Quatro episódios, uma protagonista em busca de autonomia e uma direção premiada no Emmy. Disponível na Netflix, “Nada Ortodoxa” parte das memórias de Deborah Feldman para construir um drama íntimo sobre o preço de romper com a vida que outros escolheram.
Nada Ortodoxa (2020)
Esty, uma jovem de uma comunidade judaica ultraortodoxa do Brooklyn, parte para Berlim depois de um casamento arranjado. Chega sem uma vida pronta à sua espera. Ao se aproximar de estudantes de música, encontra hábitos e possibilidades que desconhecia. Enquanto tenta descobrir onde pode ficar e o que deseja fazer, os vínculos deixados em Nova York continuam a alcançá-la. A narrativa alterna essa chegada com o cotidiano que tornou a partida necessária.
A força da indicação está nessa passagem entre sair de um lugar e conseguir habitar outro. Para a protagonista, decisões que os novos conhecidos tomam sem hesitar exigem aprendizado. Uma conversa, uma roupa ou a aproximação de um grupo carregam um peso diferente. A mudança de cidade abre possibilidades, mas não apaga de imediato o medo, o afeto e as regras que organizaram sua experiência até ali.
Shira Haas sustenta esse percurso com uma atuação atenta às hesitações de Esty. Amit Rahav interpreta Yanky, seu marido, e Jeff Wilbusch vive Moishe, que o acompanha à Alemanha. O encontro entre esses personagens mantém o passado presente na nova cidade. O drama ganha interesse porque a ruptura envolve pessoas próximas: escolher a própria vida também significa enfrentar expectativas de quem acredita saber o que seria melhor para ela.
Criada por Anna Winger e Alexa Karolinski, a minissérie se inspira no livro autobiográfico de Deborah Feldman, apresentado pela editora Simon & Schuster como um best-seller. Convém entrar na história como uma adaptação dramática, e não como uma reconstituição literal da trajetória da autora. A experiência pessoal fornece o ponto de partida; os quatro capítulos constroem o percurso de Esty com personagens e situações próprios.
Segundo a Television Academy, a produção recebeu oito indicações ao Emmy de 2020 e venceu na categoria de direção de minissérie, telefilme ou especial dramático, pelo trabalho de Maria Schrader. Os episódios duram de 52 a 55 minutos. Para o fim de semana, é uma escolha concentrada: cabe em uma sessão longa ou em duas noites e encontra sua tensão nas pequenas decisões de alguém que começa a imaginar um futuro próprio.

