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Adaptada do romance de Min Jin Lee, “Pachinko” acompanha quatro gerações de uma família coreana. Criada por Soo Hugh e disponível na Apple TV, a série reúne Minha Kim, Youn Yuh-jung e Lee Min-ho num drama em que a história coletiva atravessa as escolhas mais íntimas.

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Pachinko (2022)

Sunja cresce na Coreia sob ocupação japonesa, numa família para a qual o trabalho e a proteção dos filhos organizam o cotidiano. Seu encontro com Hansu abre possibilidades que ela ainda não consegue medir e a coloca diante de decisões duradouras. Décadas depois, o neto Solomon negocia seu lugar no mundo dos negócios. A história aproxima os dois percursos: sobreviver num país que trata sua família como estrangeira e prosperar numa economia internacional não exigem as mesmas escolhas, embora carreguem feridas em comum.

O tempo é uma das principais ferramentas da adaptação. Ao aproximar juventude e velhice, a narrativa permite perceber o custo de uma decisão antes de conhecer todos os acontecimentos que a cercam. Minha Kim e Youn Yuh-jung interpretam Sunja em fases distintas, preservando a impressão de uma vida que continuou entre uma cena e outra. A persistência da personagem aparece no modo de trabalhar, alimentar a família e sustentar uma escolha quando as alternativas se estreitam.

A escala histórica não afasta a série dos ambientes domésticos. Comida, roupas, formas de tratamento e mudanças de idioma revelam diferenças que uma explicação geral deixaria escapar. Os diálogos em coreano, japonês e inglês acompanham deslocamentos e relações de poder. Para Solomon, vivido por Jin Ha, uma origem que parece útil numa negociação também pode expor um pertencimento frágil. O passado da avó ganha, assim, consequências que ultrapassam a lembrança familiar.

Publicada originalmente em 2017, a obra de Min Jin Lee fornece a base literária para essa travessia. Soo Hugh criou a versão televisiva, cuja primeira temporada teve direção de Kogonada e Justin Chon. Com estreia em 2022 e duas temporadas disponíveis, a produção merece atenção pela maneira como dá dimensão humana à passagem das décadas. O espectador acompanha transformações políticas e econômicas pelo que elas exigem de pessoas concretas: abandonar uma casa, aprender outra língua, aceitar um emprego ou insistir num futuro para os filhos.

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