnecessário. São personagens com uma história em comum, interpretados por atores capazes de sugerir esse vínculo sem tantas declarações. O diálogo insiste em explicar o que a familiaridade entre eles já permitiria perceber. Tara permanece ligada a um homem que tenta conversar sobre o relacionamento enquanto precisa prestar atenção aos carros em seu caminho.

O Mustang merece parte do cachê

Vanselow, profissional experiente na coordenação de dublês, faz sua estreia na direção de longas e demonstra maior segurança nas sequências de ação. Ryan desvia de viaturas, executa retornos bruscos e entra na contramão para escapar do cerco. O interesse dessas passagens vem da proximidade entre os veículos e da necessidade de acompanhar por onde ele conseguirá passar. Há velocidade, mas também uma boa noção do espaço disponível e do risco de ocupá-lo.

O Mustang pode fazer maravilhas, mas continua precisando de combustível. A necessidade de abastecer obriga Ryan a interromper a fuga, acrescentando uma dificuldade simples e eficiente. Poucas coisas colocam um herói no lugar com tanta facilidade quanto um tanque vazio. Nessas horas, o suspense depende de uma tarefa reconhecível, cumprir uma parada sem permitir que os perseguidores alcancem o carro. É uma pressão mais convincente do que boa parte das falas sobre bravura militar.

Durante o percurso, Ryan ainda conversa com a inteligência artificial do navegador. A companhia eletrônica ajuda a quebrar a solidão dentro do veículo e permite algumas tentativas de graça. O recurso combina com o espírito exagerado da aventura, embora nem toda conversa mereça interromper a atenção dedicada à estrada. Quando Vanselow deixa o motorista ocupado com curvas, trânsito e viaturas, a ação ganha fluidez.

Uma fuga transmitida para o país

A cobertura televisiva muda a dimensão da perseguição. Ryan perde qualquer possibilidade de anonimato, mas conquista a simpatia de espectadores que passam a torcer por sua fuga. O homem procurado pela polícia vira uma espécie de celebridade improvisada. A adesão popular acrescenta uma camada curiosa à caçada, embora o roteiro trate essa simpatia com mais entusiasmo do que curiosidade. Há pouca disposição para investigar por que tanta gente aceita comprar a versão do fugitivo.

Entre os que prestam auxílio estão antigos colegas das Forças Especiais, incluindo Tanker (Ving Rhames). A lealdade entre soldados rende apoio ao protagonista, mas também algumas das passagens mais carregadas na escrita de Thompson Evans. Quando os companheiros agem, ajudam a história a avançar. Quando param para anunciar fraternidade e compromisso, o ritmo perde força. A amizade fica mais convincente nos recursos que oferecem a Ryan do que nas frases escolhidas para celebrá-la.

O major Walter Pope (Michael Chiklis), por sua vez, empenha-se em capturá-lo. O ator sustenta um semblante tão contrariado que a perseguição às vezes parece ter interrompido um almoço indigesto. Sua obstinação oferece resistência ao fugitivo, mas o personagem recebe poucas nuances. Ele ocupa o papel de autoridade determinada a encerrar a caçada, enquanto Ryan e seus aliados procuram maneiras de prolongá-la.

Menos discurso, mais estrada

As lembranças do Afeganistão acrescentam informações sobre o passado de Ryan e o sofrimento que ele carrega. O problema é a insistência em explicar esse desgaste por meio de falas pouco sutis. Neeson consegue sugerir exaustão e amargura com economia, mas precisa dividir espaço com um roteiro que frequentemente sublinha o que já estava exposto.

“Fuga Mortal” é uma diversão instável, muito mais segura nas perseguições do que nas conversas que as interrompem. A presença de Neeson ajuda, Tomei dá calor ao vínculo afetivo e Vanselow aproveita sua experiência com dublês para manter os carros perigosamente próximos. Falta à escrita a mesma precisão exigida das manobras. Quando Ryan termina o telefonema, segura o volante e procura uma passagem entre as viaturas, há bons motivos para continuar acompanhando.


Filme: Fuga Mortal
Diretor: Mark Vanselow
Ano: 2026
Gênero: Ação/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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