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Regina King estreou na direção de longas com “Uma Noite em Miami…”, indicado a três Oscars e disponível no Prime Video. O filme imagina a conversa entre quatro figuras centrais da cultura negra americana, numa noite em que amizade e responsabilidade pública se chocam.

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Uma Noite em Miami… (2020)

Direção: Regina King
Roteiro: Kemp Powers
Duração: 1h55 no Prime Video · Classificação: 14 anos
Elenco: Kingsley Ben-Adir, Eli Goree, Aldis Hodge e Leslie Odom Jr.

Depois da vitória de Cassius Clay sobre Sonny Liston, em fevereiro de 1964, o boxeador se encontra com Malcolm X, o cantor Sam Cooke e o jogador de futebol americano Jim Brown. A celebração abre espaço para uma conversa sobre fama, dinheiro, religião e racismo. Cada um ocupa uma posição distinta na vida pública dos Estados Unidos, e nenhum aceita com facilidade a ideia que os amigos fazem de suas escolhas.

O roteiro de Kemp Powers adapta sua própria peça e propõe uma elaboração ficcional desse encontro. A diferença importa: o filme explora conflitos possíveis entre personalidades históricas, sem apresentar os diálogos como uma transcrição. Regina King encontra movimento nas mudanças de aliança, nos silêncios e nas provocações. Um quarto de hotel pode parecer grande o bastante para uma festa e pequeno demais para o desacordo que surge.

Kingsley Ben-Adir interpreta um Malcolm X exigente, pressionado pelas próprias inquietações. Eli Goree dá a Clay a exuberância de um atleta que acaba de alcançar uma vitória decisiva. Aldis Hodge oferece a Jim Brown uma firmeza observadora. Como Sam Cooke, Leslie Odom Jr. combina a presença do cantor com a defesa de sua autonomia artística e financeira. O conjunto funciona porque os quatro podem ferir e surpreender uns aos outros.

A questão que une as discussões é o que fazer com o espaço conquistado numa sociedade que continua impondo limites à população negra. O sucesso individual traz influência, mas também expectativas e formas diferentes de acomodação. King mantém a dimensão íntima desse debate: são amigos discutindo o futuro e tentando ser compreendidos. Vale assistir pela força dos atores e pela recusa em transformar figuras célebres em pessoas que concordam sobre tudo.

As três indicaçõesNo Oscar de 2021, o filme concorreu em ator coadjuvante, com Leslie Odom Jr.; roteiro adaptado, com Kemp Powers; e canção original, por “Speak Now”, de Odom e Sam Ashworth.

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