Robert De Niro, Ray Liotta e Joe Pesci se encontram em “Os Bons Companheiros”, clássico de Martin Scorsese disponível na HBO Max. Baseado no livro de Nicholas Pileggi, o filme observa a sedução do crime por dentro, com uma energia que continua difícil de igualar.
Os Bons Companheiros (1990)
Desde garoto, Henry Hill admira os homens que comandam os negócios ilegais de seu bairro em Nova York. Eles recebem tratamento especial, circulam com dinheiro e parecem viver acima das regras que limitam os demais. A aproximação começa com pequenos serviços e cresce sob a influência de criminosos mais experientes, entre eles Jimmy Conway e Tommy DeVito. O pertencimento ao grupo oferece a Henry uma identidade e cobra obediência.
Scorsese filma esse mundo com a velocidade de quem conhece sua capacidade de seduzir. A câmera atravessa restaurantes, acompanha encontros e transforma a circulação dos personagens numa demonstração de poder. A trilha musical e a montagem dão impulso às lembranças narradas por Henry. O espectador entende o prazer de entrar pela porta reservada e receber uma mesa antes dos outros; a violência já está presente nessa ordem de privilégios.
Ray Liotta conduz o relato com uma mistura de entusiasmo e necessidade de aprovação. Robert De Niro faz de Jimmy uma presença cujo cálculo pode sobreviver ao sorriso. Joe Pesci, premiado com o Oscar, introduz a instabilidade de Tommy: estar perto dele exige atenção ao humor de cada frase. Lorraine Bracco amplia o ponto de vista como Karen, que precisa interpretar as regras desse ambiente enquanto se envolve com Henry.
O roteiro, escrito por Scorsese e Nicholas Pileggi a partir de “Wiseguy”, trabalha com pessoas e acontecimentos reais. O resultado interessa pela precisão com que mostra o crime entrando na rotina: dinheiro, favores, refeições, casamentos e ameaças passam a ocupar os mesmos espaços. É uma escolha especialmente forte para quem quer conhecer o cinema de Scorsese ou rever como uma narrativa pode produzir fascínio e desconforto dentro de uma mesma cena.
O Oscar de Joe PesciA atuação como Tommy DeVito rendeu a Joe Pesci o Oscar de ator coadjuvante em 1991. O filme recebeu seis indicações, incluindo melhor filme, direção e roteiro adaptado.

