Vencedor de sete prêmios Goya, “O Orfanato” apresentou a força do cinema de J. A. Bayona em uma história de infância, memória e assombração. No Prime Video, o filme encontra em Belén Rueda a presença capaz de tornar cada ruído da casa uma ameaça íntima e dolorosa.
O Orfanato (2007)
Laura volta com o marido e o filho ao orfanato onde cresceu. Seu projeto é transformar a propriedade em uma residência para crianças que precisam de cuidados especiais. A casa deveria oferecer um recomeço, mas Simón passa a falar de companheiros que os adultos não conseguem ver. As brincadeiras do menino deixam de parecer inofensivas, e Laura se vê obrigada a investigar um passado que julgava conhecer.
Há um desconforto particular em retornar a um lugar da infância e descobrir que suas lembranças não bastam para explicá-lo. J. A. Bayona faz desse sentimento o centro do terror. Portas, quartos e corredores carregam uma história anterior à chegada da família. Cada novo indício altera a relação de Laura com a casa, até que o gesto de procurar alguma coisa se torne, por si só, uma fonte de angústia.
Belén Rueda sustenta a história com uma interpretação que aproxima o mistério do sofrimento de uma mãe. O espectador acompanha suas tentativas de compreender o filho e reconhece a urgência por trás de atitudes que, vistas de fora, poderiam parecer desmedidas. O roteiro de Sergio G. Sánchez liga os sustos a esse vínculo afetivo. Por isso, a imagem perturbadora de uma criança mascarada tem um alcance que vai além da aparição: ela ameaça um mundo que deveria proteger os pequenos.
A indicação vale sobretudo para quem aprecia histórias de fantasmas que continuam incomodando depois do último susto. O filme dá espaço à espera, à escuta e à incerteza, sem abandonar a progressão do mistério. É também uma oportunidade de conhecer a estreia em longa-metragem de um diretor que encontrou no encontro entre espetáculo e emoção uma assinatura duradoura. Para preservar o efeito da descoberta, convém evitar explicações sobre o desfecho antes da sessão.
Os sete GoyasNa edição de 2008, a Academia de Cinema da Espanha premiou direção estreante, roteiro original, direção de produção, direção de arte, maquiagem e penteado, som e efeitos especiais.

