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Martin Scorsese desenvolveu “Silêncio” por mais de duas décadas antes de levar o romance de Shūsaku Endō ao cinema. Agora na MUBI, o drama reúne Andrew Garfield, Adam Driver e Liam Neeson em uma investigação devastadora sobre fé, sofrimento e responsabilidade.

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Silêncio (2016)

Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Jay Cocks e Martin Scorsese
Duração: 2h42 na MUBI · Classificação: 14 anos
Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson, Tadanobu Asano e Issey Ogata

No Japão do século 17, dois padres jesuítas portugueses entram clandestinamente no país à procura de seu antigo mentor. Chegaram até eles notícias de que o religioso teria renunciado à fé. Enquanto tentam descobrir o que aconteceu, encontram comunidades cristãs obrigadas a esconder suas práticas e a viver sob perseguição. A missão, inicialmente sustentada pela convicção, logo passa a exigir escolhas para as quais os sacerdotes não estavam preparados.

Scorsese concentra o drama na distância entre uma certeza interior e suas consequências sobre outras pessoas. Os missionários acreditam saber o que devem defender, mas cada encontro torna mais difícil decidir como fazê-lo. A resistência de alguém pode aumentar o sofrimento de quem está ao redor. O filme permanece junto dessa dificuldade, deixando que as perguntas se acumulem sem oferecer o conforto imediato de uma resposta.

Andrew Garfield interpreta Rodrigues como um homem cuja imagem de si mesmo passa por uma prova tão dura quanto suas crenças. Adam Driver, Liam Neeson e Issey Ogata participam de uma história em que escutar o outro pode ser mais ameaçador do que enfrentar uma agressão. A paisagem, a umidade, o mar e os espaços de confinamento dão presença física ao desgaste. O tempo dilatado exige disposição para acompanhar hesitações, esperas e silêncios que não se resolvem depressa.

É uma indicação para uma sessão de atenção inteira, especialmente para quem se interessa pelos dilemas morais que atravessam o cinema de Scorsese. O assunto religioso não restringe a discussão aos fiéis: orgulho, compaixão e responsabilidade são questões que alcançam qualquer espectador. O peso da experiência vem da dificuldade de julgar pessoas submetidas a condições extremas. Ao aproximar convicção e fragilidade, o diretor constrói um drama que pede reflexão mesmo quando os personagens já não encontram palavras.

Um projeto de longa gestaçãoAo apresentar o filme em 2016, o Museu de Arte Moderna de Nova York registrou que a adaptação estava em desenvolvimento havia mais de 20 anos. O roteiro é de Jay Cocks e Martin Scorsese.

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