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Fernanda Torres integra a equipe de roteiro de “Os Outros”, criação de Lucas Paraizo no Globoplay. Com Adriana Esteves, Milhem Cortaz e Maeve Jinkings, a primeira temporada transforma uma briga entre adolescentes em uma disputa que atravessa as portas de um condomínio.

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OS OUTROS (2023)

Marcinho e Rogério brigam durante uma partida de futebol no condomínio onde moram. O conflito chega aos pais: Cibele e Amâncio, de um lado, Wando e Mila, do outro. Cada família passa a interpretar as atitudes da vizinha como ameaça, e os gestos de retaliação aumentam a distância entre elas. Ao redor, moradores e funcionários precisam conviver com as consequências de uma hostilidade que já não cabe na quadra.

Adriana Esteves interpreta Cibele; Milhem Cortaz vive Wando, com Thomás Aquino e Maeve Jinkings nos papéis de seus respectivos companheiros. A disposição de proteger os filhos oferece aos adultos uma justificativa que parece difícil de questionar. O problema está no que essa justificativa autoriza: agir primeiro, presumir intenções e exigir que todos reconheçam a superioridade da própria versão dos fatos.

Lucas Paraizo criou a série e escreveu a primeira temporada com uma equipe que inclui Fernanda Torres. A direção artística é de Luisa Lima. Esse encontro de profissionais sustenta uma proposta muito próxima da vida urbana brasileira: observar como o desejo de segurança pode produzir mais medo, sobretudo quando as pessoas passam a organizar o convívio em torno da antecipação de um ataque.

O condomínio torna a escalada particularmente fértil para o suspense. Os envolvidos precisam continuar dividindo entradas, áreas comuns e regras de convivência. Não existe a facilidade de encerrar uma discussão e nunca mais encontrar o adversário. A síndica Dona Lúcia, interpretada por Drica Moraes, e o ex-policial Sérgio, vivido por Eduardo Sterblitch, participam de um ambiente no qual informação e proteção podem se converter em instrumentos de poder.

Os doze episódios iniciais estão disponíveis no Globoplay. Começar por essa temporada permite acompanhar a transformação de um desacordo cotidiano numa estrutura de vigilância e ressentimento. A força da indicação está no reconhecimento: a necessidade de ter razão, quando se torna maior do que a disposição de ouvir, reorganiza até os lugares em que alguém deveria se sentir em casa. A proximidade física continua; a possibilidade de convivência é que começa a desaparecer.

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