Mariana Bardan e Eduardo Melo, parceiros na vida e no roteiro, criaram “Cangaço Novo”, no Prime Video. Com Allan Souza Lima, Alice Carvalho e Thainá Duarte, a série brasileira leva uma disputa por herança ao encontro de assaltos a bancos, poder local e lealdades familiares.
CANGAÇO NOVO (2023)
Ubaldo trabalha em um banco em São Paulo e precisa de dinheiro para cuidar do pai adotivo. Uma herança o leva a Cratará, no sertão cearense, onde encontra as irmãs Dinorah e Dilvânia e descobre o peso do nome de seu pai biológico. A viagem aproxima o visitante de uma quadrilha de assaltantes de bancos. Seu conhecimento do funcionamento dessas instituições passa a ter um valor muito diferente daquele atribuído a ele no emprego.
A oposição entre os dois ambientes dá à premissa sua força. A experiência que fazia de Ubaldo um funcionário relativamente anônimo se torna um recurso disputado em Cratará. Ele chega como alguém de fora, mas carrega uma história anterior à própria memória. Herdar, nesse caso, significa receber também expectativas: outras pessoas já decidiram o que aquele nome representa e o que seu portador deveria fazer.
Allan Souza Lima divide o centro da narrativa com Alice Carvalho e Thainá Duarte. O encontro dos três irmãos impede que a descoberta do protagonista apague as vidas de quem permaneceu no sertão. Dinorah e Dilvânia têm vínculos, interesses e responsabilidades que não começaram com a chegada dele. A família oferece reconhecimento e pertencimento, mas exige escolhas que tornam essa aproximação perigosa.
Mariana Bardan e Eduardo Melo criaram a série, produzida pela O2 Filmes. Em entrevista à Exame, os dois contaram que se conheceram no curso de cinema e construíram juntos o percurso profissional. A primeira temporada teve direção de Aly Muritiba e Fábio Mendonça. O projeto combina a circulação de dinheiro e armas do crime contemporâneo com a permanência de um imaginário de liderança, parentesco e poder territorial.
Os oito episódios iniciais, disponíveis no Prime Video, são o ponto de partida indicado. A atração está na combinação entre ação e uma questão de identidade: quanto existe de escolha pessoal numa função que uma comunidade parece ter reservado a alguém? Cratará não oferece apenas uma paisagem para a aventura. É o lugar em que relações antigas determinam quem pode mandar, cobrar uma dívida ou exigir lealdade.

