Barry Jenkins dirigiu os dez episódios de “The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade”, no Prime Video. A adaptação do romance de Colson Whitehead, vencedor do Pulitzer de ficção em 2017, acompanha a fuga de uma jovem escravizada no sul dos Estados Unidos.
The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade (2021)
Cora vive numa plantação na Geórgia antes da Guerra Civil americana. Quando Caesar propõe uma fuga, ela precisa decidir se aceita uma possibilidade de liberdade cercada de riscos. O percurso apresenta uma ferrovia subterrânea concreta, com trilhos, estações e pessoas que ajudam fugitivos a seguir viagem. Ao alcançar novos lugares, Cora descobre que a aparência de acolhimento nem sempre permite compreender as regras locais. Enquanto procura um espaço onde possa viver, continua exposta à perseguição.
Barry Jenkins adaptou o romance de Colson Whitehead, premiado com o Pulitzer de ficção em 2017, e dirigiu todos os episódios. Thuso Mbedu interpreta Cora, Aaron Pierre vive Caesar e Joel Edgerton integra o elenco como o perseguidor Ridgeway. A ferrovia materializa a imagem que dá nome ao livro: uma rede de fuga se torna também um caminho físico, permitindo que a viagem atravesse paisagens e formas diferentes de organizar a violência.
A presença dessa construção fantástica amplia as possibilidades de uma narrativa ligada à história da escravidão. Cada parada obriga Cora a observar quem estabelece as regras, quais promessas estão sendo feitas e quanto de sua vida continua sob o controle de outros. A liberdade precisa incluir a possibilidade de escolher onde ficar, em quem confiar e como imaginar o futuro. O deslocamento, sozinho, não oferece resposta para todas essas necessidades.
São dez episódios que merecem tempo de atenção, num fim de semana reservado para uma obra de maior fôlego. A indicação é especialmente pertinente a quem se interessa pela passagem da literatura para o audiovisual e pelo trabalho de Jenkins, diretor de “Moonlight”. A trajetória de Cora pede que o espectador acompanhe uma pessoa tentando preservar desejos e vínculos em meio à perseguição. É nessa persistência que a jornada encontra seu centro: conseguir algum espaço para existir além das condições impostas por quem pretende decidir o destino dela.

