Alex Garland, diretor de “Ex Machina”, escreveu e dirigiu os oito episódios de “Devs”. Disponível no Disney+, a minissérie combina investigação, tecnologia e perguntas sobre o livre-arbítrio: uma boa escolha para quem quer passar o fim de semana dentro de um mistério.
Devs (2020)
Lily Chan trabalha como engenheira de software na Amaya, uma empresa de tecnologia do Vale do Silício. Quando seu namorado desaparece após ser chamado para uma divisão reservada da companhia, ela começa a desconfiar das explicações oferecidas. A investigação leva ao fundador Forest e a um laboratório cujo segredo parece interessar mais à empresa do que o destino de quem entrou ali.
A força da premissa está em fazer o ambiente profissional perder sua aparência de familiaridade. A hierarquia continua funcionando, os funcionários conhecem seus lugares e o discurso da inovação permanece intacto. Para Lily, entretanto, portas fechadas e respostas evasivas passam a ter outro significado. Saber programar não garante acesso ao que os colegas estão construindo, muito menos proteção contra as consequências dessa descoberta.
Garland mantém o controle do roteiro e da direção ao longo de toda a minissérie. Essa continuidade favorece uma atmosfera em que arquitetura, silêncio e distância entre os personagens participam do mistério. O laboratório adquire a solenidade de um lugar de culto. Seus responsáveis falam em ciência, mas a segurança com que defendem o projeto também convida a perguntar onde termina uma hipótese e começa uma crença.
Sonoya Mizuno conduz a busca por respostas, enquanto Nick Offerman interpreta Forest como uma presença difícil de decifrar. Alison Pill e Cailee Spaeny integram o grupo ligado ao desenvolvimento da tecnologia. O conflito cresce quando o conhecimento deixa de parecer uma ferramenta neutra: descobrir algo pode significar obter poder sobre outras pessoas. A dúvida sobre as escolhas humanas passa, então, a ter consequências íntimas.
É uma indicação para assistir com atenção, deixando que os episódios apresentem suas próprias perguntas. A ligação com “Ex Machina” está no interesse de Garland pelas relações entre tecnologia, controle e comportamento; conhecer o filme não é requisito para entrar nesta história. Com oito capítulos e uma trama concluída, há espaço para começar no sábado, continuar no domingo e ainda levar a discussão para depois dos créditos.

